Gatos de 3 cores = fêmea?

É mesmo verdade que gatos de três cores só podem ser fêmeas? Desde pequena eu escutava essa frase, e estava totalmente convencida do assunto. Já fui dona de uma linda tricolor, menina claro, e todos os machos que eu tive eram sempre de cores únicas ou bicolores. Até sábado passado. Nesse dia adotamos nosso novo gato, Cookie, um poço de energia, pequeno életrico que encanta todo mundo com seus belos olhos azuis. Olhos estes, que junto com as escaladas na grade da gaiola, fizeram com que a gente se apaixonasse, mesmo diante da placa “ainda não disponível para adoção” pregada na ficha dele. Mas pedimos tanto (o que 4 crianças não conseguem fazer) que o homem do CCZ permitiu que adotássemos ele. Na verdade ele foi com a nossa cara. O gato e o homem. Isso porque ele próprio havia salvado o Cookie, com poucos dias de vida, ainda olhos fechados, da boca de um cachorro. Gato sortudo. Gato único. Desde sempre.

Ontem comecei a reparar numa linda mancha marrom que ele tem em forma de coração, nas costas, e daí para pensar nas cores da pelagem dele foi um passo. Peraí! Ele é predominantemente branco, com manchas pretas e rabo preto, e também com manchas marrons! Como assim? Macho? 3 cores? E ele é macho mesmo, já peguei castrado e não há margem para dúvidas nesse “quesito”.

Fui pesquisar o assunto, e diminuir a minha ignorância (e também a minha certeza) em relação ao mundo dos gatos. Encontrei a resposta, e realmente ela só prova que, de comum, esse gato não tem nada. Especial que só ele. A verdade é que 1% dos gatos tricolores são machos e, ainda assim, frutos de uma anomalia cromossômica. Para entender como é definida a pelagem dos gatos, primeiro é preciso saber duas coisas: a característica é herdada dos pais do animal e os genes das cores (preto, branco e amarelo/marrom) estão presentes no cromossomo X. Na reprodução, a fêmea passa para o filhote um cromossomo do tipo X e o macho pode enviar um X, dando origem a uma fêmea (XX), ou um Y, formando um macho (XY). Para uma fêmea ter três cores ela precisa possuir um cromossomo X com o gene amarelo/marrom e o outro X com o gene branco dominante. No caso do macho, para ele ser tricolor, precisaria ter também dois cromossomos X (como as fêmeas), além de mais um cromossomo Y, que o torna do sexo masculino. Isso resultaria numa aberração cromossômica. (Ah vai, ele não é aberração! É muito lindo, com uma energia sem fim, disposto a atacar qualquer coisa que se move: macho ou fêmea).

E ainda tem mais. Quando tal raridade acontece, o gato tricolor (XXY) é estéril. Ou seja, a castração do Cookie foi inútil. De uma forma ou outra, ele não poderia ter filhotes mesmo. Mais um ponto para ele, gatinho tão incomum: não deixará descendentes. Que viva enquanto puder, 15 ou mais anos, alegrando a todos nós com sua personalidade única. Hoje eu sei que não fui eu que o escolhi, ele que nos escolheu. Gato especial mesmo.

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10 programas diferentes para férias com crianças

Se você tem filhos pequenos, as férias representam, além de uma chance de contato muito próximo, a necessidade de planejamento e boas idéias de como distraí-los. Ficar com quatro, três, duas ou até mesmo uma criança cheia de energia em casa pode ser desesperador. Depois que os brinquedos perdem a graça, a televisão se repete, as idéias se esgotam, nada melhor do que sair de casa e fazer um programa realmente divertido. Não só para os pequenos, mas também para os pais que os acompanham. Tudo bem, divertido pode ser exagero, mas ao menos as idéias abaixo não são maçantes como assitir filmes Disney em cinemas lotados, enfrentar filas em parques de personagens infantis ou engordar comendo sundae enquanto seu filho brinca no playground do Mc Donald´s.

Boa sorte! Have fun!

