Não são os 9 minutos…

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Hoje cheguei as 12:09 para pegar o Nico na escola. Abracei-o, e logo atrás a professora veio e me entregou um papel, dando good bye e fechando a porta. Abri e li. No papel, constava um aviso, um warning, sobre eu estar atrasada para buscar meu filho. Desta vez seria tolerado, mas da próxima seria enviada uma notificação com cobrança. Sim, vocês leram bem, eu não estava nem 10 minutos atrasada. Não foi meia hora, nem quinze minutos, foram 9 minutos! E o papel me alertava, por escrito, que da próxima vez seriam cobrados 1 dólar por cada minuto que eu me atrasasse, e a partir da segunda vez, 2 dólares por minuto… (!)

Depois de tanto elogiar a escola da Lolo, sabia que precisava contar do Nico. No caso dele, nada foi tão fácil. Estava esperando ter uma posição mais, digamos assim, consistente sobre gostar ou não da escola, antes de postar aqui no blog.

É uma escola particular, adepta à metodologia Montessoriana. Para quem não conhece, Montessori é um método educacional desenvolvido por Maria Montessori em meados de 1900, que ficou conhecido por sua eficiência no desenvolvimento prático da criança. A metodologia prioriza a individualidade, a contribuição social e o ser como parte de um todo. Os princípios são fundamentados nas atividades com objetos e brinquedos específicos, com foco no crescimento e na liberdade de cada um. Segundo Maria Montessori, o conhecimento está dentro de nós. Sua teoria é uma das mais conhecidas pelo mundo afora, e busca respeitar o tempo de cada criança em aprender e realizar tarefas. Tanto que as salas de aula tem crianças de idades variadas, e cada um segue seu ritmo.

Até aí ótimo, eu estudei em escola Montessoriana como criança também, e o respeito a cada indivíduo nos faz crescer de forma independente e inteligente. Mas hoje confesso que estou um pouco intrigada com a Montessori daqui. E a cobrança por minuto não foi o primeiro susto com a escola. A falta de flexibilidade esteve presente desde o começo. Logo no inicio das aulas, Nico estava muito assustado e estranhando tudo. Nem no primeiro dia permitiram que eu entrasse na sala com ele. Tem um aviso bem grande colado na porta: despeçam-se de seus filhos antes. Tipo, deixem as crianças sem olhar para trás. Nico chorou muito, não entendendo essa brusca separação. Muitas vezes tive que deixa-lo à força enquanto a professora o puxava para dentro da sala. As duas primeiras semanas foram tão difíceis para ele quanto para mim. Ele veio de uma escola brasileira onde as “tias” pegam no colo, beijam, ajudam, dão carinho e força para que os pequenos enfrentem o dia. Aqui a postura americana é extremamente fria, não há contato físico entre professoras e alunos. Nem o mínimo, nem um aperto de mão! E além disso, ele não entendia uma única palavra de inglês. Elas dizem good morning, sentam a criança numa mesa ou no tapetinho no chão, colocam a atividade na frente deles e se há choro, como no caso do Nico nos primeiros dias, esperam até que passe por conta própria. Eu fiquei chocada no inicio, e pensei seriamente se continuaria com isso.

Nico hoje em dia está adaptado, não chora mais, porém percebo claramente que ele não ama a escola como gostava da sua no Brasil, ou como a Lolo adora a Adams. Ele apenas se acostumou. E não sei se isso é bom ou ruim. É bom se acostumar a algo que não te faz feliz?? Ele vai à escola, mas ninguém lá se preocupa realmente como ele se SENTE. Vejo nesse método Montessori muita atenção ao desenvolvimento, à postura, mas quanto aos sentimentos da criança, esses são metodicamente deixados de lado.

Ao fim da primeira semana de aula, veio um recado para mim e para o Fernando. Precisávamos ensinar o Nico a colocar as roupas de neve, pois todas as crianças da turma (toddlers, 3 a 6 anos) já se vestiam sozinhas para ir brincar lá fora. E que as professoras não podem (ou não querem?) ajudar diariamente ele a se vestir. Por vestir a roupa de neve, entende-se colocar um macacão com suspensório, gorro, luvas e um casaco com zíper. Além de uma bota com fecho. Tudo por cima da roupa de uso diário. Nico não tem nem 3 anos e meio, é o caçula da classe, cresceu num país onde o que ele vestia se resumia a camisetas e crocs, e agora as professoras vêm na primeira semana de aula exigir que ele coloque sozinho toda a vestimenta de inverno? Segundo balde de água fria.

