O lado não tão brilhante

USA

O verão aponta no horizonte, o sol brilha quase todos os dias e o verde está por toda parte aqui em Midland. Passamos o final de semana cuidando do jardim. Temos um quintal pequeno porém um terreno grande, que a família que morava anteriormente na casa manteve com muitas floreiras (que não brotam mais), hortas hoje mortas, pedras pequenas sem fim e arvores coníferas que não são minhas favoritas. Eu curto árvores grandes, adoro estar cercada de verde, mas não sufocada por mato. Queremos um gramado para as crianças correrem, e espaço para ter um jardim com a nossa cara. Além disso, do último inverno ficou uma “pequena” lembrança: uma composição de 4 pinheiros arriados pelo peso da neve, se inclinando pesadamente contra a varanda. Aproveitando que o espírito do jardineiro motivado baixou em mim, decidimos fazer por conta própria. Compramos uma serra manual e tosamos os pinheiros de mais de quatro metros de altura. Trabalho pesado. Porém agora enxergamos ao longe, avistamos a cerca e até a luminosidade da casa ficou melhor. Sobraram uns cotocos impossíveis de tirar, e para solucionar isso e mudar o restante, chamamos uma empresa de paisagismo e manutenção de jardim. Mas eles só tem tempo para executar o serviço daqui a 3 semanas, dizem. Não adianta insistir. Virão quando puderem. E os serviços não são nada em conta. No Brasil estamos acostumados com produtos caros e serviços baratos. Já aqui é o inverso. Os produtos em geral são quase de graça, mas tudo que envolve mão de obra custa os olhos da cara. Ajuda doméstica, jardinagem,  manutenção, consertos, limpeza, todos esses serviços demandam uma pequena fortuna. Você acaba adepto do do it yourself. No fundo somos todos capazes, porém a vida mimada no Brasil nos tira essa confiança de fazer com as próprias mãos. É questão de retomar as rédeas e começar você mesmo, quando é possível. No caso do nosso jardim cortamos o que deu, mas para tirar meia tonelada de pedras (e onde coloca-las??) e outras arvores com mais de 10 ou 12 metros de altura, não existe outra opção a não ser contratar mão de obra especializada.

Todo esse prenúncio de gastos e trabalhos com o jardim me inspiraram a escrever hoje sobre o lado não tão perfeito da vida americana. Tenho certeza que muita gente ficará feliz em saber que nem tudo são flores aqui, e já adianto: nada são flores em parte alguma. A felicidade que você tem ao longo da vida está apenas dentro de você, e em nenhum outro lugar.

Já falei um pouco da casa, mas primeiro quero contar sobre o aspecto não tão legal da vida escolar. Na escola não tem portaria, não tem pessoas verificando entrada e saída, não tem nenhum portão ou tipo de controle do movimento dos alunos. O sinal bate, e todos (do kindergarten até o 5th grade) saem correndo. Alguns entram nos carros dos pais que estão esperando em frente, outros pegam suas bicicletas e alguns simplesmente caminham até suas casas, que podem ser ao lado da escola ou alguns quarteirões adiante. Para mim é preocupante uma criança sair da escola com qualquer pessoa e ninguém conferir se é mesmo pai ou parente. Porém analisando por outro lado, isso dá às crianças uma responsabilidade muito maior. Elas aprendem a cuidar de si mesmas desde cedo. A escola se isenta de qualquer responsabilidade da porta para fora. É uma forma de agir muito contrastante com a segurança extrema que temos nas escolas brasileiras, claro que motivada pela (falta de) segurança em geral no país. No começo eu estranhei bastante, mas com o tempo aprendemos a orientar corretamente as crianças a não falar com estranhos, a ir direto para casa e aprender como se virar no trânsito. Os próprios alunos fazem um trabalho voluntário de safety patrol  nas ruas próximas, ajudando os outros alunos a atravessarem as avenidas e cruzamentos. É uma forma distinta de educar, ensinando como agir ao invés de confinar. Nos passeios e field trips da escola também não existe autorização nem nada. As professoras fazem uma contagem, seu filho simplesmente sobe no ônibus escolar amarelo e vai. E você fica rezando para que volte bem! 🙂

O segundo porém: o playground do preschool fica literalmente a dez metros da rua e não tem uma cerca que separe os alunos do transito. É uma via calma e passam poucos carros fora do horário escolar, mas mesmo assim é uma rua. Crianças de 3 ou 4 anos podem facilmente sair atrás de uma borboleta ou bola e não ver onde estão indo. Não custaria nada ter uma divisória lá. Porém mais uma vez, a postura da escola é essa, de ensinar aos alunos a não irem até a rua. Não podem e não irão. E a verdade é que ninguém vai.

