O lado não tão brilhante

USA

O verão aponta no horizonte, o sol brilha quase todos os dias e o verde está por toda parte aqui em Midland. Passamos o final de semana cuidando do jardim. Temos um quintal pequeno porém um terreno grande, que a família que morava anteriormente na casa manteve com muitas floreiras (que não brotam mais), hortas hoje mortas, pedras pequenas sem fim e arvores coníferas que não são minhas favoritas. Eu curto árvores grandes, adoro estar cercada de verde, mas não sufocada por mato. Queremos um gramado para as crianças correrem, e espaço para ter um jardim com a nossa cara. Além disso, do último inverno ficou uma “pequena” lembrança: uma composição de 4 pinheiros arriados pelo peso da neve, se inclinando pesadamente contra a varanda. Aproveitando que o espírito do jardineiro motivado baixou em mim, decidimos fazer por conta própria. Compramos uma serra manual e tosamos os pinheiros de mais de quatro metros de altura. Trabalho pesado. Porém agora enxergamos ao longe, avistamos a cerca e até a luminosidade da casa ficou melhor. Sobraram uns cotocos impossíveis de tirar, e para solucionar isso e mudar o restante, chamamos uma empresa de paisagismo e manutenção de jardim. Mas eles só tem tempo para executar o serviço daqui a 3 semanas, dizem. Não adianta insistir. Virão quando puderem. E os serviços não são nada em conta. No Brasil estamos acostumados com produtos caros e serviços baratos. Já aqui é o inverso. Os produtos em geral são quase de graça, mas tudo que envolve mão de obra custa os olhos da cara. Ajuda doméstica, jardinagem,  manutenção, consertos, limpeza, todos esses serviços demandam uma pequena fortuna. Você acaba adepto do do it yourself. No fundo somos todos capazes, porém a vida mimada no Brasil nos tira essa confiança de fazer com as próprias mãos. É questão de retomar as rédeas e começar você mesmo, quando é possível. No caso do nosso jardim cortamos o que deu, mas para tirar meia tonelada de pedras (e onde coloca-las??) e outras arvores com mais de 10 ou 12 metros de altura, não existe outra opção a não ser contratar mão de obra especializada.

Todo esse prenúncio de gastos e trabalhos com o jardim me inspiraram a escrever hoje sobre o lado não tão perfeito da vida americana. Tenho certeza que muita gente ficará feliz em saber que nem tudo são flores aqui, e já adianto: nada são flores em parte alguma. A felicidade que você tem ao longo da vida está apenas dentro de você, e em nenhum outro lugar.

Já falei um pouco da casa, mas primeiro quero contar sobre o aspecto não tão legal da vida escolar. Na escola não tem portaria, não tem pessoas verificando entrada e saída, não tem nenhum portão ou tipo de controle do movimento dos alunos. O sinal bate, e todos (do kindergarten até o 5th grade) saem correndo. Alguns entram nos carros dos pais que estão esperando em frente, outros pegam suas bicicletas e alguns simplesmente caminham até suas casas, que podem ser ao lado da escola ou alguns quarteirões adiante. Para mim é preocupante uma criança sair da escola com qualquer pessoa e ninguém conferir se é mesmo pai ou parente. Porém analisando por outro lado, isso dá às crianças uma responsabilidade muito maior. Elas aprendem a cuidar de si mesmas desde cedo. A escola se isenta de qualquer responsabilidade da porta para fora. É uma forma de agir muito contrastante com a segurança extrema que temos nas escolas brasileiras, claro que motivada pela (falta de) segurança em geral no país. No começo eu estranhei bastante, mas com o tempo aprendemos a orientar corretamente as crianças a não falar com estranhos, a ir direto para casa e aprender como se virar no trânsito. Os próprios alunos fazem um trabalho voluntário de safety patrol  nas ruas próximas, ajudando os outros alunos a atravessarem as avenidas e cruzamentos. É uma forma distinta de educar, ensinando como agir ao invés de confinar. Nos passeios e field trips da escola também não existe autorização nem nada. As professoras fazem uma contagem, seu filho simplesmente sobe no ônibus escolar amarelo e vai. E você fica rezando para que volte bem! 🙂

O segundo porém: o playground do preschool fica literalmente a dez metros da rua e não tem uma cerca que separe os alunos do transito. É uma via calma e passam poucos carros fora do horário escolar, mas mesmo assim é uma rua. Crianças de 3 ou 4 anos podem facilmente sair atrás de uma borboleta ou bola e não ver onde estão indo. Não custaria nada ter uma divisória lá. Porém mais uma vez, a postura da escola é essa, de ensinar aos alunos a não irem até a rua. Não podem e não irão. E a verdade é que ninguém vai.

Terceiro e principal problema da escola (e de todo resto também, para mim é a principal coisa que incomoda no american way of life): a alimentação. Mando lunchbox de casa todos os dias, porque meus filhos se recusam a comer o almoço da escola. As opções servidas lá variam entre o ruim e o pior, flutuando entre nachos, pizza, pancakes e hamburgers. Lolo reclama até do cheiro. Para nós brasileiros que estávamos acostumados ao típico almoço de arroz, feijão, uma proteína e salada, comer essas coisas pode ser legal num começo, mas a longo prazo seu corpo não aguenta mais. E pra piorar meus filhos também não querem comer a comida feita em casa lá no refeitório, dizem que fica fria e que ninguém come isso também. Cheguei numa alternativa razoável com os dois, e que tem funcionado bem: mando para a escola um lanche reforçado. Por exemplo hoje Lolo levou cereal e leite, laranjas fatiadas, iogurte e iced tea e Nico levou sanduiche com geleia, morangos, cookies e suco de maçã. Fora esse almoço tem dois snacks na escola. Dessa forma aguentam o dia e assim que chegam da escola às 4pm comem comida de verdade em casa. O velho arroz e feijão que eu finalmente aprendi a fazer, e bem! Não é o ideal comer só a tarde, mas é o que temos.  No embalo da alimentação fica mais uma pequena critica: apesar de almoçarem na escola todos os dias, ninguém escova os dentes! As crianças passam de 8:30 a 4 da tarde lá, lancham e almoçam e ninguém leva escovas ou tem esse hábito. Não me conformo, já que é algo simples e que deveria ser inserido desde cedo na rotina infantil.

Outra questão de segurança que literalmente não entra na minha cabeça: você pode andar de moto nas rodovias, estradas, onde bem entender e não é obrigatório o uso do capacete. Você vê crianças e pais andando por aí de moto sem capacete algum. Enquanto isso até um toddler de triciclo usa capacete. Em bicicleta também todo mundo usa, até para ir na esquina. Realmente não da pra entender a lógica: se cair de bike a 20km por hora, você certamente vai quebrar a cabeça, por isso não esqueça o capacete, mas andando de moto a 100km por hora vá sentindo a brisa no rosto, relaxe…

Outra coisa que também normalmente não se imagina: cartões de crédito no Brasil são infinitamente mais seguros que aqui. O brasileiro atualmente usa senha e chip para tudo. Tudo duplamente seguro, até porque no Brasil não há outra alternativa. Aqui o chip praticamente não é usado e muita gente nem conhece. Os cartões são como aqueles antigos só de deslizar. Não se usa senha para nada. Os cartões de credito ainda são levados para os caixas dos restaurantes (não existe a maquininha portátil), e ninguém confere se você é o titular do cartão. Ainda se usa a velha assinatura na via do estabelecimento, mas ninguém checa se é a sua assinatura mesmo. É absurdamente menos confiável, mas acredito que seja um reflexo da honestidade que ainda existe por aqui. Funciona bem dentro dos EUA, mas ao viajar para fora você fica mais vulnerável a ter um cartão clonado ou alguém usando indevidamente o que é seu. Por falar em questões financeiras, o americano normalmente não dá 10% de serviço. Dá no mínimo 15 e o usual é dar 20% de gorjeta a garçons e afins para um serviço bem prestado. Pesa no bolso de quem paga, mas é excelente para quem trabalha e valoriza um bom atendimento. No cabelereiro, manicure, lava-rápido idem. Só não se dá gorjeta ao frentista porque aqui ele não existe, é você mesmo. Coisa que se aprende com facilidade, abastecer o próprio carro. Só não é nada divertido durante uma nevasca com temperaturas beirando os 20 graus negativos.

