American Beauty

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Bom, bora contar um pouco do lado mulherzinha aqui nos EUA. Se você quiser se manter impecável, com todos aquele mimos que nós nos proporcionamos no Brasil, como unha toda semana, depilação, sobrancelha, escova e outros luxos indispensáveis para qualquer garota, prepare-se para gastar muito. MUITO mesmo. Fazer a mão custa em média 30 dólares, ou seja, 90 reais. Os outros serviços, daí pra cima, alcançam fácil os três dígitos num dia de salão completo.

Estou há quase 3 meses aqui sem pisar num cabelereiro, então podem imaginar o estado das minhas unhas. Não só propriamente por não ir ao salão, mas sim por lavar toneladas de louças e roupas, fazer faxina em casa e cuidar do jardim. Depois de uma semana aqui, esqueci a ilusão de que manteria as unhas coloridas. Retirei eu mesma o esmalte Melancia cuidadosamente feito pela querida manicure brasileira, cortei as unhas curtinhas e me “americanizei”, aceitando aos poucos a ficar com mãos in natura. Não foi de todo mal, a gente se acostuma, mas é difícil se sentir totalmente bonita com os “cascos” à mostra semana após semana.

No dia que passei no teste de direção (sem nenhum errinho e nenhum warning do instrutor) me dei de presente um dia de cuidados. O salão se chama, sugestivamente, Happy Nails. O dono é vietnamita, assim como praticamente todos que trabalham lá. Me atendeu de forma muito simpática, me sentou em frente à uma mesa, tipo carteira escolar, e disse que já voltava. Imaginei que ele fosse chamar a moça que me atenderia. Não, ele voltou e sentou, pegando minhas mãos. Sim, ele era A MANICURE! Primeiro choque do dia. Leva alguns minutos pra você se acostumar com um homem acertando as suas cutículas, tirando perfeitamente bem por sinal, melhor do que muita manicure com anos de experiência no Brasil, limpando tudo com rapidez sem machucar um milímetro de pele. E ainda mais ainda discutindo com você qual cor de esmalte fica mais bonito com seu tom de pele. E não confundam-se, ele era homem sim, a esposa também trabalha no salão. Ele inclusive ficou feliz da vida quando descobriu meu nome (“isso não é nome de brasileira!”), que é exatamente o mesmo da filha dele de 12 anos.

Aliás, as mulheres do salão se dedicam a principalmente fazer os pés das clientes. Não tenho idéia do por que dessa divisão. Só reparei que eram vários homens “manicuros”. Homens barbados, jovens e de mais idade. Mas nenhum pedicuro. Mão finalizada, fui direcionada a uma das confortabilíssimas poltronas do fundo. Pense naquelas enormes poltronas reclináveis com massagem, que normalmente os avôs ou os tios têm. Era assim, e até controle remoto tinha. Logo em frente fica uma mini banheira com jatos direcionáveis onde colocamos os pés (e as pernas, que afundam na agua ate os joelhos). É um tratamento completo, com massagem, esfoliação, a unha em si é só no finalzinho, como se fosse um detalhe. Estava curtindo muito a minha hora de relaxamento, massagem e afins, quando a pedicure abre na sua maleta e retira a exfoliating tool. Sim. O segundo choque. Era um ralador de cozinha! Enorme, daqueles de ralar cenoura! Fiquei APAVORADA, será que meu pé estava tão cascão assim após esses meses? Não tive coragem de falar nada, e não sabia se olhava ou escondia o rosto, e já imaginei a banheira se tingindo de vermelho e nacos de carne do meu pezinho boiando naquela agua de luzes coloridas. As lixas brasileiras parecem seda comparadas ao ralador americano! Tentei suavemente retrair o pé, sabe quando você tenta (inutilmente) escapar do contato mais intenso? Mas a mocinha me olhou com aqueles olhinhos orientais e me disse muito séria “DON’T MOVE”, e então eu só entreguei meus pés. Orando. Verdade seja dita, apesar da apreensão, não perdi nenhum pedaço e ele ficou até que bem macio. Só não sei se conseguirei andar descalça novamente…

Não fiz cabelo ou sobrancelha, depois de tantas surprises eu já estava pronta pra ir, e também como vocês sabem, não posso atrasar um único minuto para buscar o Nico na escola. Estou pensando seriamente em aguentar mais um pouco e fazer o restante do “embelezamento” na próxima visita ao Brasil. Meu cabelo está incrivelmente melhor aqui em todo caso. Não sei se é o frio, o ar seco, a água, o fato é que ele está forte como nunca e os fios quase não caem mais. Está liso e bonito, e vai ter que aguentar mais sem aparar as pontas.