1- Instituto Butantan

Muito interessante para os adultos, surpreendente para as crianças. As cobras e outros animais exóticos encantam por seu tamanho, cores e presas, e a visita torna-se um passeio inesquecível. Tem museu, serprentário e um viveiro a céu aberto, além de atividades interativas. Às quintas-feiras ainda se pode pegar cobras filhotes nas mãos!

www.butantan.gov.br/home

2- Patinação no gelo

Se seu filho tem 4 anos ou mais, essa é uma ótima opção. Coloque patins também e curta muito ensinando ele a deslizar pelo gelo. Se você ainda não patina, aproveite para aprender também, todas as pistas tem monitores prontos a ajudar. Lembre-se de usar calças compridas!

www.icestarpatinacao.com.br    www.patinacaonogelo.com.br

3-Livrarias com espaço infantil

O mundo das letras encanta adultos e crianças. As grandes livrarias, como a Cultura e a da Vila, tem excelentes espaços para os pequenos. São coloridos, cheios de sofás e almofadas para sentar e deitar. E claro, repletos de livros de todos os tipos. Se for um programa de sábado e domingo melhor ainda, sempre existem contadores de histórias e monitores com atividades como dobraduras e colagens. Você ainda aproveita e pode conhecer os últimos lançamentos do mundo literário enquanto seu filho se distrai. Lembre-se que é sua responsabilidade fazer seu filho gostar de livros o quanto antes!

www.livrariacultura.com.br    www.livrariadavila.com.br    www.saraiva.com.br

4- Aulas de culinária

Toda criança adora preparar sua própria comida. Se for um doce ou cupcake melhor ainda. No espaço Piks, as crianças decoram bolinhos com marshmellow, confeitos coloridos, granulados, pasta de confeiteiro e muito mais. E podem comer logo em seguida ou levar para casa. Em escolas de culinária tradicionalmente voltadas ao público adulto, agora também existem opções para as crianças, especialmente nas férias. Podem ser cursos ou apenas aulas experimentais. Não há criança (e adulto) que não se divirta!

www.minigourmet.com.br    www.wkcozinha.com.br    www.piks.com.br

5- Parques Especiais

Imagine um lugar onde se pode esquiar, descer em tobogãs, brincar em playground, andar em teleféricos e fazer arborismo? Parques a céu aberto, com muitas atividades, são perfeitos para toda a família. Cada um pode fazer o que quiser, inclusive os adultos, e as crianças vão se cansar tanto que permanecerão sossegadas pelos próximos dias (ou ao menos no dia seguinte).

www.skipark.com.br    www.wetnwild.com.br   

6- Visitar uma fábrica de chocolate

Chocolate é uma paixão de adultos e crianças. Ver como se produz essa delícia é uma curiosidade que todos têm. E de quebra no final ainda se podem comprar a preços irrisórios as especialidades da fábrica. Quem não se lembra do clássico filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”?

www.garoto.com.br    www.chocolatearaucaria.com.br    

7- Salão de beleza infantil

Fazer as unhas, aparar os cabelos, colocar trancinhas e caprichar nos penteados. Essas são apenas algumas das produções que se pode fazer num salão para crianças. Lá cada produto foi especialmente desenvolvido para os pequenos clientes, e as cadeiras e os lavatórios são adaptados para crianças. Todos os serviços acompanham a escolha de um DVD ou filme para assitir enquanto são arrumados, e as profissionais são pacientes e carinhosas. Além disso, atendem as mães também, que podem usufruir do serviço de manicure/pedicure e cabelos. E para quem pensa que isso é programa apenas de meninas, pode se preparar: videogames de futebol, escorregadores e penteados radicais também estão presentes por lá. 

www.reddoor.com.br    www.glitzmania.com.br

8- Adotar um animal de estimação

Qual criança não tem como maior desejo ter um animalzinho em casa? Cachorro, gato ou até mesmo um peixinho fazem a alegria de todos, e nada como as férias, quando as crianças estão em casa, para receber o novo habitante. E o mais legal é todos participarem, indo escolher pessoalmente o cãozinho ou o bichano e todos os seus acessórios, como cama, ração e brinquedos. E nada daquele pet shop de luxo, o mais legal de tudo é adotar quem realmente precisa. E o melhor é que os animais já vem castrados, vacinados e muita vezes educados. Vale conhecer uma das muitas feiras que têm por aí!

www.adoteumgatinho.com.br    www.caosemdono.com.br    www.clubedosviralatas.com.br    www.cobasi.com.br

9- Passeio de barco

Se você mora em cidade litorânea, talvez esse seja um programa comum. Porém poucas coisas divertem tanto as crianças como estar sobre a água, e até em São Paulo é possível curtir esse passeio. Na represa Guarapiranga existem tours de escuna ou lancha, incluindo visitas à Ilha dos Eucaliptos e piqueniques.

http://passeiodebarco.nafoto.net     www.bagatelle.hpg.com.br

10- Tirar um retrato de família à moda antiga

Esse programa garante muitas risadas, uma bela produção e uma foto espetacular de lembrança. Vestidos longos, cartolas, bengalas e coques são alguns dos detalhes das vestimentas utilizadas.

www.retratosdeepoca.com.br    www.shoppingeldorado.com.br

Quem tiver mais dicas legais pode mandar!