Esse último item “social” que vou descrever agora é mais uma questão de hábito e costumes de cada povo, mas que para mim causou bastante estranheza. Os americanos em geral  jantam cedo. Almoçam cedo. São pontuais e tem horários bem demarcados. Às 11:50am os restaurantes começam a ter gente, e a seis da tarde todo mundo está jantando. Nove da noite a cozinha dos restaurantes fecha, e perto das dez você provavelmente não encontra um único lugar aberto para comer na cidade a não ser fast food. Na casa das pessoas a pontualidade da visitas é extremamente importante. Se você é convidado para uma refeição, chegue no horário e ainda fique atento: vá embora no horário. Aqui um convite para almoçar, num sábado por exemplo, não é como no Brasil que se estende ao cafezinho, às crianças brincando, ao ultimo drink e muitas vezes emenda no jantar com os amigos passando o dia todo na nossa casa. Aqui você chega, come, agradece e se vai. E se você por acaso esquecer, não é raro o dono da casa encerrar a conversa, te entregar seus casacos e avisar que é hora de ir. Festa de crianças idem. Tem hora para começar e acabar. E não ouse atrasar e buscar seu filho meia hora depois do combinado, nem chegar antes para participar do parabéns. A festa é apenas para quem foi convidado, ou seja seu filho. Bem chocante para nós brasileiros, que amamos uma festa e uma bagunça. Nesse ponto é muito bom ter amigos brasileiros aqui também, do tipo que chegam na sua casa sem hora pra ir e que festejam da forma como nós gostamos de festejar.

São coisinhas essas que culturalmente nos diferem dos americanos, e ao mesmo tempo que são positivas em alguns aspectos, em outras nem tanto. Cabe a quem vem de fora se adaptar, e isso é o que eu tenho tentando nos últimos 16 meses, e procurado passar para as crianças também. Eles em muitas coisas já agem como americanos. Por exemplo quando Lolo vem com muitas formalidades ou tipo me fala que não precisa ir de casaco pra escola (12 graus lá fora – as crianças do Michigan simplesmente não tem frio) eu já vou chamando ela de “americaninha”. É uma brincadeira, mas que no fundo faz todo o sentido. Que ela nunca perca o jeito feliz e expansivo brasileiro, mas que possa ser lapidada com a educação e o amor ao próximo dos americanos.

 

 

 

Disney Dream Cruise

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Muita gente me perguntou sobre o Disney Cruise que fizemos agora em maio, e por isso decidi fazer um post detalhando a viagem e as dicas desse cruzeiro tão bacana e diferente de todos outros que já fiz.

Vamos lá. Para começar esse foi meu quarto cruzeiro e o primeiro que fiz com crianças. Minha estréia num navio foi lá no século passado, em 1997, na Royal Caribbean. Não recordo muitos detalhes dessa viagem, eu era adolescente e fui com meus pais e irmãos, mas foi um roteiro bem parecido com o da Disney, teve Bahamas como destino e 3 noites a bordo saindo de Miami. Lembro do básico, jantar com capitão, piscina, lojas, águas claras do Caribe.

O segundo foi um cruzeiro de 2 semanas para a Patagônia em 2008, saindo de Santos e passando por Argentina, Uruguai e Chile. O navio era o Grand Voyager, e as paisagens que vi nessa trip foram inesquecíveis. Destino incrível, com destaque para Ushuaia e Canales Fueguinos. Muitos glaciares, animais marinhos e festas a bordo. 14 noites é um período bom para uma viagem se você dispõe de tempo de sobra, pois é suficiente para conhecer o navio a fundo, aproveitar cada canto dele e ainda fazer boas amizades. Você realmente se sente em casa e aproveita tudo.

O terceiro foi em 2009, no finado Costa Concordia, lembram-se dele? Aquele que está afundado na costa italiana depois de uma barbeiragem do capitão? Era um navio lindo e enorme, o maior do mundo naquela época. O cruzeiro foi curto também, 4 noites na costa brasileira, visitando Búzios, RJ e outros. Tinha um SPA fantástico e boa área de entretenimento, porém tudo estava sempre cheio.

Resumindo, foram 3 cruzeiros em 3 companhias marítimas diferentes. Para mim o que conta pontos numa viagem de navio são as paradas (portos a visitar), a estrutura de lazer e a alimentação. Nos 3 cruzeiros acima, nenhum tinha comida excepcional e apenas o segundo era all inclusive. Nos outros as bebidas eram pagas à parte. O Grand Voyager teve a vantagem de ser um cruzeiro menor (1200 pessoas ao contrario das mais de 3 mil nos outros) e de parar nos lugares mais fantásticos do extremo sul das Américas. Todos tinham piscinas pequenas, mas em compensação jacuzzis bem aquecidas. Levando em consideração todos os pontos acima, uma viagem proveitosa depende de uma combinação de fatores que façam sentido para a sua família e para aquilo que você procura. Mas uma coisa é fato: se você gosta de mar, você nunca vai se decepcionar com um cruzeiro. Podem existir fatores negativos ou opções que não te agradem totalmente, mas estar num deck alto ou na varanda do seu quarto (se você tiver a sorte de estar numa cabine com vista pro mar) e olhar a imensidão azul à sua frente, sem preocupações mundanas e sem tempo corrido, é um bálsamo de vida. Só isso faz todo o resto valer a pena.

Agora com filhos, tudo muda de perspectiva. Eu tinha a principio a ideia de não ir com eles a um cruzeiro. Tinha medo deles estarem com um monte de gente indo e vindo, dos vãos nas cercas do navio, da falta de entretenimento infantil e montes de ideias que as outras viagens “só pra adultos” me deixaram pré-concebidas na cabeça. Tinha a impressão que ir num navio com crianças seria apenas me preocupar com eles e não me divertir. Mas agora morando aqui nos Estados Unidos, a terra dos cruzeiros, comecei a  ler mais sobre o assunto e pesquisar as opções. Logo de cara quando me deparei com os Disney Cruises, a primeira coisa que chamou a atenção é que eles são mais caros que os outros. Sim, os preços são mais altos e comparativamente você pode cometer o erro de logo exclui-los das suas opções, se não for a fundo e descobrir o porquê disso.

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Os navios são novíssimos. São lavados todos os dias. Inteiros. Por dentro e por fora. No dia que passamos em Nassau, ao lado tinham outros 3 navios que pareciam antigas carcaças perto do Disney Dream. Marcas de ferrugem, decks descacando. O Dream foi construído em 2011 e se mantem impecável. Todo seu design lembra os navios antigos, tem um ar de Titanic por onde você passa. Mas aliados à esse ar de tradicional estão as mais modernas tecnologias, as cabines mais bem aproveitadas e o melhor serviço de bordo que eu já vi. Começando pelas reservas, que você faz no próprio site disneycruise.disney.go.com. Tudo lógico, fácil de entender, você escolhe exatamente a cabine onde vai ficar. Dias depois, chega um DVD na sua casa explicando seu cruzeiro e suas paradas. Também chegam as tags para as malas e um guia de embarque. Você entra no site e também reserva todos os passeio off board que te interessam. Inscreve seus filhos no Kids Club. Marca tratamentos no SPA. Agenda seu transfer e seu hotel antes ou depois do cruzeiro se necessário. E até programa uma ligação do Mickey ou Minnie para sua casa ou celular, onde ele conversa com seus filhos na véspera da viagem! Nem preciso dizer que os meus amaram receber essa ligação logo antes de viajar.