Como um método que alega ser precursor da individualidade da criança pode querer que o Nico, recém chegado a um país tão diferente, entre na “linha de montagem” exigida por eles? Hoje foi a terceira “cutucada”, e justamente por isso não renovamos ainda a matricula para o ano letivo que se inicia em setembro. Ele está na lista de espera para a Preschool da Adams, a mesma da Lolo. Menos teoria, mais calor humano. Porém como ele nasceu em novembro e só completa 4 anos após o inicio das aulas, ainda não sabemos se conseguirá vaga. Torcemos muito para que ele consiga. Porque para uma escola que alega ser a melhor de Midland, a Montessori está a anos luz de ter um cuidado individualizado com cada criança. Pode ser a melhor em metodologia, em estrutura e materiais, mas para meu filho e para mim, deixou a desejar até agora.

Minha enteada Fernanda estudou lá há dez anos, e coincidentemente, a professora era a mesma do Nicolas. Na época dela a escola era menor, as professoras mais jovens, e o Fernando não tem reclamação nenhuma sobre o tempo em que ela frequentou as aulas. Pode ser também que nós estejamos muito habituados à receptividade brasileira, ao carinho das professoras, e ao chegar aqui o abismo era maior que o esperado. Mas mesmo assim, algo para mim não encaixou direito. Nico agora está mais habituado, ele mesmo diz: “viu mamãe, hoje eu não chorei!” e me parte o coração cada vez que escuto isso. E vamos aguardando a resposta do Preschool.

Como prós da escola, para não falar apenas do lado negativo, eles têm uma parte muito focada em música e Nico já canta lindamente algumas english songs for kids. Também na Montessori as crianças fazem aulas extras de espanhol e mandarim, além do incentivo à leitura, tanto que Nico agora quer histórias todas as noites antes de dormir. A alimentação é nutritiva e variada, ao contrário das outras escolas. O legal é que, ao invés dos pais prepararem diariamente o lanche dos filhos, cada semana um pai ou mãe é responsável por trazer os snacks para a classe toda. E seguindo uma sugestão de cardápio saudável, com muitas frutas, leguminhos e biscoitos. Para beber, só leite ou água. A escola também conta com uma área externa bacana, com dois parquinhos, e para os dias mais frios tem uma gym class, toda adaptada para as crianças, com cubos e retângulos de espuma, onde eles constroem, montam e desmontam. Também tem salas com observatório para os pais, onde podemos acompanhar sem ser vistos algumas etapas das aulas. Em estrutura, nota 10.

Todo essa comparação de lado positivo versus lado negativo é o perfeito exemplo de como o supostamente melhor nem sempre se encaixa naquilo que buscamos para nós. Principalmente em se tratando de uma criança. Por isso termino esse post como uma frase da Maria Montessori, que capta a essência do que procuro para o Nico.

MARA-M~1

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De onde vem a inspiração?

Escrever, talvez mais do que qualquer outra arte, é a que mais exige inspiração. Na pintura ou na escultura ela é necessária, porém o talento prevalece. Nas artes teatrais ela ajuda, mas a vocação e a sensibilidade predominam. Até na música ela é importante, mas a vivência e a percepção sonora é que são essenciais. Agora para sacar letras e frases combinadas, para conseguir compor um texto que não seja maçante nem racional demais, a inspiração é a presença mais importante.  É a noiva do nosso casamento de letras. O texto deve fluir, e não ser intimado a sair. Essa é a sutil diferença entre um bom texto e um texto correto. Sem tempero, mediano. Texto aquele que nunca deveria ter sido escrito.

É necessário aprender a ler também, porque quem não lê não sabe escrever. Fato. Ler de verdade, devorar livros, ter paixão por isso, se perder em histórias que não são as suas. Viver outras vidas. Porque pelo que se saiba, essa é a única forma de se viver infinitas vezes. Lendo. Porque colocar outras realidades para dentro é como causar uma tempestade de idéias, já que elas, mais hora menos hora, vão ter que chover.