Terceiro e principal problema da escola (e de todo resto também, para mim é a principal coisa que incomoda no american way of life): a alimentação. Mando lunchbox de casa todos os dias, porque meus filhos se recusam a comer o almoço da escola. As opções servidas lá variam entre o ruim e o pior, flutuando entre nachos, pizza, pancakes e hamburgers. Lolo reclama até do cheiro. Para nós brasileiros que estávamos acostumados ao típico almoço de arroz, feijão, uma proteína e salada, comer essas coisas pode ser legal num começo, mas a longo prazo seu corpo não aguenta mais. E pra piorar meus filhos também não querem comer a comida feita em casa lá no refeitório, dizem que fica fria e que ninguém come isso também. Cheguei numa alternativa razoável com os dois, e que tem funcionado bem: mando para a escola um lanche reforçado. Por exemplo hoje Lolo levou cereal e leite, laranjas fatiadas, iogurte e iced tea e Nico levou sanduiche com geleia, morangos, cookies e suco de maçã. Fora esse almoço tem dois snacks na escola. Dessa forma aguentam o dia e assim que chegam da escola às 4pm comem comida de verdade em casa. O velho arroz e feijão que eu finalmente aprendi a fazer, e bem! Não é o ideal comer só a tarde, mas é o que temos.  No embalo da alimentação fica mais uma pequena critica: apesar de almoçarem na escola todos os dias, ninguém escova os dentes! As crianças passam de 8:30 a 4 da tarde lá, lancham e almoçam e ninguém leva escovas ou tem esse hábito. Não me conformo, já que é algo simples e que deveria ser inserido desde cedo na rotina infantil.

Outra questão de segurança que literalmente não entra na minha cabeça: você pode andar de moto nas rodovias, estradas, onde bem entender e não é obrigatório o uso do capacete. Você vê crianças e pais andando por aí de moto sem capacete algum. Enquanto isso até um toddler de triciclo usa capacete. Em bicicleta também todo mundo usa, até para ir na esquina. Realmente não da pra entender a lógica: se cair de bike a 20km por hora, você certamente vai quebrar a cabeça, por isso não esqueça o capacete, mas andando de moto a 100km por hora vá sentindo a brisa no rosto, relaxe…

Outra coisa que também normalmente não se imagina: cartões de crédito no Brasil são infinitamente mais seguros que aqui. O brasileiro atualmente usa senha e chip para tudo. Tudo duplamente seguro, até porque no Brasil não há outra alternativa. Aqui o chip praticamente não é usado e muita gente nem conhece. Os cartões são como aqueles antigos só de deslizar. Não se usa senha para nada. Os cartões de credito ainda são levados para os caixas dos restaurantes (não existe a maquininha portátil), e ninguém confere se você é o titular do cartão. Ainda se usa a velha assinatura na via do estabelecimento, mas ninguém checa se é a sua assinatura mesmo. É absurdamente menos confiável, mas acredito que seja um reflexo da honestidade que ainda existe por aqui. Funciona bem dentro dos EUA, mas ao viajar para fora você fica mais vulnerável a ter um cartão clonado ou alguém usando indevidamente o que é seu. Por falar em questões financeiras, o americano normalmente não dá 10% de serviço. Dá no mínimo 15 e o usual é dar 20% de gorjeta a garçons e afins para um serviço bem prestado. Pesa no bolso de quem paga, mas é excelente para quem trabalha e valoriza um bom atendimento. No cabelereiro, manicure, lava-rápido idem. Só não se dá gorjeta ao frentista porque aqui ele não existe, é você mesmo. Coisa que se aprende com facilidade, abastecer o próprio carro. Só não é nada divertido durante uma nevasca com temperaturas beirando os 20 graus negativos.

Esse último item “social” que vou descrever agora é mais uma questão de hábito e costumes de cada povo, mas que para mim causou bastante estranheza. Os americanos em geral  jantam cedo. Almoçam cedo. São pontuais e tem horários bem demarcados. Às 11:50am os restaurantes começam a ter gente, e a seis da tarde todo mundo está jantando. Nove da noite a cozinha dos restaurantes fecha, e perto das dez você provavelmente não encontra um único lugar aberto para comer na cidade a não ser fast food. Na casa das pessoas a pontualidade da visitas é extremamente importante. Se você é convidado para uma refeição, chegue no horário e ainda fique atento: vá embora no horário. Aqui um convite para almoçar, num sábado por exemplo, não é como no Brasil que se estende ao cafezinho, às crianças brincando, ao ultimo drink e muitas vezes emenda no jantar com os amigos passando o dia todo na nossa casa. Aqui você chega, come, agradece e se vai. E se você por acaso esquecer, não é raro o dono da casa encerrar a conversa, te entregar seus casacos e avisar que é hora de ir. Festa de crianças idem. Tem hora para começar e acabar. E não ouse atrasar e buscar seu filho meia hora depois do combinado, nem chegar antes para participar do parabéns. A festa é apenas para quem foi convidado, ou seja seu filho. Bem chocante para nós brasileiros, que amamos uma festa e uma bagunça. Nesse ponto é muito bom ter amigos brasileiros aqui também, do tipo que chegam na sua casa sem hora pra ir e que festejam da forma como nós gostamos de festejar.