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Nosso porto de saída foi Port Canaveral, em Orlando. Viajamos aqui do Michigan para lá na véspera, essa é uma dica preciosa que deve ser seguida sempre. Se você não mora na cidade de embarque, não deixe para voar no dia do cruzeiro. São incontáveis as historias de pessoas que perderam a viagem inteira por atraso em voos. O navio não te espera. Ele parte pontualmente na hora marcada. Isso vale para o primeiro dia e todos os outros também. Nós passamos a noite no hotel do aeroporto e logo de manha pegamos um taxi para Port Canaveral. O transfer da Disney só compensa se você está sozinho ou em 2 pessoas, em mais passageiros um taxi fica bem mais em conta, na verdade saiu metade do valor do que sairia o transfer para nos 4, com a vantagem que parte na hora que você bem entende e sem precisar ir num ônibus cheio.

Chegando ao porto, é gritante a diferença da baderna e desorganização do porto de Santos no Brasil. Aqui você é recebido e já deixa as malas ao sair do carro, não tem que carregar nada. Já entra num prédio com ar condicionado, onde você é atendido por setores (raio x, check in, documentos e afins) com não mais que 3 ou 4 minutos de espera em cada um. Aí você vê a diferença de ter um padrão Disney na organização de todo embarque: todas as pessoas simpáticas, receptivas, personagens Disney para distrair as crianças. Logo após a ultima etapa, onde você ganha os cartões (que serão seus ID, chave do quarto e cartão de despesas nos próximos dias), você recebe um numero de grupo de embarque. E as pessoas são chamadas ao navio de acordo com o numero. O nosso era grupo 16, e quando saímos a fila estava no numero 12. Para já aproveitar, passamos na base do kids club montada no porto e já colocamos as pulseiras com sensor nas crianças. Tão lindas, que se você quiser pode levar pra casa pagando a bagatela de 12 dólares ou devolver no ultimo dia sem custo algum, que foi o que fizemos. Terminando isso já chamaram o 16, e então entramos! Não esperamos nem meia hora entre chegar no porto e entrar no navio, que diferença dos outros cruzeiros, onde 2 horas foi a media da espera. Para mim esse foi o primeiro fator que justificou o preço mais alto do cruzeiro: a eficiencia no atendimento e a quantidade de funcionários disponíveis para fazer tudo progressar rápido. Eram mais de 30 balcões de check-in abertos e mais de 100 pessoas trabalhando para que tudo se desenvolvesse sem demora. Uma foto linda logo na entrada do navio, uma caminhada pela passarela e pronto, estávamos dentro!

Welcome Rosén Lopez Family!!!” anunciaram assim que colocamos os pés no navio.  Todos grupos são recepcionados com um welcome personalizado. Uma horda de capitães e princesas davam as boas vindas para a alegria das crianças. Era quase meio dia, e os quartos só ficam disponíveis a 1:30 PM, então fomos almoçar. Escolhemos o Enchanted Garden para comer, e foi a escolha mais acertada. Ele fica no deck 2, e a maioria das pessoas chega no navio e vai comer nos decks 11 ou 12, nos buffets. Foi uma primeira refeição digna de banquete: camarões jumbo a vontade, patas de caranguejo, filet mignon preparado à perfeição, buffet de sorvete (detalhe: todos sorvetes servidos dentro dos restaurantes, inclusive esses à vontade, são Haagen Dazs). Esse foi o segundo fator que realmente justificou o preço mais alto do Disney Cruise em comparação aos outros: a comida é farta, impecável e de qualidade MUITO superior. Se para você comer bem é importante, não tem como escolher outra companhia.

Nosso quarto 9030 ficava no deck 9. Como fechamos o cruzeiro de última hora, não tinham muitas opções de quartos, mas foi a escolha acertada. Primeiramente pensei no deck 10 onde ainda tinham mais quartos disponíveis, porém ele fica logo abaixo do piso de lazer, então tem ruídos o dia todo. Também tem uma estrutura de metal tipo um beiral que “tampa” um pouco da visão do céu no deck 10, por isso se você for escolher cabine com varanda fique entre os decks 9, 8 ou até 7. Ficamos na parte da frente do navio, praticamente não sentimos o navio balançar, nem mesmo a noite. Ninguém teve enjoo ou desconforto nenhum. Um quarto com varanda é outro diferencial que despende um pouco mais de investimento financeiro em comparação às outras cabines (são 4 categorias: interna, janela externa que não abre, varanda e concierge), mas que vale cada centavo. Você ter sua área privada para olhar o mar, seja a tarde ou no meio da noite de pijamas, poder tomar um vinho vendo as estrelas, avistar arraias, tartarugas e ate tubarões, não tem preço. E aquele meu medo inicial, do perigo de criança caindo nos vãos do navio, foi totalmente infundado. Os vãos no Disney Cruise são recobertos com peças de acrílico, então não tem como uma criança passar nem se debruçar entre as barras. A segurança no navio é impecável, parece tudo feito à prova de crianças e para as crianças ao mesmo tempo.

O quarto tem uma cama de casal e um sofá, escrivaninha, frigobar, armário e espaço de sobra para guardar tudo. As malas e o carrinho fechado cabem embaixo da cama. O banheiro é dividido em dois espaços separados, um tem o vaso sanitário e uma pia e no outro fica o chuveiro e banheira e outra pia. Ou seja, todo mundo pode usar o que precisa mais facilmente sem uma única pessoa ocupar todo o banheiro. Super prático principalmente no fim do dia quando todos precisam se arrumar. À noite o camareiro vem e reorganiza o quarto, transforma o sofá numa cama e desce do teto a segunda cama, como se fosse um beliche com o sofá. O teto do quarto fica estrelado nessa parte, as crianças adoraram! Cada um tem sua luz de leitura, e uma cortina se fecha separando o espaço dos pais e filhos. O navio tem room service 24 horas, você pode pedir qualquer refeição no quarto sem custo algum (só paga a taxa de serviço e as bebidas se forem em lata ou alcóolicas, assim como também funciona no restante do navio). Uma dica legal é cada pessoa da família ter sua garrafinha de água, tipo aquelas esportivas, que podem ser enchidas nos decks de lazer a qualquer hora, assim você não precisa ficar comprando bebidas em lata ou garrafas de agua no quarto. Lá nessa estação de bebidas você escolhe entre sucos, refrigerantes, iced tea e agua. Também tem sorvete de máquina todo o dia (alegria das crianças) e snack bar com pizzas e lanches 24 horas. Fora os mimos doces que deixam no quarto durante o dia, com cartõezinhos delicados e mensagens de boa estadia. Fome você não vai passar, pelo contrário, se come demais e a todo tempo. Bem a noite, quando você acha que já se acabou de comer no jantar de 6 pratos, lá vem a ceia da meia noite com crepes e salgados maravilhosos! No último dia eu literalmente não consegui mais comer e meu breakfest foi só suco de laranja e uma fruta antes de sair no navio 🙂

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Voltando ao cruzeiro, no segundo dia paramos em Nassau. Escolhemos fazer um boat tour até a Blue Lagoon Island. Fomos conhecer um santuário de golfinhos, uma ilha onde eles vivem em seu habitat natural. Os golfinhos de lá são animais resgatados que vieram de parques e zoos aquáticos americanos que fecharam (alguns devido ao furacão Katrina e alguns também porque os parques tipo Sea World estão perdendo visitantes e deixando de funcionar). Os golfinhos interagem com as pessoas, nos dão beijos, e voltam a nadar pelo mar. Infelizmente não podem ser completamente soltos, a maioria deles já nasceu cativo, me partiu o coração, mas ao menos estão no oceano, convivendo com outros golfinhos, peixes e arraias, sentindo a maré e vivendo em seu habitat original, e não uma piscina de concreto. O lugar é realmente lindo, e a Lolo se apaixonou mais ainda pelos golfinhos. Era um sonho antigo dela ver eles de perto, e que eu pensava que não se realizaria pois me recuso a levar meus filhos ao Sea World e afins. Que todos os golfinhos em cativeiro possam ser, se não soltos, reabilitados assim um dia. Faça a sua parte, não visite parques com animais em cativeiro e expostos ao publico (se tem duvidas do porquê, assista ao documentário Blackfish).

