Filhos…

Ter ou não ter filhos? Ter mais um? Ter outro mais?

Essa é uma dúvida que me atormenta de tempos em tempos. Eu sempre quis ser mãe, desde pequena sabia que queria gerar uma vida, amamentar, curtir cada fase de bebê e depois ver o toquinho de gente crescer, compartilhando tudo com ele. Eu realizei esse sonho, e vivo-o intensamente a cada dia. Tive muita sorte pois tenho uma menina linda, inteligente e para mim, perfeita.

Durante a gravidez, todo mundo palpitava que seria menino, e até eu acreditei nisso. Sei que apesar de meninos serem maravilhosos e tudo o mais que dizem, eu queria uma menina. E foi ela, a menina Lorena, que veio alegrar a minha vida. Minha filha, que gosta de maquiagem, que escolhe vestidos (e principalmente sapatos), que ama ir ao supermercado, que não é chegada em pentear o cabelo, mas tudo bem, todas as mulheres têm seu ponto fraco.

Conheço casais que decidiram não ter filhos. Tomaram essa decisão por diversas razões, que vão desde a dedicação ao trabalho, a suposta não aptidão em cuidar de bebês ou até simplesmente a falta de paciência. Não querem e pronto, e sinto que essa decisão vem muito mais da mulher do que do homem. Porque quem realmente vai abrir mão da vida para se dedicar ao novo ser é a mãe. Entretanto as mulheres que são radicais dessa forma vão, em algum ponto da vida, sentir que um filho faz falta. São pouquíssimas as mulheres realmente não dotadas de instinto materno, a grande maioria simplesmente decide não ter filhos pensando de forma racional. E um dia a situação muda, a vida se estabiliza, o dinheiro e a liberdade ficam cansativos, o marido ou namorado já não preenche todos os espaços, e percebe-se então que falta aquele algo mais. O bebê que você não teve. Acredito que, se você tiver um filho, na circunstância que for, por mais dificuldades que enfrente, jamais haverá arrependimento. Agora, se não tiver, as chances de um dia existir um vazio são muito grandes.

Eu já tenho a filha. Preciso de mais? Penso sempre que, se eu tivesse um filhO, com certeza eu teria o desejo de ter outra criança, para tentar a tão preciosa menina. Como já escutei diversas mães de meninos, inclusive a minha irmã, dizendo: “se eu tivesse certeza que viria uma menina, eu teria outro filho”. Eu já tenho. Adoraria curtir toda fase de um bebê de novo, ficar grávida, montar todo aquele enxoval fofíssimo, mas ao mesmo tempo, essa é só a parte positiva. E os enjoos? E a tecla “pause” que é apertada na nossa vida pessoal quando viramos mãe? Porque tudo fica em segundo plano, os trabalhos, as viagens, o relacionamento. A gente abre mão num primeiro momento até do nosso corpo, que passa a viver totalmente em função daquele ser crescente.

Eu amaria ver a minha filha compartilhando a vida com um irmão/irmã, cuidando, curtindo, brincando, tendo tudo aquilo que só irmãos podem se proporcionar. Mas ao mesmo tempo, não posso ter um filho por ela. Tem que ser por mim, e pelo pai da criança claro. Que tem querer muito também. Antes de pensar na existência de um bebê, penso na existência de um casal. Porque toda criança merece ter o melhor, de ambos os lados, ou seja, pai e mãe felizes. Muitas vezes a realidade a longo prazo não é bem essa, e felizes pode não significar necessariamente juntos. Mas o importante é que o objetivo inicial seja esse. Do resto, a vida se encarrega, de uma forma ou outra.

Eu não tenho recordações de uma vida sem irmãos. Tenho dois, e um com praticamente  a mesma idade que eu. Não sei o que é ter que pedir uma companhia para brincar, assim como a minha filha tem que fazer muitas vezes. Eu e meu irmão brigávamos como cão e gato na infância, eu era maior, ele mais forte, e as brigas eram bem equilibradas. Discutíamos até jogando cartas, e uma vez ele ameaçou se jogar da varanda do segundo andar da casa da Suécia, porque estava tomando uma lavada surreal no baralho. Foi a única vez na vida que vi um garoto de 8 anos pensando em suicídio. Um dia, ele grudou chiclete no meu cabelo. De troco, quebrei um ovo na sua cabeça. Na adolescência os amigos dele eram meus namorados, e as minhas amigas eram as ficantes dele. Sempre tivemos a mesma turma, e as festas em casa eram incomparáveis. Realmente não tem preço poder compartilhar a vida com irmãos, no sentido mais profundo da palavra. São pessoas que ninguém escolheu propriamente ter ao lado, mas que serão, até o fim da vida, aqueles que sempre nos acompanharão.

Prestes a completar 4 anos, a Lorena cada vez mais quer estar junto com crianças, e infelizmente ela não tem nem primos da idade dela. Mas isso não a impede de ser feliz, e o lado positivo é que ela está sempre rodeada de amigos. Tem atenção exclusiva e sabe que os carinhos, as expectativas e planos são todos referentes à ela. De certa forma, ela recebe muito mais da vida do que se tivesse um irmão, tanto no campo emocional quanto material.

Quanto à mim, tenho muitos objetivos e planos. Quero cursar outra faculdade, desejo escrever vários livros, ter uma coluna numa revista, abrir o meu próprio negócio. E quero também ter outro filho. Não posso negar que tenho a vontade de ter. Entretanto não é mais aquele desejo irremediável que eu tinha antes da Lo, é uma vontade mais contida. É como a diferença entre estar faminto e apenas com fome. Eu quero, mas não é imprescindível. Não sei qual dos meus objetivos irá se concretizar, mas com certeza será aquele ao qual eu me dedicar com mais afinco. E acredito que as vontades, se forem verdadeiras, vão se consolidando com o tempo, e ele mesmo se encarrega de nos mostrar o caminho.

“Muitos filhos, muito trabalho; nenhum filho, nenhuma felicidade.”

Christian Nevell Bovee

Um comentário em “Filhos…

  1. Juju!!!! fiquei super emocionada com seu texto… vc esta escrevendo maravilhosamente bem… e pra mim um assunto tão atual que parecia ter saido da minha cabeça… consegui ver vc quebrando o ovo na cabeca do Toti… me lembrei tanto de vcs!!! Querida ja virei sua fã!!!!
    Bjinho pra vcs!!!!

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