Balanço de Natal

Já passa de meia noite. Mais um Natal que passou. O céu estrelado acompanhou a comemoração, assim como o calor sufocante de dezembro. Foi um Natal estendido, já que houve a comemoração do dia 23 (casa de uma avó, para que a Lorena participasse), o tradicional do dia 24, o meu natalzinho particular com a Lo dia 25 e amanhã dia 26 o Natal com 4 crianças, meus queridos que vem do Chile.

No dia 23 éramos seis adultos, e em pouco mais de 2 horas se acabaram 5 garrafas de vinho branco. Nada mal. E nada bom também, todo mundo de pileque! Mas nessa família isso não é novidade. Trocamos presentes, muitas risadas e cada um retornou a sua casa. Thomas a pé, com a fiel Maggie ao lado. Meu pai nem se lembra de que forma voltou. Minha mãe já estava em casa, por sorte. Eu voltei, isso eu lembro, cerca de meia noite, agraciada por ter o Fernando comigo. Minha próxima lembrança é acordar as 5 da manhã, ainda de roupa, dormindo com a Lo ao meu lado (ela já sem o vestido, abraçada com o livro que ganhou do avô), a televisão ligada. Oh céus… Ressaca da brava na manhã da véspera de Natal, amenizada por um pastel de feira e caldo de cana logo cedo. Nesse dia minha pequena foi passar o Natal com o pai dela e sua família. Foi feliz, ela sempre é feliz, eu é que fico triste. À noite o Natal de verdade, o original, aconteceu em terras paulistanas . Um golinho de vinho tinto para acompanhar as intermináveis cantorias e inúmeros brindes suecos foi o máximo que pude absorver em termos etílicos. Depois, como sempre, hora do adorável amigo secreto. Presentes incríveis, muitas risadas, alguns presentes mixurucas, alguns sorrisos amarelos, como não poderia deixar de ser. Os poemas (cada um tem que usar seu lado poético para versar sobre a pessoa sorteada) foram surpreendentes, com direito até a lágrimas e declarações de amor. Teve serenata com violão, interpretação teatral, e o surpreendente final, com minhas primas gêmeas tirando uma a outra, e o mais incrível, comprando o mesmo presente para a irmã escolhida!

Hoje a tarde peguei minha filhota de volta. Lorena chegou correndo em casa e já foi para a árvore de Natal, ansiosa com a oferenda do Papai Noel. Abriu seu presente, que alegria, passamos as duas umas boas horas vendo o pequeno ratinho de brinquedo percorrendo as pistas e tunéis do seu caminho e casinha. A “ceia” hoje foi no Mc Donalds, escolha da pequena claro. Hoje ela manda. Amanhã, nem tanto. Dia 26 chegam seus três “irmãos” postiços, os filhos do Fernando, que vem passar um mês com a gente. O reinado dela será suspenso por um tempo, mas olha só, ela não cabe em si de alegria! Faz planos e inventa brincadeiras, escreve cartas de boas vindas, pergunta a cada dez minutos quanto tempo falta para eles chegarem. A árvore ainda está cheia de presentes, e amanhã teremos mais um Natal. Este com direito a pizza e bolo de aniversário pelos 6 anos do Santiago.

Acaba-se aí a maratona natalina. E começa a  minha maratona como mãe de 4. E sem empregada para completar. Mas isso é assunto para outro post, não vamos deixar que o post natalino tenha qualquer outro sabor que não um belo tender recheado, uma linda salada brasileira e suculentos peixes suecos.

Marcada à ferro

Meu aniversário de 30 anos foi marcante. Não tem como sublevar a virada dessa idade “redonda”, assim como até hoje me lembro nitidamente da chegada dos 10 e 20 anos. Cada um deles, à sua maneira, teve mais do que simplesmente fatos a serem registrados na minha mente e guardados por meu coração. Fui marcada, aleatoriamente, no físico também. Será coincidência?