Voltamos ao navio passando pelo centro feio de Nassau, bagunçado e desorganizado. Não vale a visita. Se você não for fazer passeio, nem desça do navio nessa parada. Aproveite que muita gente desce, e o navio fica vazio e tranquilo para expolora-lo a vontade. Essa tarde passamos na piscina e no Aquaduck, um enorme tobogã transparente que circunda o navio, super cool especialmente para as crianças. Se der deixe as crianças no kids club por um tempo (eles sempre vão querer!) e vá para a parte de lazer da frente do navio, que é adults only. Piscina mais tranquila, vista de tirar o folego, seviço de bar, drinks top e silêncio! Perfeito pra ver o fim de tarde e a partida do navio nesse segundo dia.

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Os horários de shows e jantar são um pouco limitantes, e se tem algo que eu não achei ideal foi isso. São 2 turnos de jantar: um as 6:30 e outro as 8:15. Nem pensei em pegar o primeiro, essa hora estávamos sempre na piscina ainda. O problema é que os shows Disney são inversos ao jantar. Entao quem janta primeiro vê o show depois, durante o segundo jantar, e quem janta no segundo turno teria que ver o show durante o primeiro jantar. Não vimos nem uma única noite. Não teria como estar de banho tomado e prontos as 6 pra ver um show, para nós curtir o outside era a prioridade. O ideal seria que os shows fossem após o jantar, nos dois casos. Mas nem tudo é perfeito, é questão de se adaptar e de fazer o que for possível. O jantar era cada noite num restaurante diferente, todos os dias um cardapio mais criativo que o outro, nessa noite o inesquecível foi o tartar de salmão e o ravióli de lagosta. São várias entradas, appetizers, pratos principais e sobremesas, e você pode escolher quantas opções de cada quiser. São pequenas porções, então você pode comer vários sem (tanta) culpa. O mais legal nos jantares era que por volta das 9, quando as crianças já estavam jantadas, os tios do Kids Club apareciam nos restaurantes e levam as crianças para lá, para que os pais pudessem curtir o restante da noite tranquilamente. Todo mundo ficava feliz, nós e eles. Numa noite comum o kids club fechava por volta das 11 da noite, mas em noites especiais ficava ate 1AM. Essa segunda noite era Pirates Night, e tivemos uma grande festa no ultimo deck, com DJ a céu aberto e um show de fireworks incrível sobre o mar! Pra ficar na memória pra sempre!

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Amanheceu lindamente o terceiro dia, e ao sair na varanda já nos deparamos com a bela Castaway Cay, a ilha particular da Disney. Linda, linda, linda. Logo após o café da manha descemos para a ilha. Mergulhamos (bonitinho mas nada excepcional, quem já fez mergulho em Punta Cana ou outros lugares do Caribe não vai achar nada de mais, mas para as crianças valeu), nadamos, tomamos sol e andamos de bicicleta pela ilha, um passeio que esse sim vale muito a pena! São trilhas no meio do mato e uma parte na pista do aeroporto da ilha. No meio do percurso tem um mirante com uma vista total, a imensidão verde, o azul do mar e o navio ao fundo. Cena de filme. Tudo bem cuidado, impecável, em cada esquina você ve os detalhes Disney. Até uma agência do correio tem, para quem quer mandar correspondência para qualquer lugar do mundo com o selo Castaway! Vale a pena reservar pela internet desde antes o pacote que inclui equipamento de mergulho, bóia e colchão flutuante e as bikes. Sai por um terço do preço de alugar direto na ilha, e você chega e já busca direto sem precisar pegar fila, cada um na hora que quiser. A ilha é super bem estruturada e organizada, e apesar do número de visitantes nada fica lotado. Cadeiras de sobra na praia, serviços de garçon (mojito delicia) e nada de fila no almoço (era um barbecue estilo americano, varias opções de salada e frutas) e um trenzinho que te leva de uma ponta a outra. No outro extremo da ilha fica uma parte adults only, onde quem vai sem filhos pode ficar sossegado. Acontece também na ilha uma corrida 5K Run, logo cedo, e que infelizmente eu não fui, mas deveria ter ido. Todo mundo que finalizar ganha medalha especial Disney.

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A tardinha voltamos para o navio, as crianças queriam ir no Kids Club de novo, então as deixamos lá. Para entrar a criança passa a pulseira por um sensor, que faz o check in. Na saída, só o pai ou a mãe ou alguém cadastrado podem retirar, passando seu cartão e a a pulseira da criança no sensor novamente, e ainda dizer uma senha previamente cadastrada para confirmar. Lá no kids tem vários ambientes, cada um inspirado em filmes como Star Wars, Toy Story, Rapunzel, além de um refeitório e lavadores automáticos de mão, um item bem curioso. Você só coloca a mão em dois buracos e a máquina faz todo o trabalho! Bom para as crianças preguiçosas como as minhas. Obrigatório lavar a mão ao entrar, tanto no Club quanto nos restaurantes, onde os funcionários entregam wipes na porta. Bem melhor que o álcool gel, que eu pessoalmente não gosto. Lá no Kids Club ficam crianças de 3 a 12 anos. Elas podem brincar nas atividades dos monitores, nas competições mais focadas na idade da Lolo (ela adorou e ganhou várias, recebendo prêmios bem legais como bonés e outros souvenirs Disney) ou jogar os games, desenhar, pintar. Se quiser ir embora antes, os funcionários mandam uma mensagem aos pais via telefone do quarto. Todos os quartos tem 2 telefones portáteis tipo celular que você leva com você durante o dia, e usa para se comunicar com quem quiser no navio. Mais uma comodidade incrível, já que os celulares não funcionam em alto mar. Nesse dia me chamaram antes, Nico queria ir pro quarto, então fui buscá-lo e ele estava tão cansado que dormiu 3 horas seguidas essa tarde. Para quem tem filhos menores, tem um berçário super fofo que cuida dos pequenos, mas é cobrado a parte. Para os adolescentes existe uma programação especial também, um espaço teen e tudo focado em muito agito, inclusive passeios fora do navio e uma parte da ilha só para eles. A estrutura do navio tem também um SPA de frente para o mar, com massagens de todos os tipos, saunas, tratamentos de beleza e relax. Chás de todas as ervas possíveis, infusões de aromas, tudo para você não querer sair de lá. Eu pelo menos não queria. Também tem salão de beleza tradicional, e para os pequenos, o Bibbidi Bobbidi Boutique, que é um mini salão que veste e transforma as meninas em princesas, sereias e afins, e os meninos em piratas ou super heróis. Lolo já não quis ir, com 9 anos ela não tem mais interesse nenhum em princesas, e Nico não tem paciência nenhuma para se produzir.

Como tudo que é bom dura pouco, nossa viagem chegou ao fim. Passamos esse último entardecer na varanda do quarto enquanto o Nico dormia, vendo a Castaway Cay ficar para trás. Esse cruzeiro é maravilhoso, mas deixa um gostinho de quero mais, 3 noites passaram voando. São tantas as atividades que quando você esta adaptado, já sabe onde ir, é hora de desembarcar. Mas vale cada minuto! Os cruzeiros Disney fazem EUA, Europa, Caribe e Alasca. Estou aqui quebrando a cabeça pra decidir qual será o próximo. Pode ser que eu viaje em outras companhias no futuro, que tente outro tipo de navio, mas enquanto tiver crianças indo comigo, com certeza a escolha vai ser Disney.

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No último dia acordamos cedo, já existe um restaurante designado para o last breakfest e horário cravado para sair do navio. É realmente acordar e partir. Se você quiser fazer compras nas lojinhas, não deixe para o último dia pois estará tudo fechado. Optamos por levar nós mesmos as malas, que eram pequenas, do que deixar na porta do quarto na noite antes. Assim também saímos mais rápido e depois de passar a imigração já deixamos o porto direto. Se o embarque foi rápido, o desembarque mais ainda. Na saída, varias opções de ônibus te levam ao estacionamento, a Orlando, ao aeroporto ou a locadora de veículos, que foi o nosso caso. Dali seguimos para Magic Kingdom, para finalizar uma viagem perfeita no parque perfeito. No fim do dia voltamos ao aeroporto e embarcamos, chegando em casa só a meia noite. Cansados, mas felizes por dentro. São tantos detalhes que mesmo com esse texto imenso eu certamente esqueci de mencionar muitas outras coisas e dicas, que vou acrescentando ao lembrar.