São coisinhas essas que culturalmente nos diferem dos americanos, e ao mesmo tempo que são positivas em alguns aspectos, em outras nem tanto. Cabe a quem vem de fora se adaptar, e isso é o que eu tenho tentando nos últimos 16 meses, e procurado passar para as crianças também. Eles em muitas coisas já agem como americanos. Por exemplo quando Lolo vem com muitas formalidades ou tipo me fala que não precisa ir de casaco pra escola (12 graus lá fora – as crianças do Michigan simplesmente não tem frio) eu já vou chamando ela de “americaninha”. É uma brincadeira, mas que no fundo faz todo o sentido. Que ela nunca perca o jeito feliz e expansivo brasileiro, mas que possa ser lapidada com a educação e o amor ao próximo dos americanos.

 

 

 

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Disney Dream Cruise

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Muita gente me perguntou sobre o Disney Cruise que fizemos agora em maio, e por isso decidi fazer um post detalhando a viagem e as dicas desse cruzeiro tão bacana e diferente de todos outros que já fiz.

Vamos lá. Para começar esse foi meu quarto cruzeiro e o primeiro que fiz com crianças. Minha estréia num navio foi lá no século passado, em 1997, na Royal Caribbean. Não recordo muitos detalhes dessa viagem, eu era adolescente e fui com meus pais e irmãos, mas foi um roteiro bem parecido com o da Disney, teve Bahamas como destino e 3 noites a bordo saindo de Miami. Lembro do básico, jantar com capitão, piscina, lojas, águas claras do Caribe.

O segundo foi um cruzeiro de 2 semanas para a Patagônia em 2008, saindo de Santos e passando por Argentina, Uruguai e Chile. O navio era o Grand Voyager, e as paisagens que vi nessa trip foram inesquecíveis. Destino incrível, com destaque para Ushuaia e Canales Fueguinos. Muitos glaciares, animais marinhos e festas a bordo. 14 noites é um período bom para uma viagem se você dispõe de tempo de sobra, pois é suficiente para conhecer o navio a fundo, aproveitar cada canto dele e ainda fazer boas amizades. Você realmente se sente em casa e aproveita tudo.

O terceiro foi em 2009, no finado Costa Concordia, lembram-se dele? Aquele que está afundado na costa italiana depois de uma barbeiragem do capitão? Era um navio lindo e enorme, o maior do mundo naquela época. O cruzeiro foi curto também, 4 noites na costa brasileira, visitando Búzios, RJ e outros. Tinha um SPA fantástico e boa área de entretenimento, porém tudo estava sempre cheio.

Resumindo, foram 3 cruzeiros em 3 companhias marítimas diferentes. Para mim o que conta pontos numa viagem de navio são as paradas (portos a visitar), a estrutura de lazer e a alimentação. Nos 3 cruzeiros acima, nenhum tinha comida excepcional e apenas o segundo era all inclusive. Nos outros as bebidas eram pagas à parte. O Grand Voyager teve a vantagem de ser um cruzeiro menor (1200 pessoas ao contrario das mais de 3 mil nos outros) e de parar nos lugares mais fantásticos do extremo sul das Américas. Todos tinham piscinas pequenas, mas em compensação jacuzzis bem aquecidas. Levando em consideração todos os pontos acima, uma viagem proveitosa depende de uma combinação de fatores que façam sentido para a sua família e para aquilo que você procura. Mas uma coisa é fato: se você gosta de mar, você nunca vai se decepcionar com um cruzeiro. Podem existir fatores negativos ou opções que não te agradem totalmente, mas estar num deck alto ou na varanda do seu quarto (se você tiver a sorte de estar numa cabine com vista pro mar) e olhar a imensidão azul à sua frente, sem preocupações mundanas e sem tempo corrido, é um bálsamo de vida. Só isso faz todo o resto valer a pena.

Agora com filhos, tudo muda de perspectiva. Eu tinha a principio a ideia de não ir com eles a um cruzeiro. Tinha medo deles estarem com um monte de gente indo e vindo, dos vãos nas cercas do navio, da falta de entretenimento infantil e montes de ideias que as outras viagens “só pra adultos” me deixaram pré-concebidas na cabeça. Tinha a impressão que ir num navio com crianças seria apenas me preocupar com eles e não me divertir. Mas agora morando aqui nos Estados Unidos, a terra dos cruzeiros, comecei a  ler mais sobre o assunto e pesquisar as opções. Logo de cara quando me deparei com os Disney Cruises, a primeira coisa que chamou a atenção é que eles são mais caros que os outros. Sim, os preços são mais altos e comparativamente você pode cometer o erro de logo exclui-los das suas opções, se não for a fundo e descobrir o porquê disso.

