Bienal do Livro 2010

Dia 12 de agosto, início da Bienal. Oficialmente ela só abre amanhã, dia 13, mas para profissionais do setor o acesso é livre a partir de hoje. Como é bom fazer parte deste grupo! Algo que eu sempre quis, e que agora é realidade. Tenho a minha própria credencial “autora”! Tudo bem, posso ser uma escritora bem modesta, com apenas um livro publicado no currículo, mas ao menos ele já está na segunda edição! Um dia chego lá.

Lorena foi para a aula, e eu para a Bienal. Isso me deu umas 3 ou 4 horinhas para mergulhar no mundo das letras, mas se tratando de Anhembi talvez não fosse suficiente para ver nem metade. Mas incrivelmente consegui rodar por tudo, talvez porque as atrações não estivessem tão espetaculares assim. Alguns corredores me faziam caminhar mais rapidamente, como os muitos espaços de livros religiosos ou aqueles terríveis stands de revistas, onde incautos são seduzidos com ofertas de brindes, deixando dados do cartão de crédito “apenas para constar”. Depois, passam os meses seguintes tentando cancelar a assinatura de uma revista que nunca foi solicitada. Desses eu passo longe, na verdade passo correndo.

Adorei o espaço dedicado à Clarice Lispector, sou fã mesmo dela. Seus textos são de uma sensibilidade ímpar, e duas atrizes globais se revezavam lendo trechos de suas obras. Encantador para quem não conhece, apaixonante para quem sabe de cor suas poesias e frases sobre o amor. Me chamou a atenção o espaço da Cosac Naify, com seus livros super estilosos sobre artes plásticas, design, cultura brasileira e até infantil, como o curioso e clássico “Livro Inclinado”. No campo das promoções, editoras como a Publifolha tinham seções inteiras de livros a 5 ou 10 reais. Ótimo para se garimpar, pois no meio de títulos banais (leia-se encalhados) dá para encontrar obras interessantes.

Sobre lançamentos fica a minha crítica: não vi nada realmente em destaque. Comprei um livro da Isabel Allende, seu mais novo romance, chamado “A Ilha sob o Mar”. Me pareceu uma leitura muito agradável, como tudo o que ela escreve. Mas fora esse, que achei perdido numa prateleira da Saraiva, nada em destaque nos outros stands. Numa livraria de Campinas, achei o segundo livro da autora do “Comer, Rezar e Amar”, que na verdade é a continuação desse primeiro. Também levei. Mas eu queria saber mais sobre autores nacionais, temas diferentes. Cadê o Marcelo Rubens Paiva? Onde estão as biografias que eu tanto gosto? O que mais pareceu é que a Bienal está se tornando um “saldão”, onde as editoras expõe aquilo que não vende, como por exemplo grossos volumes sobre a arte na idade média ou “Como ser fashion”. E aquilo que realmente importa ficou em segundo plano. O interesse agora é vender, e  não mais divulgar novos títulos. Ficou uma sensação de não ter achado tudo o que eu queria para mim.

Em compensação, para a Lorena, saí carregada. Como resistir a livros educativos a 5 reais? Como não levar um belíssimo dicionário infantil (quem tem filhos na fase do por que isso, por que aquilo sabe) a 7 reais? Esse, chegando em casa já usamos juntas, primeiro quando a Lo quis saber o que significava o próprio dicionário e depois para pesquisar a palavra “veia”. Também comprei um guia sobre o que as crianças podem fazer para preservar o meio ambiente e a natureza, com dicas super bacanas e idéias de atividades. Encontrei um livro sobre a Branca de Neve (atual vício da minha filha) com ilustrações fantásticas, onde a própria Branca de Neve é uma menina mesmo, e não aquela morena estilizada de cabelo chanel. Custou 5 reais também, incrível pois acho que esse valor não paga nem a impressão do livro.

Faltou um espaço para sentar e ler. Poucos stands tinham isso. Em contrapartida, praças de alimentação tinham duas, enormes. Acho que sobrou espaço (fiquei sabendo que algumas, e não poucas editoras decidiram não participar do evento) e o venderam para o setor alimentício. Para quem tem fome, há todo o tipo de opção, desde churros até massas italianas. Mais comida para o corpo, menos alimento para a mente. Livros internacionais também estavam escassos, e fora um stand de literatura alemã com mais de 500 títulos, o espaço árabe e o espanhol deixavam bem a desejar.

Quem sabe eu retorne a Bienal na semana que vem, pois queria muito levar a Lorena. Mas ainda não decidi se vale a pena, estou mais tentada a ir numa livraria Cultura ou da Vila e passar um tempo lá com ela, como sempre fazemos. Ao menos não se pagam 25 reais de estacionamento. Para quem está pensando em ir, se você tiver filhos eu recomendo muito. Para crianças a Bienal está incrível, e não só se compram livros ótimos como até o Discovery Kids tem um espaço lá. Diversão garantida! Para adultos… bem, vale o passeio, talvez o almoço e alguns livros se você tiver um olho bom!

Um comentário em “Bienal do Livro 2010

  1. Jenny, obrigada, valeu ler teu ” referens ” pois nao tenho tanto contato com o Brasil e sendo vc uma autora, olhou e tentou com olhos criticos más também curioso achar o que tem /tinha de bom ná Bienal! entao deve ser gostoso mesmo participar como scritora dá entra ná Bienal, antes do publico!

    Beijos e boa sorte em tudo o que fizer, continue firme, Deus te protegerá ( je )!

    Boa – noite!

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