Mas importante mesmo foi ter vivido essa experiência com os meus filhos, e a principal dica é, se você tem a chance, não deixe de ir, não pense duas vezes. Dessa vida a gente só leva o que a gente fez e as pessoas com quem compartilhou. Viaje, viva!

 

 

 

 

 

Lolo & Adams

adams

Adams e Lolo foram um exemplo de afinidade à primeira vista. Confesso que minha maior preocupação com a mudança de país era a adaptação da Lolo numa nova realidade. Ela está com 8 anos, idade em que nos encontramos enraizados em nossa rotina, apegados aos amigos e principalmente à escola, nossa âncora. A única vez em que Lolo chorou foi ao se despedir do colégio e da melhor amiga, daí o peso que isso teve para mim. A escola aqui simplesmente teria que competir com a coisa mais importante para ela! A Adams School seria culturalmente diferente, com pessoas entrando na vida dela sem pedir licença, com novos métodos de aprendizado e o principal, tudo isso num idioma onde ela entendia o bom dia, boa noite e só.

Na segunda-feira após a nossa chegada realizamos a matrícula, e Lolo teve a chance de conhecer seus futuros colegas e professora. A Mrs. Welters é um amor de pessoa, e não poderia ter havido professora melhor para receber a Lolo nesse inicio, com a dose certa de paciência e cuidado que ela teve e ainda tem até hoje.  Também tivemos sorte, pois era o dia das fotografias anuais, e Lolo entrou no grupo e tirou a linda foto que ilustra esse post. Na sala dela tem dois alunos que falam em espanhol, e que estão ajudando enormemente na adaptação, e isso a deixou um pouco mais tranquila desde o começo. Durante o tour de reconhecimento na escola, quando alguém lhe dirigia à palavra, ela me olhava com aqueles olhos de jabuticaba questionando o que era aquilo! Eu estava aterrorizada com a idéia de largá-la, e toda a hora me vinha à cabeça o que eu acharia se estivessem me jogando numa sala com pessoas falando japonês… E eu estava fazendo isso com a minha filha! Mas enfim, ela não era a primeira e tampouco seria a ultima a criança a passar por essa provação. Se por um lado isso traria um pouco de apreensão momentânea, por outro representaria a conquista de ser fluente num novo idioma, o que certamente será um de seus bens mais preciosos e aproveitados durante toda a vida.

O sinal bate pontualmente as 8:37 AM. Horário quebrado assim mesmo, devido ao schedule dos ônibus escolares. É simplesmente maravilhoso poder despertar numa hora normal. As crianças não precisam madrugar, acordam as 7:30, dispostas e descansadas, tudo transcorre com muito mais calma do que no Brasil, onde nos levantávamos as 6 da manhã enfrentando uma correria sem fim. Tudo aqui parece ser mais razoável, planejado e organizado do que a realidade escolar brasileira, onde espremem os horários para que possa existir a turma da tarde e a da manhã, dobrando o numero de alunos matriculados e tornando a escola um “negocio lucrativo”. Aqui o bem estar dos alunos é prioridade, começando pelos horarios compatíveis a uma rotina de criança e completando com a liberdade de poder caminhar ou ir de bicicleta até a escola. Por enquanto o frio ainda não permitiu muitas dessas idas, mas todos os dias Lo me pede que a deixe caminhar sozinha ou com os seus amigos pelo menos um trecho na volta pra casa. Aqui não tem guarita, não tem tio da portaria. Aliás não tem nem portaria. As crianças saem sozinhas assim que o sinal toca, e vão até suas casas, ou os pais esperam nos carros ou vem caminhando busca-los. Realidade impensável no Brasil.

No primeiro dia na Adams Lolo recebeu sua agenda, uma pasta para os deveres de casa, e o mais incrível, um Ipad. Este é usado para acompanhar as aulas, criar textos e baixar jogos educativos. Redes sociais como FB, Instagram e similares são bloqueadas. O aluno tem um Apple ID vinculado a escola e  os pais controlam todo o conteúdo, assim como a professora também. É surpreendente, e cada família escolhe se a criança poderá trazer o Ipad para casa todo dia e nos finais de semana. Nós autorizamos, e a Lolo fica então com toda a responsabilidade, o que ajuda a desenvolver esse lado do cuidado com algo valioso. Lolo não cabe em si de alegria em ter seu próprio Ipad, e eu fico contente em não ter sido eu a dar simplesmente um objeto de entretenimento a ela, e sim que ela descubra o tablet como um objeto de estudo e de aprendizado, que nas horas certas pode sim ser divertido. Nas salas não existe lousa, e sim retroprojetor. Cada mesa de aluno tem um tampo que se levanta, onde as crianças guardam seus materiais e portanto não precisam levar diariamente mochilas pesadíssimas para casa. Também não há nada daquela ordem militar de carteiras enfileiradas, a classe se divide em grupos, duplas e trios, e tem um grande sofá. As paredes são todas decoradas com trabalhos, mapas e outros conteúdos. São visualmente mais ricas que as salas brasileiras.

O lunch time dura uma hora, e as crianças tem 3 opções: almoçar na própria casa, devendo retornar 50 minutos depois; almoçar na escola o “marmitex” trazido de casa; ou então comprar o almoço fornecido pelo colégio. Custa 2,70 dólares cada refeição, que inclui leite e sobremesa. Lolo simplesmente detesta. Não come o almoço da escola, e na verdade não perde muita coisa, já que a comida aqui está a milhas de distancia de ser saudável. Frituras, excesso de carboidratos, molhos gordurosos. Nem as crianças escapam. Acabo tendo que improvisar, e normalmente Lolo leva suco, um sanduíche ou cereal (leite é fornecido pela escola), cookies e uma fruta. Acaba que a principal refeição do dia se torna o jantar, e para uma pessoa com recursos culinários extremamente escassos como eu, está sendo um grande desafio manter a turma aqui bem alimentada. Mas vou aprendendo.

Lembrem-se que a Adams é uma escola PÚBLICA. Não se paga mensalidade, matrícula, nada. Fomos extremamente bem recebidos, e aqui se a criança mora no bairro, tem vaga assegurada à escola. Garantido. Na classe da Lolo, além do currículo normal, a turma tem aulas de espanhol (que ela já falava bem, agora está perto de se tornar fluente), artes e educação física. Também saem da sala três vezes ao dia para ir ao parque. Mesmo com temperatura negativa eles estão ao ar livre, nos primeiros dias Lolo não acreditava que ela realmente podia brincar na neve no intervalo da escola!

Dia 03 de março foi o primeiro dia de aula dela no 3rd grade. Por dois motivos (o idioma desconhecido e o fato dela estar adiantada na escola brasileira) decidimos que seria melhor Lolo refazer esse semestre (no Brasil já estaria no 4 ano) para então no outono, já mais acostumada ao inglês, começar o 4th grade no inicio de ano letivo americano. Nesse primeiro dia eu estava mais nervosa que ela quando a deixamos na Adams, mas não transpareci por nem um segundo. Também passei cada minuto do dia pensando em como ela estaria.

Mas toda a preocupação foi por água abaixo na hora em que ela deixou o prédio da escola as 03:44 PM, na hora da saída. O largo sorriso dizia tudo 🙂

5 anos

Tão pequena e tão adulta ao mesmo tempo.

