Emagrecendo :)

Há um bom tempo eu já vinha tentando perder uns quilinhos extras que me incomodavam. Nada grave, coisa de quatro ou cinco quilos, que por eu ser alta, se disfarçavam ao longo do corpo. Mas a gente sempre sabe que está acima do peso, seja pela calça que não fecha mais, a camiseta justa nas mangas e o moletom que não fica mais folgado no corpo. Eu adoro ser magra, me sinto mais feliz quando meus braços estão finos, e os ossos do pulso e do cotovelo ficam aparentes. Adoro ver as costelas marcadas no colo, e as saboneteiras salientes.  Para mim, a alegria aparece quando as curvas do quadril mostram mais ossos do que carne, e meu rosto afina quase que imperceptivelmente, mas o suficiente.

Aos 17 anos decidi pela primeira vez que iria emagrecer. Estava no último ano do colégio, e a viagem de formatura se aproximava. Eu só queria sair da casa dos 60 quilos, e caber num biquíni e curtir muito a semana do saco cheio na Bahia. Comecei a bater cartão no clube (tinha um belo paquerinha por lá, o que me ajudava a frequentar assiduamente a academia), e malhar todos os dias. Comia pouco, e só liberava o apetite nos finais de semana. Também cortei doces e carboidratos. Para mim, isso é o que funciona. Comer proteínas e vegetais, ou seja, bife e salada a vontade. E o mais importante: nada de comida sólida/pesada depois das 5 da tarde. À noite, somente sopa e chá. E quando a fome ficava desesperadora, eu me permitia pipoca. Era meu luxo.

Cheguei a pesar inacreditáveis 53 quilos quando tinha 20 anos, peso-pena para minha altura de 1,74m. Foi o mínimo que já alcancei, numa época em que um antigo relacionamento não estava nada bom, e que frequentar a academia era meu vício e válvula de escape.  Fazia 1 hora e meia de bike, e ao voltar pra casa meu jantar era uma salada de frutas ou um tomate fatiado com azeite. Curiosamente, sempre emagreci quando estava passando por fases turbulentas, a infelicidade preenche minha alma (e meu apetite) de forma bem completa. Não consigo comer quando estou triste.

Já no início da gravidez da Lorena também fiquei extremamente magrinha, passei tão mal que em duas semanas 4 quilos foram embora, e desci aos 54 quilos. O pai da Lo dizia que eu parecia um pirulito, com cabeção e corpo “palito”. Ótimo elogio para uma grávida! Mas eu adorava que os shorts ficassem quase caindo, e foi uma aprazível memória que me consolava quando, 7 meses depois, eu batia na casa dos 70 quilos, às vésperas de dar à luz. Quando a Lorena nasceu, 7 quilos foram embora no hospital, e 2 meses depois eu já entrava na minha calça favorita. A amamentação foi a melhor dieta que já fiz na vida. Voltei rapidamente aos meus 59 quilos, e continuei emagrecendo. Comia bem e em quantidade admirável, mas amamentar minha filhota viciada em leite, 3 ou 4 vezes ao dia (no início era o dobro)  por 13 meses, fez com que cada reserva de gordura do meu corpo fosse transformada em laticínio. Amamentar acelera o metabolismo, e são consumidas mais de 500 calorias diárias para produzir o alimento do bebê. Mais do que a corrida que fiz ontem na esteira, de 7 quilometros, onde perdi “apenas” 450 calorias.

Parei de amamentar, dancei. Subi de peso na mesma hora, e nesses últimos 3 anos meu peso sempre ficou em torno dos 60 quilos, às vezes mais, às vezes menos, o que para mim não é nada satifatório. Alguns meses atrás, um pouco de cada fator descrito acima me estimulou a perder peso de novo. Passei a comer de manhã uma fatia de pão integral com manteiga e suco de laranja. No almoço, a menor porção possível, e de preferencia apenas um pedaço de peixe e couve refogada. À tarde, se tiver fome, engano com chá, quente nos dia de inverno e gelado para afastar o calor. À noite, um filet de carne e salada de alface, tomate e palmito, se estiver acompanhada. Não gosto de preparar comida sozinha, e sei que é irresponsável, mas então fico sem comer, ou então saboreio uma maçã. E incrivelmente tenho uma sensação tão boa ao acordar na manhã seguinte sem ter comido nada!  A fome, que ao mesmo tempo nos desespera, quando domada, passa a ser quase uma amiga. É como se cada vez que ela surgisse, ao mesmo tempo a gente escutasse: parabéns, você está conseguindo, estou consumindo seus pneuzinhos ao invés das porcarias que você come. Foram embora quase 4 quilos ultimamente, e nesta sexta-feira entrei numa calça que havia usado pela última vez quando acabou a amamentação da Lorena. Incrível a sensação de realização. Cheguei a pensar que nunca usaria essa calça novamente. É bom descobrir que ainda sei como perder peso.

Me referi neste texto à diversas coisas que abri mão para emagrecer, mas nem só de sacrifícios essa dieta politicamente incorreta by Jenny é feita. Nunca deixei de consumir duas coisas: chocolate e bebidas alcoólicas. O chocolate sempre me proporcionou sensação de saciedade, e por muitas vezes eu trocava o jantar por uma barra, e não engordava. No fundo, o número de calorias de uma refeição, e de 100 gramas de chocolate, é o mesmo. Caipirinhas, mojitos e vinho são para mim irresistíveis. Tomo com frequencia, e acho que eles nos trazem uma sensação de relaxamento e satisfação que nos afasta da comida. Para mim funciona, e detalhe, bebidas sempre preparadas com açúcar mesmo, nada de adoçante, que na minha opinião altera o sabor das frutas e folhas.

Ainda quero baixar cerca de 3 quilos, aí fico satisfeita. Gosto de colocar qualquer roupa, e que ela me caia bem. Gosto de ir pra praia e colocar biquini sem me preocupar se gordurinhas estão saltando por aí. Sentir que estou acima do peso me deixa mal humorada. Curiosamente, recebo menos cantadas na rua, tipo aquelas de canteiro de obra, quando estou magrela, porque perco bunda e peito também. Mulheres me elogiam aos montes, os homens em geral não gostam do peso baixando. Mas para mim, independente do que digam, menos quilos significam mais alegria.

“A fome não é exigente: basta contentá-la; como, não importa.”

Séneca, filósofo da Roma Antiga

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