disney dream

Os navios são novíssimos. São lavados todos os dias. Inteiros. Por dentro e por fora. No dia que passamos em Nassau, ao lado tinham outros 3 navios que pareciam antigas carcaças perto do Disney Dream. Marcas de ferrugem, decks descacando. O Dream foi construído em 2011 e se mantem impecável. Todo seu design lembra os navios antigos, tem um ar de Titanic por onde você passa. Mas aliados à esse ar de tradicional estão as mais modernas tecnologias, as cabines mais bem aproveitadas e o melhor serviço de bordo que eu já vi. Começando pelas reservas, que você faz no próprio site disneycruise.disney.go.com. Tudo lógico, fácil de entender, você escolhe exatamente a cabine onde vai ficar. Dias depois, chega um DVD na sua casa explicando seu cruzeiro e suas paradas. Também chegam as tags para as malas e um guia de embarque. Você entra no site e também reserva todos os passeio off board que te interessam. Inscreve seus filhos no Kids Club. Marca tratamentos no SPA. Agenda seu transfer e seu hotel antes ou depois do cruzeiro se necessário. E até programa uma ligação do Mickey ou Minnie para sua casa ou celular, onde ele conversa com seus filhos na véspera da viagem! Nem preciso dizer que os meus amaram receber essa ligação logo antes de viajar.

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Nosso porto de saída foi Port Canaveral, em Orlando. Viajamos aqui do Michigan para lá na véspera, essa é uma dica preciosa que deve ser seguida sempre. Se você não mora na cidade de embarque, não deixe para voar no dia do cruzeiro. São incontáveis as historias de pessoas que perderam a viagem inteira por atraso em voos. O navio não te espera. Ele parte pontualmente na hora marcada. Isso vale para o primeiro dia e todos os outros também. Nós passamos a noite no hotel do aeroporto e logo de manha pegamos um taxi para Port Canaveral. O transfer da Disney só compensa se você está sozinho ou em 2 pessoas, em mais passageiros um taxi fica bem mais em conta, na verdade saiu metade do valor do que sairia o transfer para nos 4, com a vantagem que parte na hora que você bem entende e sem precisar ir num ônibus cheio.

Chegando ao porto, é gritante a diferença da baderna e desorganização do porto de Santos no Brasil. Aqui você é recebido e já deixa as malas ao sair do carro, não tem que carregar nada. Já entra num prédio com ar condicionado, onde você é atendido por setores (raio x, check in, documentos e afins) com não mais que 3 ou 4 minutos de espera em cada um. Aí você vê a diferença de ter um padrão Disney na organização de todo embarque: todas as pessoas simpáticas, receptivas, personagens Disney para distrair as crianças. Logo após a ultima etapa, onde você ganha os cartões (que serão seus ID, chave do quarto e cartão de despesas nos próximos dias), você recebe um numero de grupo de embarque. E as pessoas são chamadas ao navio de acordo com o numero. O nosso era grupo 16, e quando saímos a fila estava no numero 12. Para já aproveitar, passamos na base do kids club montada no porto e já colocamos as pulseiras com sensor nas crianças. Tão lindas, que se você quiser pode levar pra casa pagando a bagatela de 12 dólares ou devolver no ultimo dia sem custo algum, que foi o que fizemos. Terminando isso já chamaram o 16, e então entramos! Não esperamos nem meia hora entre chegar no porto e entrar no navio, que diferença dos outros cruzeiros, onde 2 horas foi a media da espera. Para mim esse foi o primeiro fator que justificou o preço mais alto do cruzeiro: a eficiencia no atendimento e a quantidade de funcionários disponíveis para fazer tudo progressar rápido. Eram mais de 30 balcões de check-in abertos e mais de 100 pessoas trabalhando para que tudo se desenvolvesse sem demora. Uma foto linda logo na entrada do navio, uma caminhada pela passarela e pronto, estávamos dentro!

Welcome Rosén Lopez Family!!!” anunciaram assim que colocamos os pés no navio.  Todos grupos são recepcionados com um welcome personalizado. Uma horda de capitães e princesas davam as boas vindas para a alegria das crianças. Era quase meio dia, e os quartos só ficam disponíveis a 1:30 PM, então fomos almoçar. Escolhemos o Enchanted Garden para comer, e foi a escolha mais acertada. Ele fica no deck 2, e a maioria das pessoas chega no navio e vai comer nos decks 11 ou 12, nos buffets. Foi uma primeira refeição digna de banquete: camarões jumbo a vontade, patas de caranguejo, filet mignon preparado à perfeição, buffet de sorvete (detalhe: todos sorvetes servidos dentro dos restaurantes, inclusive esses à vontade, são Haagen Dazs). Esse foi o segundo fator que realmente justificou o preço mais alto do Disney Cruise em comparação aos outros: a comida é farta, impecável e de qualidade MUITO superior. Se para você comer bem é importante, não tem como escolher outra companhia.