Essa semana a Lolo completa 5 anos de idade. É a fase da “emancipação” infantil. Ela não precisa mais ser cuidada. A gente continua à disposição, querendo ajudar, mas somos delicadamente dispensados. Precisa de ajuda com as meias? Não mamãe! Vamos preparar o seu leite? Deixa que eu faço, diz ela já subindo no armário e pegando a lata de Nescau. Nos finais de semana com o pai, ela me liga para conversar, e dali alguns minutos vem a frase: “mamãe, posso desligar porque tenho muitas coisas para fazer?” Claro, assistir pela décima vez o filme Coraline ou colocar ração para o gato são atividades importantes para ela, que realmente deseja fazê-las. Não apenas sabe, como quer participar, quer sentir que já é uma pessoinha muito útil ao seu entorno e a todos que vivem nele.

As lições de casa agora neste semestre são bi-semanais, e como eu fazia antes, fui soletrar os números da data para ajudá-la. E ela: “mãe, eu não preciso mais que você me fale. Eu sei como fazer o dia, mês e ano.” Ah tá. E a mãe aqui fica olhando, se sentindo coadjuvante, ao perceber que a pequena está assumindo o papel principal na sua própria vida.

Ela nasceu pequena, pretinha, cabeluda, o oposto da exuberância loira que é hoje. Era um mini macaquinho, tão indefeso, e tão decidido ao mesmo tempo. Ela nunca foi um bebê inseguro. Dificilmente chorava. Apesar de meiga, sempre soube o que queria, e felizmente se tornou uma criança com excelente auto-estima. Mamou mais de um ano no peito, praticamente um bezerrinho, e até hoje quando adormece, muitas vezes procura inconscientemente colocar as mãos na minha blusa. E nada como o leite materno para dar a força, a saúde de ferro e o tamanho que ela tem. São quase 1,15m de altura, está calçando 30 e nunca fica doente (toc, toc, toc). 

Tão cuca fresca em algumas coisas, minha filhota se torna uma “com frescura” quando se tratam de sapatos. Não gosta de nada. Sapatilhas, all stars, sandálias, nada disso ela aprova. Ama crocs e botas. Vai nas festas linda, bem arrumada, do tornozelo para cima, já que nós pés só calça aquele pedaço de borracha. Quanto mais desgastado melhor. Também quer estar sempre bonita, mas não gosta que mexam no seu cabelo. São várias técnicas de distração que aprendi ao longo dos anos (perfumes, batonzinho, e a mais nova delas, enxaguante bucal infantil, que ela simplesmente acha o máximo) para que eu consiga colocar chucas, rabos de cavalo ou simplesmente pentear e aplicar uma fivela. Secador de cabelos então é uma palavra proibida, e ela corre só de escutar o barulho. 

Ela ama os animais, de todas formas e tamanhos, não deixa que se mate nem uma formiga.  Convive com cachorros enormes desde que nasceu, e sabe muito bem como colocar uma coleira ou dar um osso sem ter sua mão abocanhada. É o tipo de criança que conhece os depósitos de reciclagem pela cor, e quando vê um plástico no chão abaixa para recolher, sempre com o sutil comentário: “lixo na natureza não pode, né mãe!”

Está aprendendo a andar de bicicleta com o pai, e cada vez que volta avisa que está QUASE andando sem rodinhas. Ama praia, litoral norte ou sul, tanto faz, desde que tenha areia e um mar lindo na frente. Viagens também são apreciadas, e ao olhar o globo terrestre já identifica vários países e todos os continentes pelo nome. Nada sozinha desde os 2 anos de idade, sem bóia alguma, e apesar de adorar uma piscina, detesta água fria. Faz manha para uma porção de coisas, como por exemplo tomar banho, mas depois não quer sair do chuveiro. Reluta em provar comidas novas, mas com um pouco de pressão ela experimenta (e adora!) como aconteceu recentemente com um kiwi e uma mousse de maracujá. No feijão dela não pode ter nem uma cebolinha, tomatinho ou qualquer “verdinho”, que ela se desepera e não quer comer. Detesta peixe, mas adora comida japonesa. Salmão e arroz são seus favoritas. Quando tentamos explicar que salmão é um peixe, ela fala: “claro que não, salmão é um sushi!”

Seu melhor amigo em casa é o gato Cookie, um filhote de 10 meses que acompanha ela em todas as suas loucuras e invenções. Ela veste o gato, faz casinha para ele e os dois jogam bola juntos. Às vezes correm endoidecidos por 15 minutos ou mais, ela na frente com uma isca (pode ser um pirulito ou uma bonequinha polly amarrada precariamente num barbante) e o gatinho atrás, perseguindo. Já imagino como vai ser com o irmão. Ela beija minha barriga todas as vezes que nos reencontramos, e gosta de contar segredos para o Nicolas, que ninguém mais escuta. No quarto dele,  separa as roupas que ela gosta e as que não gosta, “porque essa roupa não fica bonita no meu irmão!”

Nunca eu imaginei ser tão feliz com a Lo. Essa pequena me completa em tudo. Me tira do sério, mas num bom sentido.  Até nas vezes em que tenho que ser mais dura, não brigamos. É sensível, e não gosta que as pessoas se decepcionem com ela. São tão poucas as broncas, que uma palavra mais forte e dita num tom de voz alto já surte efeito. É mais preguiçosa que desobediente, e a melhor forma de se conseguir dela o que queremos é explicando o porquê daquilo. Sua boa vontade funciona através da inteligência, e ela atende tudo aquilo que toma por desafiador. Não faz as coisas por fazer, e sim por um propósito. Adora planos, e programar atividades é uma das coisas que mais gosta no mundo! Ficar parada não é com ela, e todos os tios e avós já sabem que quando a pequena está do lado, nada de folga. Tanto pique tem seu lado positivo: dorme religiosamente suas 12 horas por noite. 8 da noite desmaia, para só dar as caras 8 da manhã do dia seguinte. Uma verdadeira bênção. Claro que isso só em casa, porque com as avós ela é uma boa enroladora, e consegue quase sempre o que quer, ou seja, uma história a mais, um episódio de desenho ou simplesmente uma conversa.

Filha, obrigada por esse 5 anos. Obrigada por cada abraço, por cada sorriso, e por cada maluquice que você me ensinou. Hoje sei que sou uma pessoa muito melhor por sua causa. Que você tenha um lindo aniversário, e saiba que eu sempre vou fazer TUDO que estiver ao meu alcance para que você seja uma menina muito feliz e também um ser humano cada vez melhor. E como eu te digo todas as noites:  você é minha vida. Te amo!

Um ano em fotos do Iphone

Quase 600 fotos, pouco mais de 15 meses, festas, pessoas, acontecimentos, animais, poses, alegrias, chiliques, viagens, bebidas, pés, uma copa do mundo, um livro, um bebê. Esses são alguns dos eventos devidamente registrados pela câmera do meu celular ao longo deste ano, e que dão uma bela historinha em quadrinhos, porém aqui sem imagens. Uma retrospectiva parcial do último ano, captada pela lente do meu iphone, e representada por poucas e simples palavras. 