Na saída da primeira década, eu não queria de jeito nenhum deixar os 9. A casa de um número só. Absurdamente, a crise de idade foi maior ao entrar nos 10 anos do que nos 30. Como pode ser meticulosa a mente de uma criança! Foi nessa não tão bem-vinda virada que também furei as orelhas. Acreditem ou não, minha mãe não quis colocar brincos em mim quando nasci, e muito menos durante a infância. Nunca entendi o porquê. Tive que eu mesma decidir. Tenho 10 anos, quero brincos. Lembro até hoje do estouro da pistola na farmácia, e da dor seguinte. Que perdurou um fim de semana inteiro. A marca de uma década. Muito melhor furar a orelha de bebezinhos, que nada sentem (ou ao menos não recordam), mas no meu caso foi assim. Foi a marca dos 10.

A entrada nos 20 pode ser retratada como um sonho. Acontecia tudo que uma jovem pode querer da vida: uma festa maravilhosa, amigos por todo os lados, um novo namorado lindíssimo e um piercing. Esse último, inconscientemente, representou a minha marcação do par de décadas já vividas. Fomos as duas, eu e minha melhor amiga, com a cara e a vontade. Chegamos num descolado estúdio de São Paulo, e um moleque enorme, de brincos no nariz, nos peitos e imagine-se lá onde mais perfurou nossos umbigos. Não lembro da dor, totalmente suportável. E a alegria era tanta que não queríamos saber de mais nada, a não ser curtir nossas novas barrigas ornadas e os nossos vinte anos que apenas começavam.

Agora aos 30, em meio a tantos presentes lindos que recebi, abro a caixa que meu irmão me deu. Uma caixa grande e negra, que abrigava outra caixa cinza. Dentro dela, uma pequena caixa bege. E dentro desta, um papel. Muitos desenhos, muitas palavras queridas, e entre elas a frase: vale uma tatuagem! Surpreendente, como sempre meu irmão me conhece melhor do que ninguém. Já tinha essa idéia em mente à tempos, mas só ele, com suas duas tatuagens já feitas e outra a caminho, poderia adivinhar.

Nos próximos dias meu presente se materializará, eternamente, marcando então a minha terceira década vivida…

Dia da Independência

Logo que colocamos nosso corpo para fora daquele perfeito abrigo dos 9 meses, um grande berro seguido de choro proclama nossa independência do corpo de nossas mães. Não precisamos mais do cordão umbilical, já que respiramos sozinhos e nos alimentamos através da boca. Porém ainda precisamos das mães para nos amamentar, limpar e acarinhar, embalando nosso sono todos os dias. Ainda somos dependentes.

Mais alguns meses, e queremos ser mais individuais. Não mamamos mais, e já ensaiamos alguns passos sozinhos, sonhando em conquistar o mundo. Somos independentes para pegar com nossas mãos aquilo que queremos, e colocamos na boca o  alimento. Entretanto os pais ainda nos dão banho, escolhem nossas roupas e nos colocam para dormir. Sim, continuamos dependentes.

Anos se passam, e a independência aflora ainda mais. Vamos à escola, sabemos colocar os sapatos, gostamos de escutar música e até brincamos na rua com nossos amigos. Mas papai e mamãe continuam nos levando para lá e para cá, decidem o tema da nossa festa de aniversário, a hora do almoço e para onde viajaremos nas férias. Serzinhos totalmente dependentes.

Agora somos mais altos, decidimos nossas vontades, nosso corte de cabelo e exigimos ser livres. Já podemos ir dormir mais tarde, usar o computador e nos sentimos mais à vontade com os amigos do que na casa onde nascemos. Os pais não sabem de nada e a nossa independência nos sobe à cabeça. Mas eles continuam nos buscando nas festinhas, nos dando mesada e nos obrigando a comer salada. Nada de independência por enquanto.

Quase duas décadas depois já viajamos com os amigos, temos uma linda namorada e até frequentamos a faculdade. Não sentimos mais nenhum resquício de dependência, e proclamamos nosso espaço nas noites em que os pais nos esperam de madrugada em casa, nos domingos em que nos recusamos a ir à casa da vovó e no sorriso de desdém com o qual depreciamos qualquer comentário que eles nos façam. Só que as mensalidades da faculdade são pagas pelo pai, e as roupas, lavadas pela mãe. Que independência que nada.

