O que os guias não contam sobre Barbados…

Muita gente, inclusive alguns locais da ilha, acreditam que o tridente na bandeira de Barbados vem de uma antiquíssima simbologia do diabo, datada do século 16. Na verdade, o acessório negro presente na bandeira simboliza o tridente de Netuno, rei dos mares. Como a principal atividade econômica do país é a pesca, nada mais lógico. O azul dos dois lados simboliza o oceano e o céu, e o amarelo representa as belas areias de Barbados.

O que mais tem por lá são casas residenciais inacabadas. São habitadas, as famílias moram lá, estão praticamente prontas, mas falta a pintura externa, uma ou outra janela, ou então a cobertura da varanda. Demorei a descobrir o porquê, imaginando que talvez a pobreza fosse maior do que eu esperava, ou então que eles não tivesse lá muito bom gosto para arquitetura. Porém não é nada disso. Simplesmente existe uma lei em Barbados que isenta de pagamento de impostos as casas que ainda não estão finalizadas! Então os espertinhos deixam a casa “no forno” por até 5 anos, tempo de carência para finalizar o projeto, e durante esse período não pagam as taxas. Quem disse que só os brasileiros gostam de levar vantagem?

A ilha de Barbados é inteiramente formada por corais. Ela veio, literalmente, do nada. Sedimentos e restos de animais marinhos foram se acumulando durante milênios na depressão entre duas placas tectônicas, e quando estas se moveram,  fizeram surgir sobre as águas uma enorme porção de coral. Não existem rochas ou pedras, e tudo, inclusive morros, montanhas e cavernas são compostos por um material quebradiço e todo esculpido por correntes marinhas, há milhares de anos. No pico mais alto da ilha, encontramos conchas remanescentes do período em que tudo aquilo era coberto por mar.

Falar bem inglês não quer dizer que você conseguirá se comunicar por lá. Entender o dialeto deles é muito difícil, falam baixo e arrastado, como se “comessem” a primeira sílaba da palavra, e para compensar exagerassem na pronúncia da última. Demoramos horas para encontrar um restaurante chamado Turkey Nine Steps, indicado por uma falante vendedora de diamantes. Só conseguimos jantar quando associamos o belo luminoso que dizia 39 Steps ao restaurante de frutos do mar que procurávamos.

Foi a primeira vez na vida que, mesmo com muita fome, deixei de lado um delicioso fish cake. A pimenta era tanta, mais tanta, que a boca inteira parecia dominada por formigas. As receitas bajans levam muitos condimentos, e mesmo pratos que usualmente não têm sabor picante, como saladas, vêm vermelhas de tanto tempero. Talvez pela alimentação na ilha ser muito básica (em qualquer restaurante típico que você vá, a comida não foge muito do peixe frito, torta de macarrão, arroz e legumes) a pimenta acaba sendo um extra nos sabores a que eles estão tão acostumados. Outra curiosidade alimentícia assustadora: Barbados é o terceiro país das Américas que mais consome frango. São 12 lojas KFC numa ilha do tamanho de um bairro de São Paulo, e a rede Cheffette, a concorrente nativa, conta com nada menos que 17 estabelecimentos por lá. Haja pimenta pra tanto frango frito!

Um dos travessos macacos da ilha foi a causa do maior blecaute da história de Barbados, ocorrido em 2006. A empresa de energia relata que foi visto um macaquinho saltitante entre os fios de 24.000 volts da estação, que ao escalar um poste, provocou a ruptura de um dos cabos e deixou a ilha inteira no escuro por horas. O macaco infelizmente foi eletrocutado, claro.

Barbados é um dos 10 países do mundo que estão mais próximo de atingir as metas do Fórum Mundial de Educação. Está muito à frente de países como Argentina, Chile, e claro, Brasil, que ocupa a 72 posição. Em Bridgetown e outras cidades barbadianas, as crianças saem da escola e circulam pelas ruas com uniformes de corte inglês, impecáveis em sua vestimenta sóbria. Assim também é o sistema de ensino. A educação é obrigatória e gratuita dos 5 aos 16 anos, e a frequencia escolar é estritamente reforçada. Tudo muito bonito de se ver.

Viciados em Rum Punch. Esses são os barbadianos, movidos pelo “combustível” rosado. O nome Punch vem da palavra panch, que significa 5 em indiano. O número se refere aos sabores do drink, segundo um famoso poema de lá: one of sour, two of sweet, three of strong and four of weak, a dash of bitters and a sprinkle of spice, serves well chilled with plenty of ice. 
Qualquer lugar que você vá, lá está o drink. Até nos passeios, como no catamarã ou no Island Safari que fizemos, após 20 minutos de estrada o motorista saca um garrafão de dois litros da bebida, abre uma geladeirinha com gelo e distribui os copos aos passageiros. O aviso não é nada como “não exagerem na bebida”, e sim “cuidado para não derrubar nem uma gota na pessoa ao lado”. Porque isso sim seria um desperdício.

Bom, isso é um pouco de Barbados que só quem esteve lá conhece. Águas claras, praias paradisíacas e o sol são só detalhes.

3 comentários em “O que os guias não contam sobre Barbados…

  1. Jenny, já me apaixonei pela ilha!! Vamos para lá??? Quando???
    Parabéns por mais um texto delicioso de se ler!!
    Bjs
    Mamma

  2. Muito boa sua reportagem sobre Barbados. Não conhecia esses detalhes que você ecreveu. Os guias não contam nem os livros de história e geografia.

  3. Eu fui no mês passado e amei tudo, do mar para mergulho às ondas pra surfar. Achei o povo bem amigável e não senti tanta dificuldade com idioma não…

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