Claro que começa comigo e a Lolo no carro. A foto de estréia do celular tem nós duas de óculos escuros, véspera de carnaval. Carnaval espetacular com o Fernando no Rio de Janeiro, com direito a Sapucaí e camarote. Visita de um belo saruê na garagem, empoleirado em cima do portão. Lolo e Maui de língua azul, saindo da maior piscina de bolinhas de SP. Corrida Vênus, eu e Van sorridentes depois dos 5km. Lolo ainda tomando mamadeira na hora de dormir. Nós duas com dois “cachorros”: eu abraçando o Billy, a Lorena abraçando o Thomas. Natação. Lo e a vovó, uma toda suja saída da escola, e a outra produzida para uma festa de gala. No avião, rumo à Páscoa no Chile. Com os “irmãos” no carro em viagem chilena, e de novo no avião na chegada à uma chuvosa SP. Costelinha. Caipirinha de maracujá, um close bem dado, essa não podia faltar. Jill e vovô alcoolizados (não é novidade). Lorena no cabelereiro. E na praia, em frente ao Caiçara´s. Eu e o Fernando, restaurante indiano (como eu estava magrinha nessa época).  Na banheira, Lolo e Caillou. Dia das mães no Felix. Lolo, Geralda e as bonecas. Todos os “filhos” no parquinho em Alphaville, e Lorena e Martina maquiadas em casa. Domingas Dias, com chuva e massinhas. Festa da Roça, tema Africa. Almoço na casa da Fazenda. Oficina do Onibus Biblioteca na Vila Medeiros. Placido Domingo, belo espetáculo. Bebê sem Frescura na revista Casa Cláudia Bebê. Caillou ursinho. Octavio Café. Por do sol no Mackenzie, esperando a Lorena sair da escola. Copa do mundo: cabelos, unhas e roupas verde e amarelas. Pombo resgatado. Eu e Lolo acordando preguiçosamente. Marmaduke no cinema. Mais Copa do Mundo no Takumi. Geralda e Fernando, Brasil x Chile (Brasil vitorioso, claro). Mãos artistas das crianças do Ônibus Biblioteca. Rumo a Suécia. Lembrancinha da festa de 4 anos da Lorena. ATC. Sítio: sol, cachorros, amigos, primos. Festa Lais, Lo no tombo legal. Lolo com nariz ralado, tombo nada legal na porta de casa. Pastel na feira com o amigo de espuma, Caio. No carro do  Thomas, com a Maggie, indo ao sítio. Enchendo balões sozinha, Lorena mocinha. Vestida de fada, presente de aniversário. Almoçando com a amigas Carol e Lua. Festa do João Luca, Lo com Lua e Marcelo. Lo devorando uma melancia. Espaço Piks. Moqueca de lagosta no Peixe com Banana. Lorena no ballet. Itaparica, coqueiral, as 4 crianças. Lolo dormindo sobre as malas em GRU, depois do vôo da madrugada. Casquinha de siri e mais moqueca no Guarujá. Maceió e Gunga, visitando queridas amigas. Camarão e restaurante peruano. Lorena e Luana andando de jegue na praia do Francês. Embarcando para SP de novo. DPNY. Rafting em Juquitiba, eu e Lays. Halloween. Lo de bruxa, Costelinha gato da bruxa e a abóbora (também da bruxa).  Lozinha fazendo compras no Mambo. Sol no clube. Sábado de mulheres (e surpresas). Sophia nasceu, visita na maternidade. Uma marca de sapato na porta. Comprinhas de Natal, Lorena à carater. Cinema em casa com as bonecas. Pastel na feira. Festa do Davi, festa do Ian, tudo no mesmo dia. Oficina de Natal. Último dia de aula na escola, Lorena e a turma. Iguatemi numa rara noite fria de dezembro. Jantar Pimentel. Lolo e amigos no shopping visitando Papai Noel. Patinação no gelo: diversão e lágrimas. Pré Natal na casa da vovó. Nicão, o gato velhinho. Todos os filhos em casa, desta vez por um mês de férias, com direito a Ano Novo e janeiro inteirinho. Jantar no America/México. Caretas das meninas. Lua cheia na praia. Adoção do Cookie no CCZ. Cookie menor que um pé de crocs da Lo. Minha tão sonhada tatuagem, 18. Lolo e a caneca de opala que ganhou do pai. Caillou e Cookie agora amigos. Juqueí, fim de semana maravilhoso. Havaianas na areia. Lorena no lap top. Aula de sapateado. Juan Cruz e Tomas, os gêmeos bebês mais lindos. Pé de Manga num domingo. Arco íris. Inauguração do apê da Jill. Luz negra da Sissi. Pedro na maior ressaca no aniversário do Thomas. Corrida Vênus com Esmell. Cookie tomando água na privada. Barbados, areias brancas, mar azul e cabbage palm. Um teste de gravidez positivo. Lolo na corrida Adidas Kids, vencedora da sua bateria. No avião rumo ao Chile. Show do U2 em Santiago. Prova do vestido de noiva. Lo, Branca de Neve e os 7 Anões. Chanel. Geralda do Surf. Show do Roxette com a Gi. Larga a Chupeta na revista da GOL. Prova dos vestidos das daminhas. Overdose de Páscoa no Flamingo e no Villa Lobos. Sushi. Domingas Dias com sol. Mais sushi. Jantar de pitús e aquavit. O Garimpo, Embu, com toda a família chilena. Teste de maquiagem e cabelo. Dia da Noiva. Saída do casamento. Lindo topo de bolo. Comandatuba. A barriga cresce. Acarajé no prato. De volta ao frio de SP, embaixo das cobertas. Parque Ecológico do Tamboré, parque onde não são permitidos animais nem ETs. Mercado Municiapl e 25 de março. Ultrassom Nico, meu filhote sorridente. Artes da Lolo no meu vaso. Caillou e os vinhos. E a barriga continua crescendo muito. Arraial na Alameda Escócia. E Maggie, a inquilina canina folgada, dormindo no sofá da sala, de cobertor. (Ah, se o Fernando vê isso!)

Isso foi ontem. E as fotos continuam. Mas elas são assunto para outro ano!  E quem descobrir de qual das imagens descritas anteriormente é este mosaico acima, ganha um exemplar do Larga a Chupeta!

10 programas diferentes para férias com crianças

Se você tem filhos pequenos, as férias representam, além de uma chance de contato muito próximo, a necessidade de planejamento e boas idéias de como distraí-los. Ficar com quatro, três, duas ou até mesmo uma criança cheia de energia em casa pode ser desesperador. Depois que os brinquedos perdem a graça, a televisão se repete, as idéias se esgotam, nada melhor do que sair de casa e fazer um programa realmente divertido. Não só para os pequenos, mas também para os pais que os acompanham. Tudo bem, divertido pode ser exagero, mas ao menos as idéias abaixo não são maçantes como assitir filmes Disney em cinemas lotados, enfrentar filas em parques de personagens infantis ou engordar comendo sundae enquanto seu filho brinca no playground do Mc Donald´s.

Boa sorte! Have fun!

1- Instituto Butantan

Muito interessante para os adultos, surpreendente para as crianças. As cobras e outros animais exóticos encantam por seu tamanho, cores e presas, e a visita torna-se um passeio inesquecível. Tem museu, serprentário e um viveiro a céu aberto, além de atividades interativas. Às quintas-feiras ainda se pode pegar cobras filhotes nas mãos!

www.butantan.gov.br/home

2- Patinação no gelo

Se seu filho tem 4 anos ou mais, essa é uma ótima opção. Coloque patins também e curta muito ensinando ele a deslizar pelo gelo. Se você ainda não patina, aproveite para aprender também, todas as pistas tem monitores prontos a ajudar. Lembre-se de usar calças compridas!

www.icestarpatinacao.com.br    www.patinacaonogelo.com.br

3-Livrarias com espaço infantil

O mundo das letras encanta adultos e crianças. As grandes livrarias, como a Cultura e a da Vila, tem excelentes espaços para os pequenos. São coloridos, cheios de sofás e almofadas para sentar e deitar. E claro, repletos de livros de todos os tipos. Se for um programa de sábado e domingo melhor ainda, sempre existem contadores de histórias e monitores com atividades como dobraduras e colagens. Você ainda aproveita e pode conhecer os últimos lançamentos do mundo literário enquanto seu filho se distrai. Lembre-se que é sua responsabilidade fazer seu filho gostar de livros o quanto antes!

www.livrariacultura.com.br    www.livrariadavila.com.br    www.saraiva.com.br

4- Aulas de culinária

Toda criança adora preparar sua própria comida. Se for um doce ou cupcake melhor ainda. No espaço Piks, as crianças decoram bolinhos com marshmellow, confeitos coloridos, granulados, pasta de confeiteiro e muito mais. E podem comer logo em seguida ou levar para casa. Em escolas de culinária tradicionalmente voltadas ao público adulto, agora também existem opções para as crianças, especialmente nas férias. Podem ser cursos ou apenas aulas experimentais. Não há criança (e adulto) que não se divirta!