Porém a inspiração não tem hora para chegar. Não é possível programá-la, nem segurá-la por perto. Ela tem vida própria. E vive dentro de nós, como um parasita. Pode nos atormentar por meses com a sua ausência, ou melhor, com a sua não aparição. Já que sabemos que ela está lá, mas não tem o menor interesse em dar as caras. Assim como ela pode surgir, por exemplo, linda e poderosa, no momento em que você desperta, bem cedo de manhã. Assim como ela aparece, reluzente, na hora em que você menos espera. Para quem escreve, uma dica valiosa: nunca subestime esses momentos. Escreva no celular, na mão, até na parede, mas não deixe uma boa idéia escapar. Você pode até achar que vai, mas acredite, não vai de forma alguma relembrar esse insight horas ou até mesmo poucos minutos depois.

É possível que você aprenda toda a gramática. É provável que você saiba sem erros conjugar todos os verbos, e pontuar com perfeição um parágrafo. Mas a inspiração, ninguém pode te ensinar como adquirir. Ninguém pode colocá-la dentro de você. Ela é inacessível de quase todas as formas. Entretanto, a inspiração pode sim ser presenteada. Pessoas que surgem na sua vida, aleatoriamente, trazendo cores infinitas e alegrias não imaginadas, que enfeitam de arco íris um dia cinza. Elas sim te enviam o presente inspirador. Um gato que surge no horizonte, uma revoada de maritacas. Pessoas num prédio, ausência de colorido numa nuvem. São as inspirações, disfarçadas de cotidiano. É um grande amor, camuflado em visível satisfação.

Enfim, a inspiração pode ser presenteada, até estimulada, porém quem a conhece sabe que não adianta invocar sua presença, e nenhum prazo, dinheiro ou trabalho é capaz de fazê-la colaborar quando mais precisamos. Ela quer amor. Ela quer sentir a sua felicidade, para daí colocar as mangas de fora e suavemente mostrar a que veio. Mas a ela apenas interessa escrever sobre o objeto de desejo. Seja o que for ele. Muitas vezes existe um assunto pré determinado sobre o qual queremos escrever, mas não adianta, as letras se embaralham de tal forma que compõe apenas aquele quadro que a inspiração tanto quer ver. Que a gente quer, bem lá no fundo, observar também.

Meses de dedicação, e a tela continua em branco. Madrugadas furiosas, teclando sem parar. São extremos a que nós, simples escritores, pensadores à mercê de uma caprichosa dama, temos que aprender a conviver. Um livro inteiro pode sair em duas semanas de trabalho ininterrupto, da mesma forma como uma única coluna pode nos levar ao desespero ao cabo de um mês sem boas idéias. Amar sempre, o segredo para atrair a inspiração. Amar a tudo, a todos, a felicidade e a tristeza também. Porque a inspiração não é atraída apenas por sentimentos supostamente bonitos, ela vem também nos momentos de mágoa e agonia. Ela procura quem sente. Ela desabrocha dentro de quem não tem medo do mundo que existe dentro de si.

Andy e Lyndie

Ela foi Lyndie Dupuis antes de se tornar Lyndie Irons.  Nasceu no sul da Califórnia (San Diego), onde ela e sua irmã Aimee cresceram entre as praias e ondas. Lyndie conheceu o surfista de olhos azuis Andy quando estava fazendo um trabalho como modelo (profissão que iniciou aos 15 anos de idade) para a Billabong, patrocinadora de Andy Irons na época. Estavam em Tavarua, Fiji, e embora ambos estivessem em um relacionamento no momento, se reconectaram algum tempo depois em Encinitas, San Diego, onde ela morava. Logo estavam ambos solteiros, e começaram a namorar oficialmente em 24 de junho de 2001, cerca de nove anos atrás, quando Andy começava a ascender em sua carreira.

Lyndie se juntou a ele em todas as competições de surfe ao redor do mundo. Logo ela se tornou não apenas sua companheira de viagem, mas também sua empresária, e com essa nova posição, ela cuidou de cada detalhe como entrevistas, e-mails, planos de viagem e tudo o mais que permitisse a ele focar-se apenas no surf, dando créditos para seguir em seu sucesso ascendente.

