Você tem cheiro do que?

“A palavra ferormônio deriva do grego e significa “que transmite excitação”. São substâncias que funcionam como mensageiros entre seres da mesma espécie, desencadeando respostas fisiológicas e comportamentais previsíveis.”


O papel do olfato em seres humanos é inegável. Basta olharmos a milionária indústria de cosméticos, e suas infinitas combinações de perfumes, com misturas de todos os tipo de fragrâncias, temperos, ervas e flores. Os frascos de perfumes são os líquidos mais caros que se pode encontrar, e o curioso é que cada pessoa tem o seu favorito. E mais do que isso, cada indivíduo, ao misturar o seu próprio cheiro com o olor perfumado, cria um novo odor, que vira uma marca registrada sua. Existem pessoas que passam anos, e até décadas fieis ao mesmo rótulo, e isso torna-se parte do seu perfil.  Alguém que tenha conhecido você jamais se esquecerá,  o que pode ser um castigo ou uma inesquecível recordação. A lembrança de um perfume pode contar tantas histórias “sensoriais” quanto uma música.

É claro que os relacionamentos são governados por muito mais do que sinais químicos olfativos, porém é de grande importância destacar que os cheiros tem papel essencial nas nossas relações humanas. A  importância dos ferormônios na nossa vida tem sido subestimada, principalmente devido ao desenvolvimento de outras formas de comunicação, como expressões faciais, gestos e linguagens. Em segundo plano ficam as glândulas especiais que os mamíferos desenvolveram: um órgão chamado “Órgão Vomeronasal” (OVN), que funciona como um receptor de ferormônios. Esse órgão é mais sensível que o olfato, já que consegue detectar quantidades mínimas de moléculas, potencializando a capacidade de “sentir” algo que na realidade não tem um cheiro específico. É aquele feeling de se aproximar de alguém e perceber logo de cara uma sensação inexplicável de agradabilidade, ou então de repulsa. Os ferormônios podem ser um pouco como um sexto sentido nosso.

Outras evidências da existência de ferormônios e de seu papel na espécie humana vêm de estudos realizados com recém-nascidos. Eles são capazes de reconhecer peças de roupa usadas por suas mães, e também de repelir as usadas por estranhos. Já as mães seriam capazes de reconhecer, no meio de uma pilha de roupas, as que foram usadas por seus filhos. Em outro estudo foram coletadas amostras de suor de uma mulher com ciclo menstrual regular. Com essa amostra, produziu-se uma solução alcoólica que foi aplicada no lábio superior de um grupo de mulheres. Para comparar, aplicou-se em outro grupo de mulheres apenas o álcool. Os resultados encontrados foram que as mulheres que usaram a solução com suor apresentaram sincronização de seus ciclos menstruais. Soma-se a isso a observação de que pessoas afetadas por determinadas doenças que resultam na perda do olfato, apresentam dificuldades de relacionamento, inclusive com perda do desejo sexual.

Aparentemente, o olfato parece ter uma implicação importante no comportamento sexual humano. Foram descobertas várias substâncias presentes em secreções corporais que poderiam atuar como ferormônios sexuais, como por exemplo, a androstandienona do suor masculino. Alguns estudos foram realizados usando-se substâncias semelhantes aos ferormônios, baseados na hipótese de que os ferormônios com função atrativa sexual apresentariam odor agradável. Entretanto, os resultados não confirmaram essa hipótese, levando à conclusão de que odores agradáveis não necessariamente significam atração sexual. Aliás, algo facilmente reconhecido é que nem todo odor agradável tem associações com o sexo. Cheiros deliciosos, como um brigadeiro de panela ou pipoca, nada tem a ver com desejo.

Parece que, como acontece com outros mamíferos, através dos ferormônios as mulheres conseguem evitar parceiros com alguns tipos de genes semelhantes aos dela, como um mecanismo de defesa. Ou seja, uma pessoa geneticamente parecida com você provavelmente exala ferormônios que não lhe agradam sexualmente, evitando assim um contato que poderia gerar futuramente descendentes fracos geneticamente (é sabido que pessoas com carga genética distinta geram filhos mais fortes e saudáveis e com menores chances de nascerem com doenças hereditárias ou genéticas). Essa percepção é conseguida através de substâncias específicas exaladas por cada indivíduo, um cheiro que simplesmente é nosso, independente de quantos banhos tomamos por dia, se acabamos de escovar os dentes ou se a marca do nosso desodorante é Dove ou Nivea.

Em um estudo publicado em 1999, os pesquisadores avaliaram as respostas de homens e mulheres com relação à simetria e ao odor corporais. Foi percebido que a sensualidade do odor é um indicador mais relevante na escolha do parceiro, mais do que simplesmente se o cheiro é agradável ou não. Um achado interessante foi o de que as mulheres percebem mais a diferença entre um odor agradável e um sensual durante a fase fértil do ciclo. O aroma corporal é comprovadamente um fator relevante na escolha do parceiro, mesmo que não seja um fator de escolha consciente (ei, gostei do seu perfume, vamos ter um filho?)

A estratégia feminina ideal para eleger um parceiro teria que, inicalmente, estabelecer um acordo entre as necessidades materiais e os benefícios genéticos. De acordo com a teoria parental, a escolha feminina estaria baseada em parceiros capazes de fornecer proteção e cuidados para a sobrevivência dos filhos. Por outro lado, os felizardos devem também oferecer vantagens hereditárias à descendência. Mas parece que esses dados nem sempre andam juntos. A melhor solução “geneticamente” falando seria que a mulher, em primeiro lugar, procurasse um parceiro no qual o investimento a longo prazo fosse mais confiável e, então, tentasse otimizar a carga genética de seus filhos mantendo relações com homens mais atraentes. É assim que funciona com diversas espécies de animais. Os estudos afirmam que mulheres mais avançadas na escala de evolução apresentam uma tendência aumentada a fazer uma “busca por genes”, através de relações extraconjugais. Os sinais olfatórios e as respostas desencadeadas por eles seriam as pistas mais importantes nessa busca.

Enquanto isso os homens parecem, claramente, escolher parceiras que apresentam um equilíbrio desenvolvido, ou seja, são mais capazes de lidar com problemas. Homens mais atraentes e com corpo mais simétrico (e possivelmente com maior equilíbrio) teriam maiores chances de aumentar seu potencial reprodutivo com múltiplas parceiras do que investindo em construir uma única família. Pesquisadores demonstraram que os homens mais atraentes e simétricos apresentam mais relações intra e extraconjugais.

Cientistas estão, atualmente, realizando mais pesquisas sobre os ferormônios na espécie humana. É provável que, no futuro, a existência dessas substâncias atuando sobre o OVN humano seja definitivamente provada, porém, seu papel na atração sexual parece ser menor do que o esperado devido ao maior desenvolvimento da percepção visual da beleza e das carcterísticas físicas. Assim, a graciosidade percebida através dos olhos seria mais atraente do que a sentida pelo nariz. Mas atenção aos cheiros deve ser levada em conta, pois geneticamente é a com maior validade. Você pode estar com uma pessoa belíssima, porém algo nela não te agrada completamente. Assim como tem pessoas que não são necessariamente belas, mas que a qualquer hora, exalam um cheiro que é sempre agradável ao seu olfato. Lembrando que isso muda para cada pessoa, pois um cheiro que é compatível com você não é o mesmo que é sentido por outro ser humano. Por exemplo os pais, que sempre gostam do cheiro dos próprios filhos, em qualquer momento.

Enfim, ter alguém com um ferormônio compátivel é como a sensação de estar em casa. Você só sabe quando sente.

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