Sai do salão me sentindo toneladas mais leve, inclusive a carteira, mas não importa. A impressão ao olhar para unhas bem feitas é animadora, e nos deixa com uma sensação maravilhosa. Sei que não poderei fazer com a frequência que gostaria, mas talvez exatamente por isso valorize tanto esse cuidado agora. Depois farei um post sobre os produtos de beleza, esses sim bem mais acessíveis aqui do que no Brasil, e com opções infinitas para todos os gostos.

De volta! Com tempo reduzido, com amor multiplicado!

Ah, que saudades desse cantinho! Meu espaço de desabafar, contar, relatar, criar, vivenciar, imaginar… Nesses meses que passei distante, diversas vezes me perguntei: escrever para que? Hoje a noite me veio a resposta. E aqui estou.

Começo tirando as teias de aranhas e o pó acumulado, não só aqui do blog, mas também das minhas idéias. Passei 9 meses sendo mãe embarrigada, onde a criatividade era pouca, mas ao menos eu tinha tempo. De sobra. Não só tempo, como insônia. Com um certo esforço, os textos brotavam. Agora tampouco sou um às criativo (e além disso o tempo ocioso não existe mais) porém a tal inspiração bateu à porta. Não, isso é exagero meu. Digamos que ela passou do outro lado da rua, acenando de longe, mas ao menos deu as caras. Escrever só mesmo assim, quando um raio de inspiração cruza a mente. E sabe-se lá porque ele aparece, se por obra do destino, por capricho ou engano. Ou ainda porque eu gosto tanto, tanto, tanto de escrever, que mais hora menos hora até mesmo o mais intenso instinto de mãe dá lugar (ou ao menos um espaço) àquilo que a gente realmente é na essência.

Mas nada mais justo do que voltar a escrever contando um pouco do “motivo” do meu afastamento. Já são 3 meses de maternidade do menininho mais doce do mundo. Nicolas não é bonzinho, ele é bom. Uma criança calma, que gosta de passear, olhar, brincar. Adora a sua rotina. Com a Lorena, a rotina era inexistente. Ela fazia o que bem queria, se rendia ao sono em qualquer canto, qualquer horário. Nicolas gosta de dormir à mesma hora todas as noites. A única coisa que o faz chorar bravamente é impedi-lo de dormir quando tem sono. Gosta de escuro, aprecia adormecer no seu berço. Sozinho. Também gosta de ser ninado. Se sentir abraçado o acalma imediatamente. Ele tem um sorriso que ilumina. Sua risada não é linear, ele abre a boca para sorrir! E o sorriso mais lindo é aquele que ele dá ao acordar. Seus olhos são cinza escuros, às vezes castanhos, e de alguns ângulos, verdes. Parece comigo quando bebê. É impressionante ver uma vida começando assim. A cada manhã me surpreendo com ele. Ao mesmo tempo que o conheço tão completamente, que sei decifrar cada um de seus choros, que sei como ele está só de mirar seu rostinho, também tenho um mundo todo a desvendar com ele. Afinal, estamos só começando, são poucos meses de olho no olho. É um relacionamento ainda no início. É o princípio de uma união eterna. Mais uma. Quando lembro de antes d011 do 11 do 11, é como faltasse um pedaço. Como se eu tivesse vivido sempre à espera dessa peça, a que faltava para completar o meu pequeno (e tão gigante sentimentalmente!) quebra-cabeças maternal.

Nada me enche mais o coração do que ver meus dois pequenos juntos. A Lorena tem ciúmes durante o dia, mas não há uma só noite em que ela não se esgueire sorrateiramente para dormir na cama no quarto do irmão, ao lado do berço. Juntos. E também, ao mesmo tempo em que ela não tem paciência para reclamações e resmungos do Nico, quando ele se verte em lágrimas num choro verdadeiro, não raro ela chora junto. Não gosta de ver o irmão infeliz. Que a pureza desse amor possa perdurar por toda a vida dos dois. Chegará o dia onde só terão um ao outro. E que sejam unidos o bastante para sempre se apoiarem mutuamente. E eu só tenho a agradecer por ser mãe dessa dupla abençoada. Que Lorena e Nicolas continuem a se tornar cada dia mais o foco da  minha inspiração. Não só para escrever, mas para continuar vivendo e fazendo o bem. Por eles. Para eles.