Nosso quarto 9030 ficava no deck 9. Como fechamos o cruzeiro de última hora, não tinham muitas opções de quartos, mas foi a escolha acertada. Primeiramente pensei no deck 10 onde ainda tinham mais quartos disponíveis, porém ele fica logo abaixo do piso de lazer, então tem ruídos o dia todo. Também tem uma estrutura de metal tipo um beiral que “tampa” um pouco da visão do céu no deck 10, por isso se você for escolher cabine com varanda fique entre os decks 9, 8 ou até 7. Ficamos na parte da frente do navio, praticamente não sentimos o navio balançar, nem mesmo a noite. Ninguém teve enjoo ou desconforto nenhum. Um quarto com varanda é outro diferencial que despende um pouco mais de investimento financeiro em comparação às outras cabines (são 4 categorias: interna, janela externa que não abre, varanda e concierge), mas que vale cada centavo. Você ter sua área privada para olhar o mar, seja a tarde ou no meio da noite de pijamas, poder tomar um vinho vendo as estrelas, avistar arraias, tartarugas e ate tubarões, não tem preço. E aquele meu medo inicial, do perigo de criança caindo nos vãos do navio, foi totalmente infundado. Os vãos no Disney Cruise são recobertos com peças de acrílico, então não tem como uma criança passar nem se debruçar entre as barras. A segurança no navio é impecável, parece tudo feito à prova de crianças e para as crianças ao mesmo tempo.

O quarto tem uma cama de casal e um sofá, escrivaninha, frigobar, armário e espaço de sobra para guardar tudo. As malas e o carrinho fechado cabem embaixo da cama. O banheiro é dividido em dois espaços separados, um tem o vaso sanitário e uma pia e no outro fica o chuveiro e banheira e outra pia. Ou seja, todo mundo pode usar o que precisa mais facilmente sem uma única pessoa ocupar todo o banheiro. Super prático principalmente no fim do dia quando todos precisam se arrumar. À noite o camareiro vem e reorganiza o quarto, transforma o sofá numa cama e desce do teto a segunda cama, como se fosse um beliche com o sofá. O teto do quarto fica estrelado nessa parte, as crianças adoraram! Cada um tem sua luz de leitura, e uma cortina se fecha separando o espaço dos pais e filhos. O navio tem room service 24 horas, você pode pedir qualquer refeição no quarto sem custo algum (só paga a taxa de serviço e as bebidas se forem em lata ou alcóolicas, assim como também funciona no restante do navio). Uma dica legal é cada pessoa da família ter sua garrafinha de água, tipo aquelas esportivas, que podem ser enchidas nos decks de lazer a qualquer hora, assim você não precisa ficar comprando bebidas em lata ou garrafas de agua no quarto. Lá nessa estação de bebidas você escolhe entre sucos, refrigerantes, iced tea e agua. Também tem sorvete de máquina todo o dia (alegria das crianças) e snack bar com pizzas e lanches 24 horas. Fora os mimos doces que deixam no quarto durante o dia, com cartõezinhos delicados e mensagens de boa estadia. Fome você não vai passar, pelo contrário, se come demais e a todo tempo. Bem a noite, quando você acha que já se acabou de comer no jantar de 6 pratos, lá vem a ceia da meia noite com crepes e salgados maravilhosos! No último dia eu literalmente não consegui mais comer e meu breakfest foi só suco de laranja e uma fruta antes de sair no navio 🙂

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Voltando ao cruzeiro, no segundo dia paramos em Nassau. Escolhemos fazer um boat tour até a Blue Lagoon Island. Fomos conhecer um santuário de golfinhos, uma ilha onde eles vivem em seu habitat natural. Os golfinhos de lá são animais resgatados que vieram de parques e zoos aquáticos americanos que fecharam (alguns devido ao furacão Katrina e alguns também porque os parques tipo Sea World estão perdendo visitantes e deixando de funcionar). Os golfinhos interagem com as pessoas, nos dão beijos, e voltam a nadar pelo mar. Infelizmente não podem ser completamente soltos, a maioria deles já nasceu cativo, me partiu o coração, mas ao menos estão no oceano, convivendo com outros golfinhos, peixes e arraias, sentindo a maré e vivendo em seu habitat original, e não uma piscina de concreto. O lugar é realmente lindo, e a Lolo se apaixonou mais ainda pelos golfinhos. Era um sonho antigo dela ver eles de perto, e que eu pensava que não se realizaria pois me recuso a levar meus filhos ao Sea World e afins. Que todos os golfinhos em cativeiro possam ser, se não soltos, reabilitados assim um dia. Faça a sua parte, não visite parques com animais em cativeiro e expostos ao publico (se tem duvidas do porquê, assista ao documentário Blackfish).

Voltamos ao navio passando pelo centro feio de Nassau, bagunçado e desorganizado. Não vale a visita. Se você não for fazer passeio, nem desça do navio nessa parada. Aproveite que muita gente desce, e o navio fica vazio e tranquilo para expolora-lo a vontade. Essa tarde passamos na piscina e no Aquaduck, um enorme tobogã transparente que circunda o navio, super cool especialmente para as crianças. Se der deixe as crianças no kids club por um tempo (eles sempre vão querer!) e vá para a parte de lazer da frente do navio, que é adults only. Piscina mais tranquila, vista de tirar o folego, seviço de bar, drinks top e silêncio! Perfeito pra ver o fim de tarde e a partida do navio nesse segundo dia.