Já moramos sozinhos, já pagamos nossas próprias contas. Decoramos nosso apartamento com estilo, e na geladeira tem cerveja e petiscos sempre. Somos independentes, nossos pais vem apenas visitar, e a namorada que ia e vinha, agora veio de mala para ficar. Acordamos todos os dia bem cedo para trabalhar. Agora sou livre e faço o que quiser. Bem, nem tanto, hoje não posso sair porque meu chefe pediu pra esticar, e no fim de semana tem aula da Pós, então não vou viajar. Será que essa independência é mesmo a nossa realidade?

Agora as coisas mudaram, o trabalho estabilizou, o salário aumentou e a gente finalmente casou. Temos uma vida mais tranquila, e nos enxergamos claramente independentes. Como temos mais tempo, pretendemos curtir tudo aquilo que a dependência dos anos anteriores não nos permitiu. Viajar pelo mundo, curtir a Amazônia, e passar um tempo de papo para o ar na bela Trancoso. Porém esquecemos que a dependência não aceita ser largada com facilidade: existe agora uma criança, e outra na barriga surgindo, porque hoje a família também cresceu. Não chegou a hora ainda de ser independente.

Os filhos cresceram, e ao vê-los assim, tão desejosos da sua própria independência, nos lembramos da nossa. De quanto lutamos cada dia para conquistá-la, e de que quanto mais a atraíamos, mais ela nos colocava a milhas e milhas de distância. Hoje temos três carros na garagem, somos sócios de um clube e viajamos à Europa. Mas não conseguimos ficar sem ler o jornal, não deixamos nossos filhos sozinhos e não saímos de casa tranquilos sem o celular. O mundo mudou, as dependências mudaram, apenas a INDEPENDÊNCIA continua lá, onde sempre esteve: à nossa frente, bonita e inalcançável, pois ela só existe paralelamente com tudo aquilo que nós prezamos e admiramos, e principalmente, amamos. Ser totalmente independente significa abrir mão de poder contar com alguém, de cuidar, de ter um ombro amigo, de amar incondicionalmente.

Mas hoje é dia 7 de setembro, dia do nosso país, dia do início da liberdade do nosso Brasil. São 188 anos de “crescimento” livre, de independência e de andanças com as próprias pernas. E não era esse também o objetivo de todos nós, a partir do momento em que nascemos? Talvez seja sim um objetivo, uma meta importante, que é o que nos faz querer seguir adiante a cada etapa de nossas vidas, mas que na verdade não deve ser realmente alcançado, pois a proximidade com a independência nos afasta de todo o resto. Queremos ser independentes para poder crescer, para sair da escola, para nos sustentar, para nos livrar da superproteção dos pais, para casar, para ter uma família. A cada etapa que vamos cumprindo, proclamamos uma mini independência interna, deixando dependências antigas para trás e nos tornamos dependentes de novos entroncamentos em nossas vidas. O lado bom de ficar independente significa que superamos algo que foi importante, e que podemos dar então continuidade à nossa história, de certa forma iniciando uma relação de dependência com outras coisas.

E isso é a grande alegria da vida, reciclar amores e cultivar sentimentos, com a independência de poder sempre escolher que rumo tomar, que pessoas amar e como evoluir.

Ela não só cozinha, mas devora tudo também…

Ontem fui com a Lolo num espaço para crianças num shopping center de São Paulo. Ambiente colorido, cheio de entretenimento, brinquedos e atividades. Fazer penteados nos cabelos, brincar de casinha, jogar basquete, aula de pintura e oficina de massinha são algumas das opções existentes no local, porém a que a Lorena mais gostou, sem sombra de dúvida, foi o espaço de culinária. Ela tem uma certa tendência a gostar de preparação da comida, fazendo jus ao talento culinário da avó paterna, uma quase mestre cuca, e do tio, dono de restaurante. E ao contrário da mãe claro, que é um perfeito desastre na cozinha.