Planejando uma criança

Não desejo ao meu bebê força, e sim saúde de ferro.

Não quero uma criança polida e séria, e sim um filho risonho e bem-educado.

Não quero que ele tenha a melhor profissão do mundo, e sim que alcance a realização pessoal naquilo que escolher fazer.

Não espero que ele tenha tudo o que quiser na vida, mas que queira bem tudo aquilo que tem.

Não pretendo criar um filho mimado, e sim muito amado.

Não quero um filho sempre limpo, quero uma criança que saiba se divertir e se sujar.

Não desejo a ele a maior nem a mais bonita casa, e sim que ele conheça o valor de um lar.

Não quero que meu filho seja o aluno que compreende todas as fórmulas matemáticas, e sim aquele capaz de entender as outras pessoas.

Não espero que ele seja lindo, e sim que traga beleza em todos os seus gestos.

Não quero que meu filho se rebele contra o mundo, mas que saiba manter a sua opinião.

Não quero ter um filho que mira sempre em frente, e sim uma criança que sabe olhar para as estrelas de vez em quando.

Não espero um filho com formigas nas calças, e sim uma criança ativa.

Não desejo um filho ambientalista, e sim que ele saiba da importância de se plantar uma árvore.

Não espero que ele viva sem chorar, mas que se lembre que sorrir é sempre o melhor remédio.

Não espero que ele chegue ao topo do mundo, mas que saiba subir em árvores.

Não espero que ele saiba as respostas à todas as perguntas, e sim que aprecie ler um bom livro.

Não quero que meu filho seja solitário, mas que quando necessário saiba ficar bem sozinho.

Não quero ter um filho que agrade a todos, mas uma criança que agrade a cada um no seu momento certo.

Não espero que ele salve o mundo, mas que seja capaz de amar os animais desde pequeno.

Não desejo que ele mova montanhas, mas que tenha persistência para chegar onde quiser.

Não espero que meu filho seja vegetariano,  e sim que saiba se alimentar bem.

Não quero um filho que fala demais, e sim uma criança que adora perguntar o porquê das coisas.

Não espero ter um filho bicho-do-mato, e sim uma criança que sabe conviver com a natureza e o verde.

Não desejo que ele tenha um físico impecável, e sim que adore praticar esportes.

Não espero que ele tenha uma turma enorme, mas sim bons amigos com quem contar.

Não desejo criar meu filho numa redoma, mas sim ensiná-lo como se proteger.

Não espero ter em casa um maratonista, mas sim um filho que sabe correr atrás dos seus objetivos.

Não quero ter um filho que me obedeça cegamente, e sim uma criança que sabe quais são seus limites.

Não espero um filho perfeito, e sim um menino feliz! Bem vindo meu bebê Nicolas!

Histórias de Nina IV

Era uma noite fantástica, calma, “com ninguém”, na Vila Nova… Ele decidiu sair para caminhar com ela, mas “com ninguém”. Ela gostou da temperatura, do clima de verão, desfrutava intensamente da brisa no seu rosto lindo. Mexia com quaisquer plantinhas que achava pela rua (mas ninguém mexeu com as plantas). Ela sorriu quando viu um gato correr por detrás de alguma coisa, que ninguém viu. Ela gostava muito de animais pequenos, e ele o pegou para que ela o acariciasse suavemente (mas ninguém sorriu, nem ninguém passou a mão no gatinho). Depois, ela escolheu aquele lugar lindo para provar um doce, na praça cheia de árvores. Naquele lugarzinho em especial, que sempre iam às quintas-feiras quando havia temperatura de verão e brisa, ela experimentou a iguaria como se fosse a primeira e a última vez, muito devagar, e o seu gesto foi inesquecível (mas ninguém escolheu um lugar nem experimentou nada, tampouco fez um gesto inesquecível). 

Foi também doce o retorno à casa. Ela tomou a mão dele, lançou aquele olhar cúmplice e terno que só ela conseguia dar, colocou os dedos no pescoço dele e susurrou alguma coisa que ninguém pôde ouvir, exceto por eles dois (mas ninguém tomou a sua mão, nem olhou para ele com olhar cúmplice ou sussurrou qualquer coisa). E assim foi que aconteceu numa deliciosa noite de verão roubada do inverno. Ele desfrutou muito o estar “com ninguém”, entretanto tão bem acompanhado. Dormiu tranquilo com ninguém, porém não se sentiu sozinho naquela noite em Vila Nova.

