Finais de semana sem a Lorena

Hoje é sábado, o mesmo dia que se repete todas as semanas, mas que a cada 15 dias é diferente para mim. Um sábado onde eu acordo tranquilamente, sem um macaquinho se esgueirando na minha cama ao amanhecer. Um despertar sem aqueles bracinhos que procuram meu pescoço, sem aquela vozinha dizendo “quero dedeira”. Sem as pernas geladas (porque ela se descobre todas as noites) que se enroscam nas minhas querendo calor. Um sábado onde não ligo a televisão para a Lorena assistir George, o Curioso, no Discovery Kids, que passa às 7 da manhã, e assim ganhar mais uns minutinhos pra dormir.

Sábados onde vou à feira sozinha, e não tenho que preparar uma poça de ketchup em cima de guardanapos para que a Lo coma seu pastel. Nem descer até a barraquinha de 1,99 onde ela religiosamente escolhe uma cartela de adesivos, para depois colá-los um a um nos armários do banheiro. Sábados em que eu não vou ao parquinho fazer piquenique, não tenho que perguntar à Lorena se ela quer banana ou maçã, nem preparar ovos mexidos ou bisnaguinhas na chapa.

Sábados onde a ida ao clube é para a academia, para malhar, e não para ir à piscina infantil ou à brinquedoteca. 2 horas de exercícios ininterruptos, e depois uma passada na lanchonete para tomar um gatorade. Nada daquele “mamãe, eu quero um sorvete de chocolate/pão de queijo/ kinder ovo”. Vejo muitas crianças por lá, mas nenhuma é a minha loirinha de coqueirinho na cabeça.

Sábados onde os almoços em restaurantes são calmos e duradouros. Ninguém saltitando entre as mesas, nem querendo ir embora. Nada do meu Iphone ficar com marcas de dedos sujos, já que única forma de comprar um pouco de tempo é colocando Charlie e Lola no youtube do celular. As sobremesas são pedidas na hora certa, e não no meio da refeição para acalmar a energia de uma menina de 4 anos. As caipirinhas são liberadas, e as conversas, intermináveis. Posso esticar a tarde num cinema se quiser, e nada de filme infantil nesse dia.

Sábados à  tarde em que, se me der vontade, posso chegar em casa e cochilar. Literalmente cair na cama e apagar, e não ter que me preocupar em se a Lorena está sozinha no jardim, ou se está espalhando massinha pelo tapete do quarto. Não preciso montar quebra-cabeças das Princesas, nem brincar que todas as bonecas estão saindo de férias. Não leio toda a coleção de livros que a Lorena ganhou no aniversário (pulando várias frases), nem faço brigadeiros rosas. Não necessito explicar que Milly e Molly ou a Princesinha só começam após as cinco, nem vejo a alegria dela por poder assistir esses desenhos, que normalmente ela perde por estar na escola.

Nesses sábados eu posso tomar banho de banheira. Acender velas, pegar um bom livro e ficar submersa até cozinhar. Não preciso preparar a água, correr atrás da Lorena para que ela tire a roupa, nem perguntar qual shampoo ela quer passar. Não tomo uma chuveirada apressada de 5 minutos, correndo para ficar pronta a tempo de tirá-la da banheira e vestí-la antes que sinta frio.

Nesses sábados, Caillou desfila em paz pela casa, não temendo os fortes abraços da sua pequena dona, nem as tentativas dela de fazê-lo curtir as estranhas comidinhas que prepara para ele. Não escuto a vozinha melosa me pedindo: “vamos brincar de mamãezuda?” e nem tenho que ficar rolando pela cama fazendo cócegas ou contando piadas repetidas.

Sábado à noite a programação é livre. Às oito horas, ao invés de estar me equilibrando na ponta da cama da Lorena, cantando músicas onde sejam recitados os nomes de todos os amigos da escola enquanto ela adormece, tomo um pisco em frente ao computador, decidindo qual é a da noitada. Não escuto o “eu adoro você mamãe”, ou então o “amanhã vai ser um lindo dia” que a minha filha me repete todas as noites. Não tenho que brincar de dentista para que a Lo deixe eu dar uma geral nos dentes dela após a escovação, nem insistir para que faça xixi. Posso voltar pra casa a hora que quiser, e subir as escadas ruidosamente. Posso comer alfajores e deixar a caixa à vista, coisa que quando a minha pequena chocólatra está em casa é impossível de fazer. 

Nesses sábados, às vezes já domingo pela madrugada, se entro no quartinho dela vejo uma cama arrumada. Nada da minha menininha suada, de pijama rosado, que deve estar roncando nos braços do pai. A cada 15 dias, tenho um sábado para mim. Mas esses sábados nunca são totalmente meus por um único motivo: falta a Lolo, que é parte de mim. Nunca serei inteira sem ela. É como a frase que nos dizemos todos os dias: você é minha vida!

Inclusive aos sábados, domingos e qualquer outro dia!

9 comentários em “Finais de semana sem a Lorena

  1. Minha querida Jenny, deve mesmo ser muito dificil, vejo isto acontecer com minha sobrinha, à Wanda de 15 em 15 dias também! Pensei que ela acabaria se acostumando sem os filhos tendo para si mesma um final se semana legal, más que nada, sempre está apreensiva e cheia de saudades, só falando nos filhos dois dias inteiros!
    Vivemos uma vida moderna e independente, más que nos traz transtornos imáginários!
    Só posso te enviar massor av positiv energi!

    Kram

    Dalva

  2. Jenny, achei seu blog no facebook e adorei esse texto… adorei por ser verdade e triste por vc ficar sem sua boneca mesmo que seja por pouco tempo… elas são essenciais né??

    bjos, ale

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