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Os horários de shows e jantar são um pouco limitantes, e se tem algo que eu não achei ideal foi isso. São 2 turnos de jantar: um as 6:30 e outro as 8:15. Nem pensei em pegar o primeiro, essa hora estávamos sempre na piscina ainda. O problema é que os shows Disney são inversos ao jantar. Entao quem janta primeiro vê o show depois, durante o segundo jantar, e quem janta no segundo turno teria que ver o show durante o primeiro jantar. Não vimos nem uma única noite. Não teria como estar de banho tomado e prontos as 6 pra ver um show, para nós curtir o outside era a prioridade. O ideal seria que os shows fossem após o jantar, nos dois casos. Mas nem tudo é perfeito, é questão de se adaptar e de fazer o que for possível. O jantar era cada noite num restaurante diferente, todos os dias um cardapio mais criativo que o outro, nessa noite o inesquecível foi o tartar de salmão e o ravióli de lagosta. São várias entradas, appetizers, pratos principais e sobremesas, e você pode escolher quantas opções de cada quiser. São pequenas porções, então você pode comer vários sem (tanta) culpa. O mais legal nos jantares era que por volta das 9, quando as crianças já estavam jantadas, os tios do Kids Club apareciam nos restaurantes e levam as crianças para lá, para que os pais pudessem curtir o restante da noite tranquilamente. Todo mundo ficava feliz, nós e eles. Numa noite comum o kids club fechava por volta das 11 da noite, mas em noites especiais ficava ate 1AM. Essa segunda noite era Pirates Night, e tivemos uma grande festa no ultimo deck, com DJ a céu aberto e um show de fireworks incrível sobre o mar! Pra ficar na memória pra sempre!

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Amanheceu lindamente o terceiro dia, e ao sair na varanda já nos deparamos com a bela Castaway Cay, a ilha particular da Disney. Linda, linda, linda. Logo após o café da manha descemos para a ilha. Mergulhamos (bonitinho mas nada excepcional, quem já fez mergulho em Punta Cana ou outros lugares do Caribe não vai achar nada de mais, mas para as crianças valeu), nadamos, tomamos sol e andamos de bicicleta pela ilha, um passeio que esse sim vale muito a pena! São trilhas no meio do mato e uma parte na pista do aeroporto da ilha. No meio do percurso tem um mirante com uma vista total, a imensidão verde, o azul do mar e o navio ao fundo. Cena de filme. Tudo bem cuidado, impecável, em cada esquina você ve os detalhes Disney. Até uma agência do correio tem, para quem quer mandar correspondência para qualquer lugar do mundo com o selo Castaway! Vale a pena reservar pela internet desde antes o pacote que inclui equipamento de mergulho, bóia e colchão flutuante e as bikes. Sai por um terço do preço de alugar direto na ilha, e você chega e já busca direto sem precisar pegar fila, cada um na hora que quiser. A ilha é super bem estruturada e organizada, e apesar do número de visitantes nada fica lotado. Cadeiras de sobra na praia, serviços de garçon (mojito delicia) e nada de fila no almoço (era um barbecue estilo americano, varias opções de salada e frutas) e um trenzinho que te leva de uma ponta a outra. No outro extremo da ilha fica uma parte adults only, onde quem vai sem filhos pode ficar sossegado. Acontece também na ilha uma corrida 5K Run, logo cedo, e que infelizmente eu não fui, mas deveria ter ido. Todo mundo que finalizar ganha medalha especial Disney.

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A tardinha voltamos para o navio, as crianças queriam ir no Kids Club de novo, então as deixamos lá. Para entrar a criança passa a pulseira por um sensor, que faz o check in. Na saída, só o pai ou a mãe ou alguém cadastrado podem retirar, passando seu cartão e a a pulseira da criança no sensor novamente, e ainda dizer uma senha previamente cadastrada para confirmar. Lá no kids tem vários ambientes, cada um inspirado em filmes como Star Wars, Toy Story, Rapunzel, além de um refeitório e lavadores automáticos de mão, um item bem curioso. Você só coloca a mão em dois buracos e a máquina faz todo o trabalho! Bom para as crianças preguiçosas como as minhas. Obrigatório lavar a mão ao entrar, tanto no Club quanto nos restaurantes, onde os funcionários entregam wipes na porta. Bem melhor que o álcool gel, que eu pessoalmente não gosto. Lá no Kids Club ficam crianças de 3 a 12 anos. Elas podem brincar nas atividades dos monitores, nas competições mais focadas na idade da Lolo (ela adorou e ganhou várias, recebendo prêmios bem legais como bonés e outros souvenirs Disney) ou jogar os games, desenhar, pintar. Se quiser ir embora antes, os funcionários mandam uma mensagem aos pais via telefone do quarto. Todos os quartos tem 2 telefones portáteis tipo celular que você leva com você durante o dia, e usa para se comunicar com quem quiser no navio. Mais uma comodidade incrível, já que os celulares não funcionam em alto mar. Nesse dia me chamaram antes, Nico queria ir pro quarto, então fui buscá-lo e ele estava tão cansado que dormiu 3 horas seguidas essa tarde. Para quem tem filhos menores, tem um berçário super fofo que cuida dos pequenos, mas é cobrado a parte. Para os adolescentes existe uma programação especial também, um espaço teen e tudo focado em muito agito, inclusive passeios fora do navio e uma parte da ilha só para eles. A estrutura do navio tem também um SPA de frente para o mar, com massagens de todos os tipos, saunas, tratamentos de beleza e relax. Chás de todas as ervas possíveis, infusões de aromas, tudo para você não querer sair de lá. Eu pelo menos não queria. Também tem salão de beleza tradicional, e para os pequenos, o Bibbidi Bobbidi Boutique, que é um mini salão que veste e transforma as meninas em princesas, sereias e afins, e os meninos em piratas ou super heróis. Lolo já não quis ir, com 9 anos ela não tem mais interesse nenhum em princesas, e Nico não tem paciência nenhuma para se produzir.