O objeto, ou melhor, os deliciosos objetos da aula de culinária eram dois bolinhos, no estilo cup cake, sabor baunilha. A decoração do doce fica à cargo da criança, e inclui dois tipos de glacê colorido, dois granulados diferentes, confeitos de bolinhas prateadas, mini corações e trevinhos açucarados e ainda açúcar cristalizado de diversas tonalidades. É claro que esperar uma decoração cuidadosa e precisa, de confeiteiro profissional, é apenas uma utopia. O que a Lorena gostou mesmo foi de inventar camadas, misturar ingredientes, e jogar confeitos aleatoriamente sobre o rebuscado cake.

E de comer, é claro. Enquanto todas as  amiguinhas guardavam suas “obras” em caixinhas para levar para casa, Lolo já declarava em alto e bom som: eu quero comer os meus agora! E não perdeu tempo: abriu o bocão e abocanhou uma bela mordida do bolo. Ficou toda suja, saboreando sua criação prateada, e quando achei que ela estava satisfeita, ela diz de boca cheia: quero comer o outro. Dessa vez, tirou a cobertura que ela mesma havia preparado, e avisou que o bolo em si estava muito melhor. Mas acrescentou um pouco do tradicional granulado de brigadeiro, para ficar mais gostoso ainda, né mamãe?

Fico muito feliz que a minha filha goste de preparar alimentos, eu nunca tive essa aptidão. Minha mãe é um zero à esquerda na cozinha, pior do que eu. Traumatizou a mim e meus irmãos com o famoso omelete com vegetais dela, numa sexta feira sem empregada em que ela decidiu que sua invenção seria mais saudável que o tradicional hambúrguer do fim de semana. No dia em que meu pai resolveu fazer uma macarronada para a família, todo mundo passou fome, história que é motivo de piadas até hoje no círculo familiar. Desde a infância, o ato de preparar comida sempre me pareceu uma mágica que poucas pessoas dominavam, e só fui mudar essa idéia na adolescência, quando arrumei um namorado gourmet. Aí sim, com toda a paciência dos apaixonados, fui observando o que ele preparava e aprendendo alguns truques de cozinha.

 Já a Lolo sempre pede para ficar de olho quando alguém estão no fogão. Ela adora me ajudar a preparar morangos com calda, já sabe quebrar um ovo na frigideira, já frita camarões. Um dos programas favoritos dela é ir a casa dos avós e cozinhar com a vovó Stela, que ensina à neta todos as manhas culinárias. Até eu recebo palpites, outro dia quando ia refogar brócolis, a mini mestre cuca me avisa: tem pouco azeite aí, acho melhor colocar mais! Posso com isso? Claro que segui à risca o conselho da Lorena. Se eu nunca fui satisfatoriamente alimentada pelos cozinheiros da família na infância, ao menos tenho esperanças de que na velhice vou ser muito bem nutrida pelas receitas da minha futura chef!

Filhos…

Ter ou não ter filhos? Ter mais um? Ter outro mais?

Essa é uma dúvida que me atormenta de tempos em tempos. Eu sempre quis ser mãe, desde pequena sabia que queria gerar uma vida, amamentar, curtir cada fase de bebê e depois ver o toquinho de gente crescer, compartilhando tudo com ele. Eu realizei esse sonho, e vivo-o intensamente a cada dia. Tive muita sorte pois tenho uma menina linda, inteligente e para mim, perfeita.

Durante a gravidez, todo mundo palpitava que seria menino, e até eu acreditei nisso. Sei que apesar de meninos serem maravilhosos e tudo o mais que dizem, eu queria uma menina. E foi ela, a menina Lorena, que veio alegrar a minha vida. Minha filha, que gosta de maquiagem, que escolhe vestidos (e principalmente sapatos), que ama ir ao supermercado, que não é chegada em pentear o cabelo, mas tudo bem, todas as mulheres têm seu ponto fraco.

Conheço casais que decidiram não ter filhos. Tomaram essa decisão por diversas razões, que vão desde a dedicação ao trabalho, a suposta não aptidão em cuidar de bebês ou até simplesmente a falta de paciência. Não querem e pronto, e sinto que essa decisão vem muito mais da mulher do que do homem. Porque quem realmente vai abrir mão da vida para se dedicar ao novo ser é a mãe. Entretanto as mulheres que são radicais dessa forma vão, em algum ponto da vida, sentir que um filho faz falta. São pouquíssimas as mulheres realmente não dotadas de instinto materno, a grande maioria simplesmente decide não ter filhos pensando de forma racional. E um dia a situação muda, a vida se estabiliza, o dinheiro e a liberdade ficam cansativos, o marido ou namorado já não preenche todos os espaços, e percebe-se então que falta aquele algo mais. O bebê que você não teve. Acredito que, se você tiver um filho, na circunstância que for, por mais dificuldades que enfrente, jamais haverá arrependimento. Agora, se não tiver, as chances de um dia existir um vazio são muito grandes.