Histórias de Nina são pequenos textos de ficção sobre vida, amor e relacionamento. São pensamentos, que podem ou não ter a ver com a realidade. São necessariamente reais, mas não obrigatoriamente verdadeiros. Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou idéias é mera coincidência.

Pretinho vai, branquinho vem!

É difícil deixar ir algo que nos acompanhou pelos últimos 3 anos. Um “lugar” onde passamos ao menos duas horas diárias, às vezes mais. Onde escutamos música, damos risada e até choramos. Onde fiz a minha filha tantas vezes adormecer, numa idade onde ela só pegava no sono no movimento monótono das ruas. Um casulo onde podemos ser nós mesmos, onde pensamos na vida, e em muitas ocasiões o local de tomada de importantes decisões. Quem já não racionalizou diante de um problema: “preciso entrar no carro e pensar?” Ou então, impaciente com filhos ou pais estressados, disse: “no carro a gente conversa”.

O carro é nossa segunda casa. MEU carro (ainda é meu até sexta-feira) está maduro. Com 6 anos e 110 mil quilômetros bem vividos, tem um ou outro ralado e sua pintura escura, antes brilhante, hoje está mais para fosca (se bem que a poeira de mais de dois meses sem lavar tem muita culpa nisso). E como praticamente quase todo carro de mãe (ou pessoa não muito organizada, categoria bem comum na minha família), vive cheio de tralhas e baguncinhas. Claro que eu era bem mais cuidadosa quando não tinha filhos, lavava eu mesma o carro aos domingos, e cuidava para que não restasse um único resquício de sujeira no seu interior. Com a Lorena vieram as bolachas, as migalhas, as cascas de banana. Sem contar papéis de bala, suquinhos, sapatos de Barbie, ursos de pelúcia e circulares da escola. E torna-se um ciclo vicioso do Jaque.  Já que o carro está sujo, não faz mal deixar mais essa garrafinha aqui. Já que não lavo há um mês, e hoje parece que vai chover, não lavarei também. Já que amanhã a Lo vai pra escola, aproveito e deixo a mochila e os tênis jogados no banco de trás. Jaque desgraçado.

O bom é que, quando perco alguma coisa, já sei imediatamente onde encontrar. Em 90% das vezes está lá, mas incrivelmente já consegui perder coisas dentro do carro. Que nunca mais achei. Não me pergunte como, mas sumiram, entre bancos e aberturas de portas, todos os adesivos das lembrancinhas de uma festa da Lorena. Papéis com endereços e telefones. Um pé de meia. Carros são um universo próprio, e como todos eles, têm seus buracos negros também, que devoram nossas coisas.

Agora com um carro novinho é outra história. Regras militares. No mesmo dia que pego o carro, chegam meus 4 queridos filhotes. A Lorena vem das férias com o pai, e meus 3 enteados vêm passar as férias aqui com o Fernando. E a estréia do meu novo branquinho (carro de cor clara, bancos e interior também, mais um estímulo para mantê-lo sempre impecável) será numa viagem à praia, com toda a turma de bagunceiros. Vão passar fome até chegar no litoral, porque nem uma cenoura vão poder degustar no carro.

Será que eu consigo? Vai ser uma experiência sentimental deixar meu negrinho para trás, companheiro de tantas e inesquecíveis aventuras, sustos, amores. Mas ele cumpriu sua tarefa, sempre me levou onde precisei, e cabia em cada espacinho onde eu queria estacionar. Agora chega meu novo carro, e com ele se inicia uma nova história, literalmente, uma página em branco. Que ela seja preenchida com curvas de amor, aceleração de aventuras, com buzinas de crianças falando sem parar. E que as travas nas portas sejam usadas para cada bagunça que sequer pensar em entrar!