www.minigourmet.com.br    www.wkcozinha.com.br    www.piks.com.br

5- Parques Especiais

Imagine um lugar onde se pode esquiar, descer em tobogãs, brincar em playground, andar em teleféricos e fazer arborismo? Parques a céu aberto, com muitas atividades, são perfeitos para toda a família. Cada um pode fazer o que quiser, inclusive os adultos, e as crianças vão se cansar tanto que permanecerão sossegadas pelos próximos dias (ou ao menos no dia seguinte).

www.skipark.com.br    www.wetnwild.com.br   

6- Visitar uma fábrica de chocolate

Chocolate é uma paixão de adultos e crianças. Ver como se produz essa delícia é uma curiosidade que todos têm. E de quebra no final ainda se podem comprar a preços irrisórios as especialidades da fábrica. Quem não se lembra do clássico filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”?

www.garoto.com.br    www.chocolatearaucaria.com.br    

7- Salão de beleza infantil

Fazer as unhas, aparar os cabelos, colocar trancinhas e caprichar nos penteados. Essas são apenas algumas das produções que se pode fazer num salão para crianças. Lá cada produto foi especialmente desenvolvido para os pequenos clientes, e as cadeiras e os lavatórios são adaptados para crianças. Todos os serviços acompanham a escolha de um DVD ou filme para assitir enquanto são arrumados, e as profissionais são pacientes e carinhosas. Além disso, atendem as mães também, que podem usufruir do serviço de manicure/pedicure e cabelos. E para quem pensa que isso é programa apenas de meninas, pode se preparar: videogames de futebol, escorregadores e penteados radicais também estão presentes por lá. 

www.reddoor.com.br    www.glitzmania.com.br

8- Adotar um animal de estimação

Qual criança não tem como maior desejo ter um animalzinho em casa? Cachorro, gato ou até mesmo um peixinho fazem a alegria de todos, e nada como as férias, quando as crianças estão em casa, para receber o novo habitante. E o mais legal é todos participarem, indo escolher pessoalmente o cãozinho ou o bichano e todos os seus acessórios, como cama, ração e brinquedos. E nada daquele pet shop de luxo, o mais legal de tudo é adotar quem realmente precisa. E o melhor é que os animais já vem castrados, vacinados e muita vezes educados. Vale conhecer uma das muitas feiras que têm por aí!

www.adoteumgatinho.com.br    www.caosemdono.com.br    www.clubedosviralatas.com.br    www.cobasi.com.br

9- Passeio de barco

Se você mora em cidade litorânea, talvez esse seja um programa comum. Porém poucas coisas divertem tanto as crianças como estar sobre a água, e até em São Paulo é possível curtir esse passeio. Na represa Guarapiranga existem tours de escuna ou lancha, incluindo visitas à Ilha dos Eucaliptos e piqueniques.

http://passeiodebarco.nafoto.net     www.bagatelle.hpg.com.br

10- Tirar um retrato de família à moda antiga

Esse programa garante muitas risadas, uma bela produção e uma foto espetacular de lembrança. Vestidos longos, cartolas, bengalas e coques são alguns dos detalhes das vestimentas utilizadas.

www.retratosdeepoca.com.br    www.shoppingeldorado.com.br

Quem tiver mais dicas legais pode mandar!

Finais de semana sem a Lorena

Hoje é sábado, o mesmo dia que se repete todas as semanas, mas que a cada 15 dias é diferente para mim. Um sábado onde eu acordo tranquilamente, sem um macaquinho se esgueirando na minha cama ao amanhecer. Um despertar sem aqueles bracinhos que procuram meu pescoço, sem aquela vozinha dizendo “quero dedeira”. Sem as pernas geladas (porque ela se descobre todas as noites) que se enroscam nas minhas querendo calor. Um sábado onde não ligo a televisão para a Lorena assistir George, o Curioso, no Discovery Kids, que passa às 7 da manhã, e assim ganhar mais uns minutinhos pra dormir.

Sábados onde vou à feira sozinha, e não tenho que preparar uma poça de ketchup em cima de guardanapos para que a Lo coma seu pastel. Nem descer até a barraquinha de 1,99 onde ela religiosamente escolhe uma cartela de adesivos, para depois colá-los um a um nos armários do banheiro. Sábados em que eu não vou ao parquinho fazer piquenique, não tenho que perguntar à Lorena se ela quer banana ou maçã, nem preparar ovos mexidos ou bisnaguinhas na chapa.

Sábados onde a ida ao clube é para a academia, para malhar, e não para ir à piscina infantil ou à brinquedoteca. 2 horas de exercícios ininterruptos, e depois uma passada na lanchonete para tomar um gatorade. Nada daquele “mamãe, eu quero um sorvete de chocolate/pão de queijo/ kinder ovo”. Vejo muitas crianças por lá, mas nenhuma é a minha loirinha de coqueirinho na cabeça.

Sábados onde os almoços em restaurantes são calmos e duradouros. Ninguém saltitando entre as mesas, nem querendo ir embora. Nada do meu Iphone ficar com marcas de dedos sujos, já que única forma de comprar um pouco de tempo é colocando Charlie e Lola no youtube do celular. As sobremesas são pedidas na hora certa, e não no meio da refeição para acalmar a energia de uma menina de 4 anos. As caipirinhas são liberadas, e as conversas, intermináveis. Posso esticar a tarde num cinema se quiser, e nada de filme infantil nesse dia.

Sábados à  tarde em que, se me der vontade, posso chegar em casa e cochilar. Literalmente cair na cama e apagar, e não ter que me preocupar em se a Lorena está sozinha no jardim, ou se está espalhando massinha pelo tapete do quarto. Não preciso montar quebra-cabeças das Princesas, nem brincar que todas as bonecas estão saindo de férias. Não leio toda a coleção de livros que a Lorena ganhou no aniversário (pulando várias frases), nem faço brigadeiros rosas. Não necessito explicar que Milly e Molly ou a Princesinha só começam após as cinco, nem vejo a alegria dela por poder assistir esses desenhos, que normalmente ela perde por estar na escola.

Nesses sábados eu posso tomar banho de banheira. Acender velas, pegar um bom livro e ficar submersa até cozinhar. Não preciso preparar a água, correr atrás da Lorena para que ela tire a roupa, nem perguntar qual shampoo ela quer passar. Não tomo uma chuveirada apressada de 5 minutos, correndo para ficar pronta a tempo de tirá-la da banheira e vestí-la antes que sinta frio.

Nesses sábados, Caillou desfila em paz pela casa, não temendo os fortes abraços da sua pequena dona, nem as tentativas dela de fazê-lo curtir as estranhas comidinhas que prepara para ele. Não escuto a vozinha melosa me pedindo: “vamos brincar de mamãezuda?” e nem tenho que ficar rolando pela cama fazendo cócegas ou contando piadas repetidas.

Sábado à noite a programação é livre. Às oito horas, ao invés de estar me equilibrando na ponta da cama da Lorena, cantando músicas onde sejam recitados os nomes de todos os amigos da escola enquanto ela adormece, tomo um pisco em frente ao computador, decidindo qual é a da noitada. Não escuto o “eu adoro você mamãe”, ou então o “amanhã vai ser um lindo dia” que a minha filha me repete todas as noites. Não tenho que brincar de dentista para que a Lo deixe eu dar uma geral nos dentes dela após a escovação, nem insistir para que faça xixi. Posso voltar pra casa a hora que quiser, e subir as escadas ruidosamente. Posso comer alfajores e deixar a caixa à vista, coisa que quando a minha pequena chocólatra está em casa é impossível de fazer. 

Nesses sábados, às vezes já domingo pela madrugada, se entro no quartinho dela vejo uma cama arrumada. Nada da minha menininha suada, de pijama rosado, que deve estar roncando nos braços do pai. A cada 15 dias, tenho um sábado para mim. Mas esses sábados nunca são totalmente meus por um único motivo: falta a Lolo, que é parte de mim. Nunca serei inteira sem ela. É como a frase que nos dizemos todos os dias: você é minha vida!

Inclusive aos sábados, domingos e qualquer outro dia!