Marcada à ferro

Meu aniversário de 30 anos foi marcante. Não tem como sublevar a virada dessa idade “redonda”, assim como até hoje me lembro nitidamente da chegada dos 10 e 20 anos. Cada um deles, à sua maneira, teve mais do que simplesmente fatos a serem registrados na minha mente e guardados por meu coração. Fui marcada, aleatoriamente, no físico também. Será coincidência?

Na saída da primeira década, eu não queria de jeito nenhum deixar os 9. A casa de um número só. Absurdamente, a crise de idade foi maior ao entrar nos 10 anos do que nos 30. Como pode ser meticulosa a mente de uma criança! Foi nessa não tão bem-vinda virada que também furei as orelhas. Acreditem ou não, minha mãe não quis colocar brincos em mim quando nasci, e muito menos durante a infância. Nunca entendi o porquê. Tive que eu mesma decidir. Tenho 10 anos, quero brincos. Lembro até hoje do estouro da pistola na farmácia, e da dor seguinte. Que perdurou um fim de semana inteiro. A marca de uma década. Muito melhor furar a orelha de bebezinhos, que nada sentem (ou ao menos não recordam), mas no meu caso foi assim. Foi a marca dos 10.

A entrada nos 20 pode ser retratada como um sonho. Acontecia tudo que uma jovem pode querer da vida: uma festa maravilhosa, amigos por todo os lados, um novo namorado lindíssimo e um piercing. Esse último, inconscientemente, representou a minha marcação do par de décadas já vividas. Fomos as duas, eu e minha melhor amiga, com a cara e a vontade. Chegamos num descolado estúdio de São Paulo, e um moleque enorme, de brincos no nariz, nos peitos e imagine-se lá onde mais perfurou nossos umbigos. Não lembro da dor, totalmente suportável. E a alegria era tanta que não queríamos saber de mais nada, a não ser curtir nossas novas barrigas ornadas e os nossos vinte anos que apenas começavam.

Agora aos 30, em meio a tantos presentes lindos que recebi, abro a caixa que meu irmão me deu. Uma caixa grande e negra, que abrigava outra caixa cinza. Dentro dela, uma pequena caixa bege. E dentro desta, um papel. Muitos desenhos, muitas palavras queridas, e entre elas a frase: vale uma tatuagem! Surpreendente, como sempre meu irmão me conhece melhor do que ninguém. Já tinha essa idéia em mente à tempos, mas só ele, com suas duas tatuagens já feitas e outra a caminho, poderia adivinhar.

Nos próximos dias meu presente se materializará, eternamente, marcando então a minha terceira década vivida…

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