O dia do amor

Hoje é dia dos Namorados.  Dos amores que se encontraram, dos que estão juntos e dos que ainda se constroem. Namoro pode ser um caso rápido, pode ser aquela companhia duradoura, pode ser aquele amor fugaz e intenso. Namorados são aqueles jovens, juntos há meses, certos de que seu amor durará para sempre. Namorados também são aqueles com mais idade, já sem as expectativas floreadas da paixão, mas que permanecem unidos por incontáveis anos que os entrelaçaram e os fazem um só. Existem solteiros que são namorados, há pessoas casadas que são enamoradas de seus pares. É uma data comercial, cheia de expectativas de ganhos, mas que ao menos nos faz pensar no amor. E a tradição do nosso dia dos namorados começa (de que outra forma seria?) com uma história de amor.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia tido em homenagem à morte do bispo Valentim. Este homem lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras, acreditando que os solteiros eram melhores combatentes. Contrário a essa idéia, Valentim continuou celebrando casamentos  apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso, condenado à morte. Enquanto estava na prisão, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor, desejando-lhe força e votos de confiança. Enquanto aguardava o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “Seu Valentim”. Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte – 14 de fevereiro – tornou-se o dia de São Valentim na maioria dos países, onde se comemora o amor com troca de mensagens e presentes.

Aqui no Brasil se instituiu a data de 12 de junho por ser véspera do dia 13, quando se comemora o dia de Santo Antônio, santo casamenteiro. Conta a lenda que certo dia ele ajudou uma pobre moça a se casar. Ela não tinha dinheiro para apresentar como dote, a fim de que pudesse se unir ao pretendente. Então Santo Antonio disse-lhe que tivesse fé, e logo surgiram milagrosamente moedas de ouro, e a moça realizou o seu sonho. Santo Antonio é atualmente o santo mais popular do Brasil.

Verdadeiras ou não, as histórias sobre a data nada mais são do que inspiradoras justificativas para que se fale de amor. E mesmo que a data seja de fato comercial, que muitos façam críticas sobre o que se gasta em presentes, o importante é que passamos este dia (e muitos anteriores) focados em algo que transmite o bem. Num sentimento tão primoroso como o amor. Seja através de um valioso presente, ou de um simples beijo bem dado, o essencial é estar feliz. E tendo alguém ao lado para compartilhar, melhor ainda. 

Feliz dia dos namorados!

Mundo Azul

Até pouco tempo, meu mundo era totalmente dominado por uma cor: o rosa. Com todas as suas variáveis, desde o rosa-choque até o salmão, essa tonalidade ao mesmo tempo forte e opaca, e todas suas matizes encantadoras, sempre estiveram ao meu redor. Como criança, era minha cor favorita. Com a Lorena, o rosa se expandiu, mesclando-se com flores, com princesas, com roupas delicadas e infinitos lacinhos. Enfeitar uma menina é cobri-la de rosa, mesmo que não se use uma única peça de roupa dessa cor. As meninas são naturalmente rosadas, seu comportamento é delicado, e mesmo aventureiras, elas têm um que de pink em todas as suas atitudes.

Há um mês a situação mudou, com a descoberta que o pequeno que cresce em mim é menino. É azul. É soldadinho. É cheio de energia, não quer saber de primavera nem de botões de rosa. Quer carrinhos, aviões, bagunça. Eu me deparo com o desconhecido, pois não conheço nada dessa realidade. Esforço-me para aprender, mas ao entrar numa loja meu olhar ainda automaticamente se dirige às araras de vestidos e laçarotes. Estou treinando, e outro dia consegui achar lindo um macacão cinza em plush com estampa de esportes. (Será que é porque cinza é minha cor favorita em roupas atualmente?) Prefiro ser otimista, e acreditar que estou aos poucos me interessando pelo mundo dos meninos.

Amo ser mãe de uma menina, curto cada etapa da Lorena, adoro arrumá-la, seja para a escola ou uma festa, nos divertimos tanto juntas, seja num supermercado ou no cabelereiro, acordando e dormindo lado a lado. Sei que esse companheirismo todo se tem com ambos os filhos, mas creio que o laço se altera no decorrer da vida. O amor não, esse tenho certeza que não é influenciado por gênero nem sexo, até porque é fato certo que os meninos têm uma ligação especial com suas mães.  Porém a realidade é que mesmo na vida adulta da Lo nós duas continuaremos unidas. Vamos viajar juntas pelo mundo, escolheremos seu vestido de noiva. Enquanto isso o Nicolas estará “mochilando” em algum país da América Central e planejando casar de bermuda na praia.

Sei que estou muito feliz sendo mãe de uma menina.  Com certeza haveria dentro de mim um pontinha de frustração se não houvesse uma garotinha cor-de-rosa em casa. Porém agora também tenho a consciência de que só serei realmente completa desfrutando da sorte de ter um casal, podendo compartilhar dessa dupla realidade. Sorte é poder viver em dois mundos, tão próximos e tão distintos, e agradeço eternamente por ter a chance de conceber e criar uma menina e agora um menino.