Como tudo que é bom dura pouco, nossa viagem chegou ao fim. Passamos esse último entardecer na varanda do quarto enquanto o Nico dormia, vendo a Castaway Cay ficar para trás. Esse cruzeiro é maravilhoso, mas deixa um gostinho de quero mais, 3 noites passaram voando. São tantas as atividades que quando você esta adaptado, já sabe onde ir, é hora de desembarcar. Mas vale cada minuto! Os cruzeiros Disney fazem EUA, Europa, Caribe e Alasca. Estou aqui quebrando a cabeça pra decidir qual será o próximo. Pode ser que eu viaje em outras companhias no futuro, que tente outro tipo de navio, mas enquanto tiver crianças indo comigo, com certeza a escolha vai ser Disney.

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No último dia acordamos cedo, já existe um restaurante designado para o last breakfest e horário cravado para sair do navio. É realmente acordar e partir. Se você quiser fazer compras nas lojinhas, não deixe para o último dia pois estará tudo fechado. Optamos por levar nós mesmos as malas, que eram pequenas, do que deixar na porta do quarto na noite antes. Assim também saímos mais rápido e depois de passar a imigração já deixamos o porto direto. Se o embarque foi rápido, o desembarque mais ainda. Na saída, varias opções de ônibus te levam ao estacionamento, a Orlando, ao aeroporto ou a locadora de veículos, que foi o nosso caso. Dali seguimos para Magic Kingdom, para finalizar uma viagem perfeita no parque perfeito. No fim do dia voltamos ao aeroporto e embarcamos, chegando em casa só a meia noite. Cansados, mas felizes por dentro. São tantos detalhes que mesmo com esse texto imenso eu certamente esqueci de mencionar muitas outras coisas e dicas, que vou acrescentando ao lembrar.

Mas importante mesmo foi ter vivido essa experiência com os meus filhos, e a principal dica é, se você tem a chance, não deixe de ir, não pense duas vezes. Dessa vida a gente só leva o que a gente fez e as pessoas com quem compartilhou. Viaje, viva!

 

 

 

 

 

Não são os 9 minutos…

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Hoje cheguei as 12:09 para pegar o Nico na escola. Abracei-o, e logo atrás a professora veio e me entregou um papel, dando good bye e fechando a porta. Abri e li. No papel, constava um aviso, um warning, sobre eu estar atrasada para buscar meu filho. Desta vez seria tolerado, mas da próxima seria enviada uma notificação com cobrança. Sim, vocês leram bem, eu não estava nem 10 minutos atrasada. Não foi meia hora, nem quinze minutos, foram 9 minutos! E o papel me alertava, por escrito, que da próxima vez seriam cobrados 1 dólar por cada minuto que eu me atrasasse, e a partir da segunda vez, 2 dólares por minuto… (!)

Depois de tanto elogiar a escola da Lolo, sabia que precisava contar do Nico. No caso dele, nada foi tão fácil. Estava esperando ter uma posição mais, digamos assim, consistente sobre gostar ou não da escola, antes de postar aqui no blog.

É uma escola particular, adepta à metodologia Montessoriana. Para quem não conhece, Montessori é um método educacional desenvolvido por Maria Montessori em meados de 1900, que ficou conhecido por sua eficiência no desenvolvimento prático da criança. A metodologia prioriza a individualidade, a contribuição social e o ser como parte de um todo. Os princípios são fundamentados nas atividades com objetos e brinquedos específicos, com foco no crescimento e na liberdade de cada um. Segundo Maria Montessori, o conhecimento está dentro de nós. Sua teoria é uma das mais conhecidas pelo mundo afora, e busca respeitar o tempo de cada criança em aprender e realizar tarefas. Tanto que as salas de aula tem crianças de idades variadas, e cada um segue seu ritmo.

