Porque vale a pena conhecer o Brasil de verdade

Eu tive a chance, durante alguns anos da minha vida, de rodar o Brasil e conhecer coisas que pouquíssimas pessoas puderam ver. Foram 16 estados brasileiros, e mais de 25.000km, todos eles percorridos de carro. Eu adoro, amo, viajar de carro. Tudo bem você pegar um avião para conhecer determinada capital ou atração turística, mas a verdade é que a 10 mil metros de altura a única coisa que você conhecerá bem é a comida do avião, que na realidade nem vale a pena. Claro que é muito mais rápido, e obviamente mais confortável, mas acredito que ao menos uma vez na vida todo mundo deve pegar o carro e simplesmente sair. Com ou sem rumo. A viagem vai ser espetacular da mesma forma, e não pelo seu destino, e sim pelo que acontecerá até você atingí-lo.

Ao entrar num carro e partir, você começa a desbravar um novo mundo a partir da esquina da sua casa. Vê cenas impagáveis, como um caminhão transportando carne a céu aberto, mudanças com cachorros na caçamba, tamanduás-bandeira atravessando a estrada na sua frente, crianças vendendo frutas e animais exóticos e obviamente paisagens de tirar o fôlego. Você dorme em pousadas de 20 reais a diária, na própria casa das pessoas. Você come refeições caseiras de lamber os dedos, e eu tenho memórias gastronômicas tão boas que até hoje minha comida favorita é arroz, feijão, farofa e picadinho, seja de boi, porco ou bode. Tudo preparado com um incomparável tempero que só ingredientes recém colhidos, como folhas e ervas do quintal e carne fresca da criação do vizinho, nos permitem saborear.

Ficar olhando o mapa, calculando distâncias, inventando corta-caminhos (que nem sempre chegam a lugar algum) são tarefas muito divertidas. O ideal numa grande viagem é ter um destino fina ou objetivo. Que pode ser um trabalho ou tarefa, um encontro com amigos/parentes ou simplesmente um rumo pré determinado, como uma atração turística. E o que acontece até a chegada, isso sim é a aventura. Muitas vezes vale a pena desviar centenas de quilometros para ver um Parque ou lugar imperdível, afinal você tem liberdade total! O tempo ideal para uma viagem desse porte (estamos falando de cerca 3.000km mínimos – o suficiente para ir de SP até o Rio Grande do Norte) é de uma semana a 10 dias. Eu já fiz esse roteiro em 3 dias, mas é muito desgastante.

O recorde de distância percorrida durante essas viagens foi de 1.400 km em apenas um dia. Isso sempre voltando a SP, quando os ultimos 500 quilometros são em estradas duplicadas, e você pode aproveitar noite e madrugada para dirigir em segurança. No restante das rodovias precárias do Brasil, anoiteceu é necessário parar, por questões de segurança. Porque são milhares de caminhões em alta velocidade, nenhum posto policial, buracos sem fim e de iluminação só as estrelas.

O entardecer na estrada é a hora de novamente analisar o mapa e ver qual cidadezinha parece mais pitoresca para se passar a noite. Encontrar uma pousadinha é sempre uma surpresa. Tem aquelas pequenas, bem arrumadas, onde você vai tomar o café da manhã com os donos. Tem aquelas pousadas metidas a hotéis de cidade grande, onde tudo é meio decadente, e a comida sempre tem sabor de coisa velha. Tem as pousadas de posto de gasolina, que a noite viram animados points de caminhoneiros e prostitutas. Se for noite de sexta ou sábado nunca fique nelas, pois o risco de tocar axé madrugada a dentro em volume ensurdecedor é muito grande. Enfim, pousada boa ou má, sempre será uma aventura, e se você estiver no norte/nordeste, faça questão de apenas uma coisa: ar condicionado. É impossível dormir sem isso. Apesar de que existem cidades, como uma que visitei perto de Petrolina, em que o ar condicionado não fazia diferença nenhuma. A temperatura era de 38 graus à noite, das torneiras e chuveiros saia água naturalmente quente, e o coitado do nosso cachorro teve que dormir no chão com uma toalha molhada em cima para refrescar. Essa região, norte da Bahia e oeste do Pernambuco, é extremamente seca. Aquelas imagens que você vê pela televisão, de carcaças de bois e vacas nos acostamentos, açudes completamente secos, e placas nos casebres que dizem “temos fome” são a realidade. Uma triste realidade.

Em posts futuros aqui do blog, vou contar sobre as cidades e os pontos turísticos que realmente vale a pena conhecer. Não esperem ler nada sobre Salvador ou Rio de Janeiro, porque não vou falar sobre o que você pode achar no Google. Esperem ler sobre o Polígono da Maconha, sobre o Jalapão e sobre o Poço Azul. Espero que se divirtam com as loucas histórias, e que possam começar a planejar as viagens de vocês também!

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