“Ela tem muito a ver com o meu sucesso. Sem ela, nada na minha vida iria funcionar. Eu cairia fora dos trilhos”, diz Andy.

Eles ficaram noivos quatro anos mais tarde, numa praia em Fiji. Durante uma caminhada, percorreram um belo trecho de coqueiral apenas para encontrar “quer casar comigo” escrito na areia, seguido por Andy oficialmente ficando sobre os joelhos e sorrindo para ela. Foi algo que Lyndie descreveu como muito romântico e perfeito, embora primeiramente a proposta incluísse um divertido anel de diamante falso. Mas logo depois foi comprado o anel real, escolhido por ela.

Eles se casaram em 25 de novembro de 2007 em Anini Beach, perto de Hanalei Bay, em Princeville, Kauai. Os convites foram concebidos por Lyndie, e enviados sem o endereço da cerimônia, que foi divulgado apenas às vésperas da ocasião, para manter a privacidade. Ela teve a ajuda de suas amigas e de um famoso wedding planner, e criou o casamento na praia que qualquer garota sonharia. Andy usava Calvin Klein, enquanto Lyndie usava um vestido de seda branco deslumbrante. A cerimônia foi oficializada por Calvin Ho (ministro havaiano), diante de poucos e bons convidados e um entardecer lindíssimo. A atmosfera era magnífica, repleta das flores havaianas mais exóticas, bela música e gastronomia requintada. O noivo honrou a tradição do Havaí de romper uma casca de coco para simbolizar um novo começo, e ao final foram oferecidos como lembrança à todos os convidados pequenas estátuas em miniatura de Buda, vindas de Bali, em um sinal de gratidão.

Ambos queriam esperar alguns anos depois de se casar para começar a ter filhos, o que foi simplesmente perfeito para Lyndie, que em parceria com designers locais havaianos e sua querida amiga Naomi Newirth criou a sua prórpia marca Acacia. É uma linha de biquínis e maiôs, com modelagem menor, moderna para os padrões americanos, que agradou em cheio à mulheres e meninas, e agora conta com lojas em todo o Havaí, Califórnia e Nova Jersey, com promessas de expandir ainda mais o negócio.

Lyndie descobriu que estava grávida no início deste ano. Seu bebê Axel Jason Irons vai nascer em cerca de 5 a 6 semanas, agora no mês de dezembro. Infelizmente Andy não vai estar lá.  A tragédia atingiu a vida Lyndie nesta semana, em 2 de novembro, quando no início da manhã seu marido foi encontrado morto em um quarto do hotel Grand Hyatt, em Dallas, perto do aeroporto. Aparentemente ele estava se sentindo muito mal após deixar Portugal, alguns dias antes de sua morte. Decidiu seguir viagem mesmo assim e cumprir seu calendário de provas, mas em Porto Rico Andy foi impedido de competir na etapa por estar doente. Examinado por um médico no país caribenho, o surfista foi orientado a ir para um hospital, entretanto preferiu voltar para casa. À meio caminho de volta ao Havaí, também não recebeu autorização para trocar de vôo em Dallas, após ter embarcado em Miami e ter passado mal na primeira parte da viagem. Irons, sozinho e sem assistência da companhia aérea ou de qualquer outra parte, acabou se hospedando em um hotel no próprio aeroporto. Durante a noite, ele havia tentado contatar seu médico no Havaí, sem sucesso, e pela manhã o próprio médico tentou retornar a ligação. Diante da negativa de resposta no quarto, os funcionários foram checar Andy. Nessa hora ele foi então encontrado morto, na cama. Tinha apenas 32 anos de idade.

Fica somente a admiração e a saudade de um surfista que marcou seu tempo e que deixou, além de sua criatividade nas grandes ondas do mundo, um filho que terá atrás de si todo o seu legado. E caberá a Lyndie suprir a falta e cuidar do melhor para a vida do pequeno Axel, personagem dessa bela história de amor que não teve um final feliz.

A Rifa

“Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado
e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu… “não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero…”.
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições,
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e se recusa a envelhecer”
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos,
e a ter a petulância de se aventurar como poeta…”

Texto erroneamente atribuído a Clarice Lispector, mas que na realidade é de autoria de Ricardo Labatt.

Porque o único coração que pode ser rifado é aquele que bate somente para cumprir sua função!