Até aí ótimo, eu estudei em escola Montessoriana como criança também, e o respeito a cada indivíduo nos faz crescer de forma independente e inteligente. Mas hoje confesso que estou um pouco intrigada com a Montessori daqui. E a cobrança por minuto não foi o primeiro susto com a escola. A falta de flexibilidade esteve presente desde o começo. Logo no inicio das aulas, Nico estava muito assustado e estranhando tudo. Nem no primeiro dia permitiram que eu entrasse na sala com ele. Tem um aviso bem grande colado na porta: despeçam-se de seus filhos antes. Tipo, deixem as crianças sem olhar para trás. Nico chorou muito, não entendendo essa brusca separação. Muitas vezes tive que deixa-lo à força enquanto a professora o puxava para dentro da sala. As duas primeiras semanas foram tão difíceis para ele quanto para mim. Ele veio de uma escola brasileira onde as “tias” pegam no colo, beijam, ajudam, dão carinho e força para que os pequenos enfrentem o dia. Aqui a postura americana é extremamente fria, não há contato físico entre professoras e alunos. Nem o mínimo, nem um aperto de mão! E além disso, ele não entendia uma única palavra de inglês. Elas dizem good morning, sentam a criança numa mesa ou no tapetinho no chão, colocam a atividade na frente deles e se há choro, como no caso do Nico nos primeiros dias, esperam até que passe por conta própria. Eu fiquei chocada no inicio, e pensei seriamente se continuaria com isso.

Nico hoje em dia está adaptado, não chora mais, porém percebo claramente que ele não ama a escola como gostava da sua no Brasil, ou como a Lolo adora a Adams. Ele apenas se acostumou. E não sei se isso é bom ou ruim. É bom se acostumar a algo que não te faz feliz?? Ele vai à escola, mas ninguém lá se preocupa realmente como ele se SENTE. Vejo nesse método Montessori muita atenção ao desenvolvimento, à postura, mas quanto aos sentimentos da criança, esses são metodicamente deixados de lado.

Ao fim da primeira semana de aula, veio um recado para mim e para o Fernando. Precisávamos ensinar o Nico a colocar as roupas de neve, pois todas as crianças da turma (toddlers, 3 a 6 anos) já se vestiam sozinhas para ir brincar lá fora. E que as professoras não podem (ou não querem?) ajudar diariamente ele a se vestir. Por vestir a roupa de neve, entende-se colocar um macacão com suspensório, gorro, luvas e um casaco com zíper. Além de uma bota com fecho. Tudo por cima da roupa de uso diário. Nico não tem nem 3 anos e meio, é o caçula da classe, cresceu num país onde o que ele vestia se resumia a camisetas e crocs, e agora as professoras vêm na primeira semana de aula exigir que ele coloque sozinho toda a vestimenta de inverno? Segundo balde de água fria.

Como um método que alega ser precursor da individualidade da criança pode querer que o Nico, recém chegado a um país tão diferente, entre na “linha de montagem” exigida por eles? Hoje foi a terceira “cutucada”, e justamente por isso não renovamos ainda a matricula para o ano letivo que se inicia em setembro. Ele está na lista de espera para a Preschool da Adams, a mesma da Lolo. Menos teoria, mais calor humano. Porém como ele nasceu em novembro e só completa 4 anos após o inicio das aulas, ainda não sabemos se conseguirá vaga. Torcemos muito para que ele consiga. Porque para uma escola que alega ser a melhor de Midland, a Montessori está a anos luz de ter um cuidado individualizado com cada criança. Pode ser a melhor em metodologia, em estrutura e materiais, mas para meu filho e para mim, deixou a desejar até agora.

Minha enteada Fernanda estudou lá há dez anos, e coincidentemente, a professora era a mesma do Nicolas. Na época dela a escola era menor, as professoras mais jovens, e o Fernando não tem reclamação nenhuma sobre o tempo em que ela frequentou as aulas. Pode ser também que nós estejamos muito habituados à receptividade brasileira, ao carinho das professoras, e ao chegar aqui o abismo era maior que o esperado. Mas mesmo assim, algo para mim não encaixou direito. Nico agora está mais habituado, ele mesmo diz: “viu mamãe, hoje eu não chorei!” e me parte o coração cada vez que escuto isso. E vamos aguardando a resposta do Preschool.

Como prós da escola, para não falar apenas do lado negativo, eles têm uma parte muito focada em música e Nico já canta lindamente algumas english songs for kids. Também na Montessori as crianças fazem aulas extras de espanhol e mandarim, além do incentivo à leitura, tanto que Nico agora quer histórias todas as noites antes de dormir. A alimentação é nutritiva e variada, ao contrário das outras escolas. O legal é que, ao invés dos pais prepararem diariamente o lanche dos filhos, cada semana um pai ou mãe é responsável por trazer os snacks para a classe toda. E seguindo uma sugestão de cardápio saudável, com muitas frutas, leguminhos e biscoitos. Para beber, só leite ou água. A escola também conta com uma área externa bacana, com dois parquinhos, e para os dias mais frios tem uma gym class, toda adaptada para as crianças, com cubos e retângulos de espuma, onde eles constroem, montam e desmontam. Também tem salas com observatório para os pais, onde podemos acompanhar sem ser vistos algumas etapas das aulas. Em estrutura, nota 10.

Todo essa comparação de lado positivo versus lado negativo é o perfeito exemplo de como o supostamente melhor nem sempre se encaixa naquilo que buscamos para nós. Principalmente em se tratando de uma criança. Por isso termino esse post como uma frase da Maria Montessori, que capta a essência do que procuro para o Nico.

MARA-M~1