Eu já tenho a filha. Preciso de mais? Penso sempre que, se eu tivesse um filhO, com certeza eu teria o desejo de ter outra criança, para tentar a tão preciosa menina. Como já escutei diversas mães de meninos, inclusive a minha irmã, dizendo: “se eu tivesse certeza que viria uma menina, eu teria outro filho”. Eu já tenho. Adoraria curtir toda fase de um bebê de novo, ficar grávida, montar todo aquele enxoval fofíssimo, mas ao mesmo tempo, essa é só a parte positiva. E os enjoos? E a tecla “pause” que é apertada na nossa vida pessoal quando viramos mãe? Porque tudo fica em segundo plano, os trabalhos, as viagens, o relacionamento. A gente abre mão num primeiro momento até do nosso corpo, que passa a viver totalmente em função daquele ser crescente.

Eu amaria ver a minha filha compartilhando a vida com um irmão/irmã, cuidando, curtindo, brincando, tendo tudo aquilo que só irmãos podem se proporcionar. Mas ao mesmo tempo, não posso ter um filho por ela. Tem que ser por mim, e pelo pai da criança claro. Que tem querer muito também. Antes de pensar na existência de um bebê, penso na existência de um casal. Porque toda criança merece ter o melhor, de ambos os lados, ou seja, pai e mãe felizes. Muitas vezes a realidade a longo prazo não é bem essa, e felizes pode não significar necessariamente juntos. Mas o importante é que o objetivo inicial seja esse. Do resto, a vida se encarrega, de uma forma ou outra.

Eu não tenho recordações de uma vida sem irmãos. Tenho dois, e um com praticamente  a mesma idade que eu. Não sei o que é ter que pedir uma companhia para brincar, assim como a minha filha tem que fazer muitas vezes. Eu e meu irmão brigávamos como cão e gato na infância, eu era maior, ele mais forte, e as brigas eram bem equilibradas. Discutíamos até jogando cartas, e uma vez ele ameaçou se jogar da varanda do segundo andar da casa da Suécia, porque estava tomando uma lavada surreal no baralho. Foi a única vez na vida que vi um garoto de 8 anos pensando em suicídio. Um dia, ele grudou chiclete no meu cabelo. De troco, quebrei um ovo na sua cabeça. Na adolescência os amigos dele eram meus namorados, e as minhas amigas eram as ficantes dele. Sempre tivemos a mesma turma, e as festas em casa eram incomparáveis. Realmente não tem preço poder compartilhar a vida com irmãos, no sentido mais profundo da palavra. São pessoas que ninguém escolheu propriamente ter ao lado, mas que serão, até o fim da vida, aqueles que sempre nos acompanharão.

Prestes a completar 4 anos, a Lorena cada vez mais quer estar junto com crianças, e infelizmente ela não tem nem primos da idade dela. Mas isso não a impede de ser feliz, e o lado positivo é que ela está sempre rodeada de amigos. Tem atenção exclusiva e sabe que os carinhos, as expectativas e planos são todos referentes à ela. De certa forma, ela recebe muito mais da vida do que se tivesse um irmão, tanto no campo emocional quanto material.

Quanto à mim, tenho muitos objetivos e planos. Quero cursar outra faculdade, desejo escrever vários livros, ter uma coluna numa revista, abrir o meu próprio negócio. E quero também ter outro filho. Não posso negar que tenho a vontade de ter. Entretanto não é mais aquele desejo irremediável que eu tinha antes da Lo, é uma vontade mais contida. É como a diferença entre estar faminto e apenas com fome. Eu quero, mas não é imprescindível. Não sei qual dos meus objetivos irá se concretizar, mas com certeza será aquele ao qual eu me dedicar com mais afinco. E acredito que as vontades, se forem verdadeiras, vão se consolidando com o tempo, e ele mesmo se encarrega de nos mostrar o caminho.

“Muitos filhos, muito trabalho; nenhum filho, nenhuma felicidade.”

Christian Nevell Bovee